(Foto: Ari Dias)
Ouro no campo: Paraná fatura alto com suínos puros e milho ganha espaço inédito na safra de verão
Boletim do Deral revela que o Estado responde por 62% da receita nacional com suínos de alta genética; no campo, clima favorece a safra de grãos e avicultura registra margem de lucro positiva.
O agronegócio paranaense segue demonstrando sua força tanto na tecnologia genética quanto no volume de produção de grãos. O mais recente Boletim Conjuntural divulgado nesta quinta-feira (26) pelo Departamento de Economia Rural (Deral), órgão vinculado à Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), trouxe um panorama otimista para o campo e alertas importantes para o consumidor nos supermercados.
O grande destaque do relatório é a consolidação do Paraná como o maior exportador de suínos reprodutores de raça pura do Brasil. O Estado tornou-se referência internacional em genética e sanidade animal.
Pecuária: Genética de ponta e lucros na avicultura
Os números de fechamento do último ano e do início de 2026 mostram um cenário altamente competitivo para as proteínas animais produzidas no Paraná:
- Suinocultura de Ponta: Em 2025, o Paraná foi responsável por impressionantes 62,1% da receita nacional com a exportação de suínos de alto valor genético, movimentando US$ 1,087 milhão. O principal comprador dessa genética de ponta foi o vizinho Paraguai, seguido por Argentina, Uruguai e Bolívia. “Essa escolha mostra, mais uma vez, que o Estado tem genética de ponta e sanidade do rebanho”, atesta a médica veterinária Priscila Marcenovicz, analista do Deral.
- Avicultura no Azul: O produtor de frango paranaense tem motivos para comemorar. O custo de produção do frango vivo caiu 2,9% no último ano (fechando a R$ 4,65/kg), puxado pela ração mais barata. Com o preço médio de venda a R$ 4,92/kg, o produtor garantiu uma rentabilidade de 4,2% acima do custo, fortalecendo o setor que lidera as exportações de carne no Brasil.
- Carne Bovina e a China: As exportações brasileiras saltaram 25% (258,94 mil toneladas). O alerta do setor, no entanto, fica por conta da cota de importação da China (1,1 milhão de toneladas), da qual 10% já foi consumida apenas em janeiro, o que pode causar oscilações de preço no futuro. No mercado interno, o filé mignon já acumula alta de 17% em doze meses.
Ritmo acelerado nas lavouras de Soja e Milho
Seja para exportação ou para garantir a ração da pecuária, a safra de grãos segue a pleno vapor, com um fato atípico chamando a atenção nesta temporada: o ganho de espaço do milho sobre a soja na primeira safra de verão.
A colheita da soja já atingiu 37% dos 5,77 milhões de hectares plantados no Estado. O ritmo é considerado normal e mantém a projeção robusta de 22,12 milhões de toneladas para o ciclo 2025/26. Essa pontualidade é crucial para garantir a janela ideal de plantio do milho segunda safra (safrinha).
Já o milho tem previsão de injetar 21,1 milhões de toneladas no mercado (somando as duas safras). O analista do Deral, Edmar Gervasio, aponta um cenário raro:
“Tivemos uma alta de mais de 20% na área da primeira safra de milho. Há muito tempo não se via isso, pois a soja sempre é a principal cultura no verão. A produtividade tem sido muito boa e devemos colher em torno de 3,6 milhões de toneladas apenas na primeira safra”.
O impacto na feira e no supermercado
Nem tudo é volume de exportação. O boletim do Deral também jogou luz sobre produtos que pesam diretamente na cesta básica do paranaense: o feijão e o tomate.
| Produto | Cenário no Campo | Impacto para o Consumidor |
| Feijão | Forte redução na área plantada da 2ª safra por cautela dos produtores. | Preços sobem de forma gradual. O varejo ainda tem estoques que seguram o repasse agressivo. O feijão preto segue como a opção mais barata. |
| Tomate | 1ª safra com 78% da área colhida e bons rendimentos no Estado. | Após disparar 44% em janeiro, o preço no atacado (Ceasa) já caiu 40% em fevereiro. A tendência é de estabilização nas gôndolas a partir de abril. |
Para Carlos Hugo Godinho, engenheiro agrônomo do Deral, a regra para o consumidor neste momento de transição de safras é bater perna. “A recomendação é pesquisar, pois as variações entre os supermercados podem ser grandes, e o feijão preto apresenta valores bem mais acessíveis que no mesmo período do ano passado”.

Com informações de Agência de Notícias da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Paraná
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