(Foto: Divulgação CENIPA)
Relatório da Oxfam alerta para uso de agrotóxicos no Brasil
Relatório da Oxfam revela que produtos altamente perigosos representam quase metade das vendas no mercado nacional.
O Brasil importou cerca de 15 mil toneladas de agrotóxicos proibidos pela União Europeia (UE) ao longo de 2024, consolidando-se como o segundo maior comprador mundial dessas substâncias, atrás apenas dos Estados Unidos.
Os dados integram o relatório divulgado pela organização Oxfam no Dia Mundial da Alimentação, que mapeou a fabricação e exportação de compostos considerados demasiadamente tóxicos para o território europeu.
A aplicação massiva desses defensivos agrícolas afeta diretamente trabalhadores rurais, comunidades ribeirinhas e o lençol freático em áreas de grande produção agrícola.
No Paraná, regiões com forte vocação para as monoculturas de soja e milho, como Cascavel, Londrina e Ponta Grossa, absorvem parte significativa desses insumos. A exposição aos produtos químicos ocorre desde o preparo da terra até a pulverização aérea das safras.
Lógica comercial e transferência de riscos
Os países que formam a União Europeia exportaram quase 122 mil toneladas de pesticidas com uso vetado no próprio bloco em 2024. O volume representa mais que o dobro do registrado em 2018. A Oxfam identificou que 93 nações adquirem essas substâncias, sendo 75% localizadas no chamado Sul Global, que engloba países de baixa e média renda onde as barreiras de regulação costumam ser menos rígidas.
“Não é aceitável que a União Europeia proíba determinados agrotóxicos para proteger sua própria população e, ao mesmo tempo, permita que essas mesmas substâncias sejam produzidas e exportadas para outros países.” — Viviana Santiago, diretora da Oxfam Brasil.
Os Agrotóxicos Altamente Perigosos (AAPs) representam 49% de todos os pesticidas comercializados em solo brasileiro. Para efeito de comparação, na Alemanha esse índice não passa de 12%. O levantamento mostra que seis dos dez defensivos mais vendidos no Brasil têm aplicação ilegal na Europa, mas seguem utilizados livremente em lavouras e matas nativas brasileiras por tratores e drones.
Monocultura, exportação e lucros corporativos
A alta dependência dos AAPs acompanha o modelo de cultivo focado na exportação de commodities como soja, café e cana-de-açúcar. O mercado financeiro global sustenta esse ecossistema agrícola, que concentra os dividendos em um pequeno grupo de indústrias químicas.
Os indicadores financeiros apresentados no relatório detalham a configuração atual do mercado de defensivos:
- Quatro multinacionais dominam 61% de todas as vendas mundiais de pesticidas.
- Apenas a comercialização de produtos altamente perigosos gerou 2,7 bilhões de euros (R$ 15,37 bilhões) em receitas recentes.
- Os custos com saúde pública e passivos ambientais permanecem nos países importadores.
Aprovação de novos registros bate recorde
O ritmo de liberação de novos compostos químicos no Brasil mostra uma curva de aceleração rápida. O Ministério da Agricultura aprovou 725 novos pesticidas para uso comercial até agora em 2025. O número já supera o recorde anterior de 663 autorizações emitidas ao longo de todo o ano de 2024, indicando um crescimento de quase 10% no portfólio de produtos disponíveis aos produtores rurais.
O Ministério da Agricultura, contatado por agências de notícias nacionais para comentar os números levantados pela Oxfam e a política de liberação de produtos banidos internacionalmente, ainda não apresentou um posicionamento oficial sobre as diretrizes do governo para o setor.
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Com informações de Agência Brasil
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