(Foto: Divulgação PMC)
Grama líquida: Nova técnica evita alagamentos e protege rios em Curitiba
Projeto-piloto no bairro Fazendinha aplica mistura de sementes sob alta pressão para criar raízes profundas e prolongar limpeza das margens
Moradores de áreas próximas a rios urbanos lidam frequentemente com o risco de enchentes durante temporais fortes. Para reduzir o volume de terra que desliza para a calha e compromete o escoamento da água, a Prefeitura de Curitiba iniciou a aplicação de uma tecnologia de contenção natural.
A Secretaria Municipal de Obras Públicas (Smop) utiliza um jato de sementes e fertilizantes que cria uma estrutura de raízes profundas diretamente nas encostas. Essa barreira viva segura o solo, impedindo o assoreamento acelerado e garantindo a fluidez da água da chuva.
O que é a hidrossemeadura e como ela fortalece o solo
A engenharia por trás do projeto aplica a hidrossemeadura, um método que funciona como o plantio de uma “grama líquida”. Os técnicos disparam uma mistura de água, sementes, fertilizantes, adesivos e matéria orgânica sob alta pressão nos barrancos. Essa composição química e orgânica garante a fixação imediata dos nutrientes na terra. O processo acelera a germinação e dispensa a instalação de placas de grama convencionais, moldando-se aos declives mais irregulares dos cursos d’água.
As espécies vegetais escolhidas apresentam uma mecânica de crescimento bem específica. O foco recai sobre gramíneas que desenvolvem sistemas radiculares profundos, penetrando entre 2 e 5 metros abaixo da superfície. Essa ancoragem natural suporta a força mecânica da correnteza e retém a estrutura do barranco. Em um prazo de 90 dias, o talude adquire uma cobertura verde densa que blinda o solo contra o impacto erosivo direto da chuva.
Teste prático no Rio Vila Formosa e reflexos na drenagem
O primeiro trecho urbano a receber a intervenção fica no Rio Vila Formosa, localizado no bairro Fazendinha. A aplicação abrange uma faixa de aproximadamente 200 metros nas proximidades da Rua Adorides de Jesus Cruz Camargo, bem perto da foz com o Rio Barigui. Profissionais do Departamento de Pontes e Drenagem monitoram a velocidade de germinação das primeiras mudas, que devem despontar nos próximos 15 dias após o plantio.
A fixação dessa barreira vegetal integra a estratégia operacional para aumentar o intervalo das manutenções de dragagem. Apenas a partir de janeiro de 2025, os equipamentos pesados do município limparam mais de 106 quilômetros de canais hídricos. Quando a vegetação impede a queda de sedimentos no leito, a gestão pública economiza recursos e mantém a capacidade total de vazão do canal, diminuindo os pontos de transbordamento.
Ampliação do modelo e avaliação de custo-benefício
O monitoramento contínuo definirá se a gestão municipal aplicará a hidrossemeadura em outras bacias hidrográficas de Curitiba. O balanço técnico cruzará a durabilidade da barreira verde com a redução efetiva dos custos de limpeza mecânica. Caso comprove eficiência financeira e estrutural, a grama líquida entrará no cronograma fixo de manutenção dos rios da capital.
A iniciativa une as exigências da engenharia civil urbana com processos baseados na natureza. O secretário municipal de Obras Públicas, Luiz Fernando Jamur, detalha os critérios de avaliação deste teste:
“Vamos avaliar se a vegetação pode ser usada como parte da solução, uma vez que as raízes devem ajudar a segurar as margens. A cobertura vegetal protege o solo e menos sedimentos chegam ao rio. Se os resultados forem positivos, a técnica poderá se tornar mais uma ferramenta utilizada pelo Município para cuidar dos rios e aumentar a eficiência dos serviços de drenagem e prevenção de alagamentos.”
O diretor do Departamento de Pontes e Drenagem, Paulo Vitor Lucca, explica que a adaptação da técnica é o grande diferencial.
“É amplamente usada, mas geralmente aplicada em encostas, pouco usada em curso d’água como estamos testando. Além de proteger o curso d’água, a medida busca reduzir o carreamento de solo e de sedimentos para o interior do rio. Com menos material sendo depositado no leito, os serviços de limpeza e desassoreamento tendem a apresentar maior durabilidade.”
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Com informações de Agência de Notícias da Prefeitura de Curitiba
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