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Trabalhadores vão às ruas no 1º de Maio pelo fim da escala 6×1 e contra o feminicídio

Trabalhadores vão às ruas no 1º de Maio pelo fim da escala 6x1 e contra o feminicídio

Com atos em Curitiba, São Paulo e Brasília, manifestantes cobraram do Congresso Nacional a redução da jornada de trabalho e o fortalecimento dos direitos via CLT.

O feriado do Dia Internacional do Trabalhador, celebrado nesta sexta-feira (1º de maio), foi marcado por mobilizações sociais em diversas cidades do Brasil. Trabalhadores, estudantes, aposentados e ativistas foram às ruas para cobrar melhores condições de emprego e de vida.

Neste ano, duas pautas dominaram os cartazes e os discursos de quem participou dos protestos: a exigência pelo fim da escala de trabalho 6×1 (seis dias de trabalho para um de descanso) e a cobrança por medidas mais duras contra o avanço do feminicídio no país.

A luta por mais tempo livre e o fim da escala 6×1

A principal bandeira das centrais sindicais e do Movimento Vida Além do Trabalho (VAT) é a aprovação de uma lei que acabe com a escala 6×1 sem que haja redução nos salários. Atualmente, o governo federal já enviou ao Congresso Nacional, em regime de urgência, um projeto de lei que tenta instituir uma carga horária máxima de 40 horas semanais.

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Os manifestantes argumentam que ter apenas um dia de folga na semana prejudica a saúde mental, o convívio familiar e o aperfeiçoamento profissional. A estagiária de psicopedagogia Ana Beatriz Oliveira, de 21 anos, relatou os danos que sofreu ao trabalhar em centros logísticos com jornadas exaustivas e defendeu a mudança:

Sou extremamente contra a escala 6×1. Essa tem que acabar para ontem. Vejo que a redução da jornada de trabalho de 44 horas semanais para 40 é muito possível. Se fizer tudo direito, com o planejamento das escalas, a gente vai trabalhar mais descansado, com mais qualidade e produzir mais.”

Para o presidente da Central Única dos Trabalhadores no Distrito Federal (CUT-DF), Rodrigo Rodrigues, a redução da jornada é uma medida inteligente que não prejudica a economia.

O descanso é uma necessidade humana e apenas um dia de descanso coloca os trabalhadores em uma situação de desprezo e de desgaste muito grandes. Portanto, reduzir a jornada é uma questão de justiça social.”

Protesto em Curitiba muda rotina no Centro

Na capital paranaense, a mobilização reuniu os manifestantes na Praça 19 de Dezembro. O grupo caminhou de forma pacífica pelas ruas do Centro, criando o seguinte trajeto:

  • Início na Praça 19 de Dezembro.
  • Caminhada pelo contorno do Shopping Mueller.
  • Subida pela Rua Inácio Lustosa.
  • Passagem pela Rua Trajano Reis.
  • Encerramento e discursos no Largo da Ordem.

Durante a passagem do protesto, o Shopping Mueller optou por fechar as suas portas temporariamente por receio de que o grupo entrasse no estabelecimento, mas a manifestação seguiu seu percurso normal pela rua.

Precarização do trabalho e o retorno à CLT

Outro foco de fortes críticas durante os atos, especialmente na Praça Roosevelt, em São Paulo, foi o avanço da “pejotização” — quando funcionários são contratados como Pessoa Jurídica (PJ) ou Microempreendedor Individual (MEI) para exercerem funções de empregados comuns.

O professor da rede pública Marco Antônio Ferreira destacou a dificuldade de convencer as novas gerações sobre a importância das regras da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), que garantem direitos fundamentais como férias remuneradas, 13º salário e licenças médicas.

O descontentamento com o modelo autônomo precário é refletido em números. Uma pesquisa recente chamada O Trabalho no Brasil revelou que a maioria dos trabalhadores sente falta da segurança formal:

  • 56% dos trabalhadores do setor privado sem carteira assinada já tiveram experiência com a CLT.
  • 59,1% deles afirmam que voltariam, sem dúvidas, a ter registro em carteira.
  • 57,1% das pessoas que estão fora do mercado (como estudantes e mulheres em atividades de cuidado não remunerado) preferem voltar ao trabalho com os direitos da CLT garantidos.

Mulheres no centro do debate: dupla jornada e feminicídio

Além das pautas econômicas, o direito à vida e ao respeito pautou o 1º de Maio. Diante da onda crescente de violência de gênero, as manifestantes cobraram do poder público ações mais eficientes para barrar o feminicídio.

A pedagoga Silvana Santana reconheceu o valor das medidas protetivas atuais, mas avaliou que elas têm alcance limitado e chegam com atraso, especialmente para a população negra.

O que pensar da violência patrimonial, intelectual, das subjetividades, da negação desses corpos-mulheres? Fico pensando que é necessário um projeto mais ousado, no sentido de emancipação dos afrodescendentes do país“, cobrou a pedagoga.

A jornada exaustiva imposta às mulheres também foi alvo de reflexão. O sindicalista Geraldo Estevão Coan chamou a atenção para a necessidade de os homens dividirem as tarefas domésticas.

O fim da escala 6×1 tem que beneficiar muito mais as mulheres. Nós, os maridos, também temos que nos conscientizar de que não é só a mulher que precisa cuidar da casa.”

Tensão e confronto no ato em Brasília

Na capital federal, a manifestação ocorreu no Eixão do Lazer, na Asa Sul. Apesar de a maior parte do evento ter sido pacífica e marcada por discursos e atrações culturais, houve um princípio de confusão.

Um confronto foi registrado entre os manifestantes sindicais e um grupo de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro. O tumulto começou quando os simpatizantes bolsonaristas levaram um boneco do ex-presidente em tamanho real vestido com a bandeira do Brasil, o que foi encarado como uma provocação por quem estava no ato.

Houve troca de insultos e agressões físicas, mas a Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) interveio rapidamente. Em nota, a corporação informou que restabeleceu a ordem pública sem o registro de feridos graves ou ocorrências maiores.

Com informações de Agência Brasil


Alfredo R. Martins Jr. é jornalista e a voz principal do Jornal O Paranaense. Formado em Comunicação Social com especializações em Marketing e Gestão de Comunicação, possui mais de 17 anos de experiência na análise do cenário paranaense. Sua missão é traduzir a complexidade da política, economia e cultura do estado em informação clara, acessível e relevante para o leitor.
Alfredo R. Martins Jr.
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