(Foto: Gilson Abreu)
Produtores do Paraná faturam alto com queijos premiados no “Oscar” da gastronomia
Suporte técnico estadual tira pequenas queijarias da informalidade e eleva o lucro de famílias rurais
Produtores rurais do Paraná acumularam 667 medalhas em campeonatos de laticínios nacionais e internacionais nos últimos seis anos, consolidando o estado como um polo exportador de queijos finos.
O volume de premiações inclui resultados expressivos no World Cheese Awards, na Europa, e no Mundial do Queijo do Brasil, disputado em abril de 2026. As vitórias são fruto direto da regularização sanitária e da profissionalização de pequenos rebanhos locais.
O sucesso nos pódios gera um impacto imediato na renda das famílias no campo e no preço final ao consumidor. A transição da produção artesanal informal para a venda com certificação estadual permitiu que a margem de lucro disparasse nas propriedades familiares. Atualmente, entre 49% e 59% das queijarias acompanhadas por técnicos estaduais faturam mais de R$ 10 mil ao mês.
O território paranaense, reconhecido historicamente como o segundo maior produtor de leite do Brasil, agora converte seu volume massivo de commodity em produtos gourmet de alto valor agregado. O motor dessa mudança estrutural é a atuação conjunta do IDR-Paraná e da Adapar, órgãos do governo que orientam os sitiantes desde o plantio de pastagens até a arquitetura das agroindústrias.
“Por trás de cada produto reconhecido estão famílias que encontraram na produção de queijos uma fonte de renda, propriedades que transformaram o leite em produtos de maior valor agregado, queijarias que avançaram na estruturação e regularização. O resultado aparece no pódio, mas é construído todos os dias, entre o manejo do rebanho, a produção do leite e o trabalho dentro da agroindústria.” — Karolline da Silva, assessora estadual de Agroindústria do IDR-Paraná.
Oeste domina as premiações na Europa
A cidade de Toledo, tradicional potência de grãos e proteína animal, desponta como o principal celeiro das receitas que conquistam os jurados europeus. Com o suporte do polo tecnológico Biopark, os pecuaristas do município desenvolveram fórmulas exclusivas, como o queijo Passionata.
A massa dura do laticínio passa por uma lavagem com infusão de maracujá e recebe decoração de flores comestíveis, receita que cravou o nono lugar geral entre os melhores do planeta no torneio de Portugal, em 2024.
O desempenho se manteve em alta na Suíça, na edição de 2025, quando três queijos toledanos subiram ao pódio da competição mundial. Os especialistas premiaram peças que utilizam processos avançados de maturação, envolvendo desde enzimas cítricas até infusões de cogumelos frescos, canela e baunilha.
Regularização puxa o faturamento na RMC
Longe das áreas de grande escala agropecuária, a Região Metropolitana de Curitiba também colhe os lucros da formalização. Em Araucária, município muito mais associado à indústria pesada e ao refino de petróleo do que ao agronegócio, o choque de gestão mudou a realidade financeira de pequenas chacareiras.
A produtora Janete do Rocio Fila atuava na informalidade até 2022. Após alinhar sua queijaria às normas do Susaf-PR, o quilo de seu produto saltou de R$ 40 para R$ 55.
A regularização sanitária garante acesso às prateleiras de supermercados e empórios sofisticados, destravando o teto de vendas das propriedades rurais. O movimento de profissionalização segue um ritmo acelerado nos últimos dois anos e meio em todo o mapa estadual.
- O número de agroindústrias paranaenses com selo do Susaf-PR para produtos de origem animal saltou de 55 (fim de 2023) para 173 (maio de 2026).
- Os municípios integrados ao sistema estadual de inspeção subiram de 95 para 207 no mesmo período.
- Trinta novas queijarias foram abertas oficialmente no estado apenas nos últimos três anos, abrigando mais de 85 famílias que hoje vivem exclusivamente dessa cadeia.
Rota gastronômica no Norte Pioneiro
No Norte Pioneiro, região de clássica tradição cafeeira, a Queijaria Vovó Zaine, localizada em Tomazina, ilustra a rota de saída da subsistência primária para a alta rentabilidade. O negócio familiar abraçou o suporte técnico e ajustou todos os gargalos, da higiene da ordenha até o armazenamento refrigerado exigido para a comercialização formal.
A mudança técnica rendeu medalhas de prata e bronze no Prêmio Queijos do Paraná. O fluxo de visitantes em busca dos queijos de massa semicozida e sabor suave acabou criando uma nova demanda, integrando a propriedade às incipientes rotas de turismo gastronômico e rural do interior do estado.
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Com informações de Agência de Notícias da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Paraná
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