(Foto: Thomas Mukoya)
Novo mapa-múndi da ONU corrige distorções de continentes
Adoção do modelo Terra Igual ajusta proporções da África e América do Sul após séculos de imprecisão cartográfica
Os materiais escolares, as plataformas digitais e os documentos oficiais ao redor do planeta passarão por uma alteração visual profunda nos próximos anos. A imagem do mundo com a qual gerações se acostumaram, que exibe os continentes do Hemisfério Norte em tamanhos desproporcionais, deixará de ser o padrão. A Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou a adoção de um novo mapa-múndi que reflete a dimensão real das massas de terra globais.
A resolução intitulada “Corrija o mapa” recebeu 164 votos favoráveis na última sexta-feira (4). O texto estabelece o modelo “Terra Igual” como a referência cartográfica oficial do órgão. A proposta enfrentou resistência isolada do governo norte-americano, que votou contra a medida, além de registrar seis abstenções entre as delegações presentes.
O fim da projeção de Mercator
A representação tradicional baseia-se na projeção de Mercator, uma solução matemática criada em 1569. O objetivo daquele desenho era facilitar a navegação marítima ao traçar rotas em linhas retas, o que exigiu sacrificar a precisão das áreas terrestres. Consequentemente, as regiões próximas aos polos sofreram uma ampliação drástica, enquanto os territórios próximos à linha do Equador encolheram visualmente.
Esse desenho técnico tornou-se a norma nas salas de aula e nos meios de comunicação ao longo dos séculos. Os diplomatas da União Africana argumentaram que a repetição contínua dessa imagem perpetuou uma visão desequilibrada e eurocêntrica da geopolítica. Para os defensores da mudança, a correção das dimensões oferece uma reparação histórica imediata.
Um novo padrão chamado Terra Igual
O modelo Terra Igual mantém a forma familiar dos continentes, mas aplica cálculos que garantem a equivalência exata de área entre as regiões. A Organização das Nações Unidas orienta que governos e entidades internacionais substituam os mapas antigos por esta nova projeção cartográfica. A iniciativa busca alinhar a educação global a critérios científicos mais rigorosos.
“Não se trata apenas de corrigir um mapa e sim de corrigir a percepção. A aprovação envia a mensagem de que a Assembleia Geral acredita na verdade científica.”
Reparação histórica e o Pacto para o Futuro
O ministro das Relações Estrangeiras togolês, Robert Dussey, articulou as negociações que culminaram na aprovação do projeto. A mudança atende diretamente às metas estruturais do Pacto para o Futuro, documento assinado pelos Estados-Membros em 2024. A organização trata a revisão dos mapas como um avanço prático para erradicar vestígios de discriminação estrutural.
As distorções geográficas exerciam impactos cognitivos e culturais contínuos, formatando o imaginário coletivo de maneira enviesada. A padronização da nova projeção promete fornecer um instrumento oficial que promove o desenvolvimento mútuo e a equidade representativa. Os países participantes agora iniciam o planejamento para integrar as correções em seus próprios currículos educacionais.
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Com informações de Agência Brasil
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