(Foto: Hedeson Alves)
Mercado em alta: Paraná concentra 20% da produção de orgânicos do Brasil e lidera ranking nacional
Com mais de 4,2 mil propriedades certificadas, Estado domina um dos setores mais rentáveis do agronegócio. Além do alto valor agregado nos produtos, selo garante acesso a crédito mais barato no Plano Safra.
O que antes era considerado apenas um nicho de mercado sustentável transformou-se em um dos braços mais promissores e rentáveis do agronegócio brasileiro. Movimentando bilhões de reais anualmente com taxas de crescimento de dois dígitos, o mercado de alimentos orgânicos tem um líder isolado no Brasil: o Paraná.
De acordo com os dados mais recentes do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), o Brasil possui hoje 24.226 certificados válidos concedidos a produtores orgânicos. Desse montante, 4.263 estão nas mãos de agricultores paranaenses, o que representa quase 20% de toda a produção nacional certificada. O volume coloca o Paraná com folga na primeira posição, à frente do Rio Grande do Sul (3.093) e da Bahia (1.859).
Para o produtor rural, a transição do cultivo convencional para o orgânico significa uma mudança drástica na lógica econômica da propriedade. A certificação não é apenas um atestado ambiental; é um passaporte para o aumento do valor agregado do produto, permitindo fugir da guerra de preços das commodities tradicionais e acessar mercados premium e institucionais.
O impacto financeiro na ponta da cadeia
Embora exija uma adaptação rigorosa no manejo do solo e abandono de defensivos químicos, o retorno financeiro compensa o esforço inicial. Um exemplo claro dessa virada econômica acontece em Quatro Barras, na Região Metropolitana de Curitiba, na propriedade de cinco hectares gerida por Edna Aparecida Gomes do Reis.
Há seis anos no mercado orgânico certificado, Edna diversificou a produção para diluir riscos comerciais, cultivando tomate, hortaliças, maracujá e ervas medicinais. O ganho de eficiência no campo se traduz em números: após colher duas toneladas de tomate orgânico na safra de 2025, a produtora ajustou as variedades e projeta triplicar o volume, atingindo seis toneladas neste ano.
“O processo é mais trabalhoso, exige testes de manejo para chegar à variedade mais produtiva para o nosso clima. Mas o selo de orgânico agrega muito no valor final. Com ele, nós conseguimos inclusive acessar políticas públicas, fornecendo para a alimentação escolar do Estado, para os centros de referência (CRAS) e para as cestas solidárias de cooperativas”, explica a empresária rural.
Crédito mais barato no Plano Safra 2025/26
Além do preço de prateleira, ser um produtor orgânico certificado no Brasil atual garante uma vantagem competitiva direta no caixa da fazenda: o acesso a juros menores.
Propriedades orgânicas com certificação válida e ativa têm direito a um desconto de 0,5% na taxa de juros das operações de custeio dentro do Plano Safra 2025/26. A bonificação é uma estratégia do Governo Federal para incentivar a Plataforma Agro Brasil+Sustentável (AB+S), que conecta produtores sustentáveis a instituições de crédito.
Os agricultores interessados em garantir essa redução nos juros devem procurar suas instituições financeiras para formalizar a adesão e contratar o crédito rural até o dia 30 de junho de 2026 (sujeito à disponibilidade de recursos da linha).
A estrutura de auditoria como motor de negócios
A liderança econômica do Paraná neste setor é impulsionada por uma forte política de subsídio tecnológico. O salto na produção — que viu o número de produtores rurais dobrar nos últimos anos — é sustentado pelo programa Paraná Mais Orgânico.
A iniciativa do Governo do Estado oferece assistência técnica gratuita para a transição agroecológica, isentando o agricultor familiar dos altos custos de consultoria. A auditoria e a emissão final do selo ficam a cargo do Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar), o primeiro organismo brasileiro credenciado pelo Mapa e pelo Inmetro para a certificação de orgânicos.
“Com nossa equipe de auditores, garantimos a conformidade com os padrões rigorosos do setor, o que assegura a rastreabilidade da produção. Isso abre portas para a comercialização nacional e internacional, cumprindo nossa missão de levar tecnologia e competitividade para o Estado”, destaca Eduardo Marafon, diretor-presidente do Tecpar.
Ao subsidiar a certificação, o Estado elimina a principal barreira de entrada para pequenos e médios produtores, permitindo que eles ingressem formalmente em um agronegócio de alta rentabilidade.

Com informações de Agência de Notícias da Tecpar
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