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Surto de hantavírus em navio de cruzeiro força retirada médica de passageiros na costa da África

Surto de hantavírus em navio de cruzeiro força retirada médica de passageiros na costa da África

Embarcação que partiu da Argentina registrou três mortes e está a caminho da Espanha. A OMS acompanha o caso e autoridades de saúde no Brasil mantêm estado de vigilância.

Um surto letal de hantavírus a bordo de um navio de cruzeiro de luxo forçou a retirada de emergência de passageiros na costa de Cabo Verde, no Oceano Atlântico. A embarcação MV Hondius, operada pela Oceanwide Expeditions, viajava da Argentina com destino ao continente africano e permaneceu retida por dias após a confirmação da doença, que já deixou três mortos até o momento.

Nesta quarta-feira (6), a Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmou que três pessoas, sendo duas em estado grave, foram retiradas do navio para receberem atendimento especializado na Europa.

Rota do navio e evacuação para a Europa

Com quase 150 pessoas a bordo, o cruzeiro agora segue viagem em direção às Ilhas Canárias, na Espanha. A operação de resgate dos passageiros doentes envolveu um esforço diplomático e sanitário internacional.

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O Ministério das Relações Exteriores da Holanda detalhou que os três passageiros retirados da embarcação possuem nacionalidades holandesa, alemã e britânica. Todos estão sendo transferidos sob forte esquema de segurança sanitária para hospitais especializados no continente europeu.

Em uma mensagem publicada na rede social X, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, confirmou a operação de resgate:

Três pacientes com suspeita de hantavírus acabaram de ser retirados do navio e estão a caminho de receber cuidados médicos na Holanda.”

Além dos passageiros evacuados na quarta-feira, o governo da Suíça informou que um homem que já havia retornado ao país após viajar no MV Hondius foi diagnosticado com o vírus e está internado na cidade de Zurique.

A perigosa cepa andina e o risco global

O que mais chamou a atenção das autoridades internacionais neste surto foi a variante do vírus envolvida. Especialistas da África do Sul confirmaram que as vítimas a bordo foram infectadas pela “cepa andina” do hantavírus.

Essa variante é uma das poucas que possui a capacidade — ainda que em casos raros — de ser transmitida de um ser humano para outro. Apesar dessa característica preocupante e das três mortes já registradas, a OMS e o governo suíço emitiram comunicados tranquilizando a população em geral, afirmando que o risco de uma disseminação global em larga escala permanece baixo.

O que é o hantavírus e quais são os sintomas?

A hantavirose é uma doença viral aguda (zoonose) transmitida aos humanos principalmente pelo contato com roedores silvestres infectados. O contágio não exige a mordida do animal; ele ocorre, na maioria das vezes, pela inalação de partículas de poeira contaminadas com a urina, as fezes e a saliva desses pequenos roedores.

Embora o contágio humano a humano seja raríssimo (restrito a variantes específicas, como a andina), a infecção inicial pelos animais é perigosa. A doença evolui em duas fases principais:

  • Fase inicial: O paciente apresenta febre alta, dores fortes nas articulações, dor de cabeça e problemas gastrointestinais.
  • Fase severa: O quadro pode evoluir para a Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus. O paciente sofre com tosse seca, queda de pressão e grave dificuldade para respirar, podendo chegar à insuficiência respiratória aguda.

Não existe um remédio ou vacina específica para o hantavírus. O tratamento é feito com suporte médico intensivo em hospitais, focado em manter a oxigenação e a pressão arterial do paciente.

Reflexos no Brasil: Paraná mantém vigilância rigorosa

Como o cruzeiro atingido pelo surto partiu da vizinha Argentina, as autoridades de saúde no Brasil redobraram a atenção. A Secretaria de Estado da Saúde do Paraná (Sesa) informou que está monitorando continuamente o cenário, mas reforça que a situação interna está totalmente controlada.

O secretário de Estado da Saúde do Paraná, César Neves, garantiu que a rede pública está em alerta preventivo:

A hantavirose é uma doença monitorada rigorosamente pela Divisão de Vigilância de Zoonoses e Intoxicações da Sesa. Estamos acompanhando de perto e garantimos que os profissionais de saúde estão capacitados para identificar e tratar com rapidez qualquer suspeita da doença.”

No Paraná, a incidência da doença é historicamente baixa. Em 2025, o estado registrou apenas um caso, no município de Cruz Machado. Em 2026, até o momento, foram confirmados dois casos isolados (em Pérola d’Oeste e Ponta Grossa), com 21 suspeitas descartadas.

Para evitar o contágio local, a Sesa recomenda que a população evite o contato com roedores silvestres. As principais medidas de prevenção incluem manter terrenos limpos e roçados, guardar alimentos em potes bem fechados e utilizar máscaras e umidade (água e sabão, evitando varrer a seco) ao limpar galpões, paióis e locais fechados há muito tempo, para não levantar a poeira possivelmente contaminada.

Com informações de Agência Brasil


Alfredo R. Martins Jr. é jornalista e a voz principal do Jornal O Paranaense. Formado em Comunicação Social com especializações em Marketing e Gestão de Comunicação, possui mais de 17 anos de experiência na análise do cenário paranaense. Sua missão é traduzir a complexidade da política, economia e cultura do estado em informação clara, acessível e relevante para o leitor.
Alfredo R. Martins Jr.
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