(Foto: Divulgação UEM)
Sustentabilidade e saúde: pesquisadores de Maringá revolucionam o uso da beterraba
Estudo da Universidade Estadual de Maringá (UEM) inova ao trocar aditivos químicos por pó natural, reduzindo desperdício e entregando benefícios reais para a saúde dos consumidores.
Imagine poder oferecer às crianças—ou saborear você mesmo—uma bala de gelatina que, em vez de aditivos químicos e corantes artificiais, entrega antioxidantes capazes de combater o envelhecimento celular. Essa é a realidade prática de uma nova descoberta feita no interior do Paraná.
Transformando o que seria lixo em nutrição de alto valor, pesquisadores desenvolveram um método simples e barato para extrair um corante 100% natural das cascas de beterraba. O impacto vai muito além da estética: o ingrediente torna os doces funcionalmente nutritivos, sem deixar qualquer gosto residual do legume.
O fim dos corantes artificiais e o impacto na sua saúde
Historicamente, a indústria alimentícia brasileira e global dependeu de corantes sintéticos (como o Vermelho 40) para dar vida a guloseimas, sucos e sobremesas. No entanto, estudos recentes e agências de saúde vêm alertando para os riscos desses aditivos, frequentemente associados a quadros de alergias e hiperatividade infantil. É neste cenário de transição alimentar que a ciência paranaense ganha destaque.
Ao substituir pigmentos artificiais pela farinha de casca de beterraba, o consumidor deixa de ingerir toxinas e passa a consumir compostos fenólicos e minerais. Essa troca simples ajuda a combater radicais livres no organismo e possui potentes propriedades anti-inflamatórias.
Como a inovação fortalece a economia do Paraná
O estado do Paraná é um dos maiores polos do agronegócio e da produção de alimentos no Brasil. A pesquisa, desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Ciência de Alimentos do Centro de Ciências Agrárias da Universidade Estadual de Maringá, dialoga diretamente com a economia circular.
Diariamente, milhares de quilos de alimentos são processados em restaurantes industriais. Apenas no Restaurante Universitário (RU) da instituição, são servidas cerca de três mil refeições ao dia. Transformar resíduos orgânicos em matéria-prima valiosa reduz o custo de descarte, barateia a produção de alimentos enriquecidos e abre portas para que indústrias locais criem linhas de produtos saudáveis com baixo custo operacional.

De lixo a nutrição: o passo a passo da descoberta
O caminho da casca de beterraba até virar bala de gelatina foi desenhado pela mestranda Larissa Lira Delariça Navarro, sob orientação do professor Oscar de Oliveira Santos Jr. O grande trunfo do estudo é a acessibilidade do método.
Veja como funciona o processo de transformação:
- Coleta e Higienização: As cascas descartadas no restaurante universitário são separadas e lavadas.
- Secagem Controlada: O material vai para uma estufa a 50º C por cerca de 20 horas. Essa temperatura específica remove a umidade sem destruir os compostos bioativos.
- Trituração: As cascas secas são moídas até virarem um pó fino, altamente concentrado em nutrientes.
“Esse processo foi otimizado pensando na aplicabilidade prática. A técnica pode ser reproduzida tanto em ambiente industrial quanto em escala doméstica, utilizando equipamentos simples como fornos convencionais”, detalha a pesquisadora Larissa Navarro.
Sabor aprovado e futuro das guloseimas naturais
Para quem torce o nariz para a beterraba, a pesquisa traz um alívio: os testes sensoriais comprovaram que a farinha não altera o gosto do produto final. A receita da nova bala leva apenas suco natural de maçã (que traz o dulçor), gelatina, ácido cítrico (para equilibrar a acidez) e o pó de beterraba. O resultado é visualmente idêntico aos doces de supermercado, mas com perfil nutricional vastamente superior.
“Hoje já encontramos opções enriquecidas com linhaça ou ômega-3. A ideia é avançar para alimentos com antioxidantes naturais, atendendo a um consumidor cada vez mais atento à qualidade do que consome“, afirma o professor Oscar de Oliveira Santos Jr., lembrando que o consumo de antioxidantes é essencial para a manutenção da saúde diária.
A expectativa da equipe é que essas formulações naturais substituam em breve os produtos artificiais, trazendo uma nova era para o mercado de doces no Brasil.
O que vem por aí: cenoura, cebola e sustentabilidade
A beterraba foi apenas o primeiro passo. Com seis meses de desenvolvimento, a equipe de cientistas já iniciou testes com cascas de cenoura e cebola. O objetivo é mapear quais outros superalimentos estão sendo desperdiçados e como eles podem enriquecer pães, bolos, massas e pratos salgados do dia a dia.
Antes de chegar às prateleiras dos supermercados, no entanto, as balas de gelatina saudáveis devem ser incorporadas ao próprio cardápio do Restaurante Universitário da UEM, fechando o ciclo sustentável onde tudo começou.
O que você precisa saber em resumo
Impacto econômico: A técnica reduz o desperdício orgânico e pode ser replicada desde cozinhas domésticas até grandes indústrias, agregando alto valor a um material que antes ia para o lixo.
Inovação local: Cientistas da UEM, no Paraná, criaram um método barato para transformar cascas de beterraba em um pó que substitui corantes artificiais em balas de gelatina.
Saúde em primeiro lugar: A farinha de beterraba é rica em antioxidantes e minerais, combatendo o envelhecimento celular sem deixar gosto de legume no doce.

Com informações de Agência de Notícias da Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Paraná
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