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Mulheres lideram reciclagem de 800 toneladas mensais em Londrina

Mulheres lideram reciclagem de 800 toneladas mensais em Londrina

(Foto: Rhayssa Fernandes)

Mulheres lideram reciclagem de 800 toneladas mensais em Londrina


O impacto invisível do lixo doméstico nas esteiras de triagem

Abrir a lixeira da cozinha e descartar materiais usados parece um gesto simples e automático na rotina de qualquer morador. Contudo, o destino dado a esses pacotes define diretamente a segurança no trabalho e a subsistência de centenas de famílias nas associações de reciclagem locais.

Os resíduos gerados nos mais de 250 mil imóveis de Londrina alimentam mensalmente um fluxo contínuo de 800 toneladas de matéria-prima seca. Esse volume expressivo exige triagem manual exaustiva para separar o que possui valor comercial do que representa apenas rejeito urbano.

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Atualmente, o aproveitamento útil desse montante chega a 70%, retornando para a cadeia industrial como base na fabricação de novos produtos de papel, plástico, vidro e metais. No entanto, o sucesso dessa operação produtiva depende exclusivamente do cuidado aplicado durante a separação feita dentro de residências, condomínios e empresas. A mistura inadequada de restos orgânicos e rejeitos sanitários compromete cargas inteiras, inviabiliza a venda e eleva os custos operacionais das cooperativas.

A força feminina na gestão dos barracões

A operação diária nas esteiras de separação revela uma marcante presença feminina na linha de frente do processamento de resíduos sólidos. Na Cooper Região, que concentra a maior fatia da coleta municipal distribuída em quatro barracões, as mulheres representam a maioria expressiva da força de trabalho. A função exige agilidade visual e destreza manual para identificar rapidamente as propriedades físicas de cada polímero ou metal em meio às dezenas de toneladas que chegam diariamente.

Aqui a gente tem bastante separação. Tem uns materiais que é maravilhoso a gente pôr a mão, vem tão limpinho, cheirosinho. Mas tem outros que é complicado. É importante cada um fazer sua parte pra gente trabalhar com um material mais limpinho.” — Rita de Cássia, separadora.

O protagonismo dessas trabalhadoras ultrapassa a base operacional e alcança postos estratégicos de liderança e negociação comercial. Priscila Alves acumula 16 anos de experiência no setor e hoje gerencia o departamento de vendas da Cooper Região, que mantém parcerias comerciais com 16 empresas compradoras diferentes. Ela passou por praticamente todas as funções internas, desde a operação de prensas até o setor financeiro, construindo uma trajetória baseada no aprendizado técnico contínuo.

O mesmo cenário de autonomia ocorre na Ecorecin, instalada no Parque Industrial da zona leste, onde a maioria dos postos de trabalho pertence a mulheres. Raquel Pereira de Oliveira atua como coordenadora de finalização e comanda a operação de maquinários pesados para a montagem e prensa dos fardos. Ela destaca que a vivência diária no setor transformou sua própria percepção sobre o meio ambiente e a responsabilidade coletiva com o descarte correto.

A questão de misturar alimentos atrapalha bastante. Tem lugares da coleta que vem tudo misturado. Tem fralda, resto de comida, e daí atrapalha nosso trabalho.” — Raquel Pereira de Oliveira, coordenadora.

Desafios de segurança e a contaminação dos materiais

A contaminação por detritos impróprios gera prejuízos financeiros severos e coloca em risco a integridade física dos profissionais nas esteiras de triagem. Fraldas descartáveis, papel higiênico usado, sacolas com dejetos animais e esponjas de aço aparecem com frequência no meio do material seco. Além disso, gerentes de cooperativas alertam para o descarte incorreto de materiais perfurocortantes, como agulhas e dispositivos médicos descartáveis.

Esses itens perigosos exigem protocolos rígidos de destinação em postos de saúde ou farmácias, independentemente do canal convencional de recolhimento urbano. No caso dos vidros, o cenário melhorou graças ao hábito dos moradores de embalarem garrafas quebradas de forma sinalizada e segura. Contudo, a presença persistente de matéria orgânica em decomposição continua sendo o principal gargalo técnico para a valorização dos fardos comercializados.

O novo modelo operacional planejado para o próximo ano

Para mitigar os gargalos logísticos e expandir o alcance da reciclagem, a gestão municipal prepara mudanças estruturais profundas no sistema de recolhimento. A Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) formatou, em conjunto com o Ministério Público e as associações parceiras, um novo modelo operacional que entrará em vigor no próximo ano. O projeto prevê a ampliação dos dias de atendimento e a inclusão de regiões urbanas que atualmente não recebem os caminhões de coleta seletiva.

Atualmente, o serviço é executado por sete entidades certificadas pelo município, garantindo o sustento direto de aproximadamente 260 trabalhadores integrados ao sistema. Além da Cooper Região e da Ecorecin, participam da operação a Coocepeve, a Coopermudança, a Copernorth, a Cooperoeste e a Cooper Refum. A expansão planejada busca otimizar a rota dessas equipes e elevar o índice geral de aproveitamento dos materiais secos.

Para colaborar com o trabalho das associações e garantir o sucesso da nova fase operacional, os moradores devem seguir rigorosamente as diretrizes municipais de separação dos resíduos gerados em casa:

  • Recicláveis secos: Metais, papéis, plásticos, vidros embalados com segurança, embalagens longa vida e isopor devem ser destinados exclusivamente aos caminhões de coleta seletiva.
  • Resíduos orgânicos: Cascas de frutas, legumes, ovos, borra de café e folhagens precisam ser direcionados para compostagem doméstica ou ao sistema de lixo comum.
  • Rejeitos sanitários: Papel higiênico, absorventes, fraldas, adesivos e esponjas de aço pertencem estritamente à categoria de lixo comum para destinação ao aterro.
  • Resíduos volumosos: Entulhos de construção, podas de árvores e madeiras devem ser levados aos Pontos de Entrega Voluntária (PEVs) dentro do limite mensal permitido.
  • Lixos perigosos: Pilhas, baterias, lâmpadas fluorescentes, tintas e materiais ambulatoriais demandam logística reversa específica em farmácias, postos de saúde ou estabelecimentos autorizados.

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Mulheres lideram reciclagem de 800 toneladas mensais em Londrina
(Foto: Rhayssa Fernandes)

Com informações de Agência de Notícias da Prefeitura de Londrina


Alfredo R. Martins Jr. é jornalista e a voz principal do Jornal O Paranaense. Formado em Comunicação Social com especializações em Marketing e Gestão de Comunicação, possui mais de 17 anos de experiência na análise do cenário paranaense. Sua missão é traduzir a complexidade da política, economia e cultura do estado em informação clara, acessível e relevante para o leitor.
Alfredo R. Martins Jr.
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