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Jovens nem-nem: taxa cai para 22,4% com impulso de auxílios e bolsas

Jovens nem-nem: taxa cai para 22,4% com impulso de auxílios e bolsas

(Foto: Paulo Pinto)

Jovens nem-nem: taxa cai para 22,4% com impulso de auxílios e bolsas


Queda de 4,4 pontos percentuais supera a média internacional, mas evasão no ensino médio e precarização do trabalho ainda limitam o futuro da juventude brasileira.

A proporção de jovens de 18 a 24 anos que não estudam nem trabalham no Brasil recuou de 26,8% para 22,4% entre 2016 e 2024. Os dados constam no relatório Panorama da Educação 2026, divulgado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

O recuo nacional de 4,4 pontos percentuais representa quase o dobro da média de redução registrada pelos demais países monitorados pela entidade.

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Essa retração estatística reflete uma mudança prática na rotina de milhares de brasileiros que antes estavam fora das salas de aula e do mercado formal.

O retorno aos estudos e a inserção profissional injetam nova força na economia, aliviando a pressão sobre as famílias de baixa renda. O avanço tenta frear o desperdício de talentos em uma fase na qual o país atravessa sua maior janela demográfica de força de trabalho.

Como o programa Pé-de-Meia reduziu o número de jovens nem-nem

O Ministério da Educação (MEC) vincula a melhora dos índices educacionais à injeção de recursos federais voltados à permanência escolar.

O programa Pé-de-Meia atua diretamente na raiz da evasão ao oferecer um incentivo financeiro mensal para estudantes do ensino médio público. A bolsa de estudos funciona como uma alternativa imediata à renda que o jovem precisaria buscar na informalidade ou em subempregos.

A soma desse benefício educacional com os repasses do Bolsa Família cria uma rede de proteção financeira básica. Estudantes conseguem focar na aprendizagem e na conclusão dos estudos em vez de abandonar a escola para sustentar a casa.

O próprio relatório da OCDE ratifica o impacto ao indicar que a taxa de brasileiros de 25 a 34 anos sem ensino médio completo caiu de 35% para 26% no período analisado.

O abismo da transição escolar e as diferenças de gênero

Apesar do recuo nos índices de nem-nem, o sistema educacional ainda perde 20% dos alunos durante o ensino médio. O momento da transição entre os anos finais do ensino fundamental e o ensino médio marca a saída de 8% dos estudantes, taxa superior aos 5% da média global.

O levantamento também expõe uma divisão demográfica clara: mulheres apresentam uma probabilidade 7 pontos percentuais maior de concluir a educação básica em comparação aos homens.

O superintendente do Instituto Unibanco, Ricardo Henriques, avalia que o país ainda possui mais de um quarto dos jovens adultos sem a formação básica completa. Ele cobra dos gestores públicos a formulação de estratégias preventivas focadas na trajetória individual de cada aluno.

“A tarefa é construir uma trajetória em que o jovem consiga permanecer, aprender, concluir a formação e encontrar uma inserção profissional digna.”

Precarização, uberização e o desalento da juventude

O ingresso no mercado de trabalho ocorre de forma abrupta para as camadas mais vulneráveis da sociedade. A professora da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio),

Mônica Peregrino, aponta que as mudanças recentes no ensino médio e nas leis trabalhistas dificultaram a conciliação entre o emprego e a educação noturna. O resultado prático é o desalento e o cansaço de uma geração que esbarra na falta de estrutura.

Representantes estudantis reforçam o impacto do trabalho precarizado na rotina de quem tenta se profissionalizar. A presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Manuella Mirela, e a líder da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes), Jade Beatriz, alertam para os perigos da chamada “uberização”.

Muitos estudantes abandonam os livros para gerar renda familiar rápida em aplicativos e perdem definitivamente a chance de ingressar no ensino superior ou na formação técnica de qualidade.

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Jovens nem-nem: taxa cai para 22,4% com impulso de auxílios e bolsas
(Foto: Paulo Pinto)

Com informações de Agência Brasil


Alfredo R. Martins Jr. é jornalista e a voz principal do Jornal O Paranaense. Formado em Comunicação Social com especializações em Marketing e Gestão de Comunicação, possui mais de 17 anos de experiência na análise do cenário paranaense. Sua missão é traduzir a complexidade da política, economia e cultura do estado em informação clara, acessível e relevante para o leitor.
Alfredo R. Martins Jr.
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