(Foto: Celso Silva)
Ultimato do PSD: Kassab anuncia pré-candidato à Presidência nas “próximas semanas” e acirra disputa entre Ratinho Jr. e Eduardo Leite
Presidente nacional da sigla confirmou nesta quarta (14) que definição ocorrerá em breve; Governador do Paraná aposta em vitrine de gestão e pacote habitacional para superar gaúcho na corrida interna pela cabeça de chapa.
O tempo da indecisão acabou. Em entrevista concedida nesta quarta-feira (14) em Ribeirão Preto (SP), o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, colocou um ponto final nas especulações sobre o calendário do partido para 2026. Segundo o cacique, o nome da sigla para a disputa do Palácio do Planalto será anunciado “nas próximas semanas”.
A declaração cai como uma bomba no tabuleiro político do Sul do país. Ela transforma o que era uma “guerra fria” de bastidores em um confronto aberto e imediato entre os dois principais ativos do partido: o governador do Paraná, Carlos Massa Ratinho Junior, e o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite.
Até ontem, a estratégia de Ratinho Jr. era jogar parado, condicionando sua candidatura a uma “decisão partidária” enquanto focava em entregas estaduais. Com o cronômetro ligado por Kassab, o governador paranaense terá cerca de 15 a 20 dias para provar à cúpula nacional que seu projeto é mais viável eleitoralmente que o do colega gaúcho.
O ultimato de Kassab
Kassab, conhecido por sua habilidade de ler o tempo da política, deixou claro que o PSD não será coadjuvante. Segundo o dirigente, a sigla, que hoje comanda o maior número de prefeituras do Brasil, já amadureceu o debate interno.
“Nós temos dois pré-candidatos, ou é o Ratinho Junior, ou é o Eduardo Leite. E ambos, tenho entendimento que, no momento certo, aquele que estiver em melhores condições será nosso candidato. Hoje, o Ratinho Junior está em melhores condições. A decisão, sendo hoje, seria ele. Mas isso a gente decide nas próximas semanas”, afirmou Kassab ao portal G1.
A fala é interpretada nos bastidores como um sinal verde para Ratinho Junior, que vinha condicionando sua entrada na disputa justamente à unidade partidária.
O fator Eduardo Leite
Embora Ratinho Jr. ostente índices de aprovação superiores e um estado fiscalmente equilibrado, Eduardo Leite não é carta fora do baralho. O governador gaúcho, que trocou o PSDB pelo PSD visando justamente a Presidência, trabalha nos bastidores para se apresentar como o nome da “reconstrução” e do centro democrático.
Leite tem a seu favor uma maior desenvoltura no debate nacional e trânsito livre com setores da mídia e do mercado financeiro da Faria Lima. No entanto, ele ainda carrega o desgaste político da gestão da crise climática no Rio Grande do Sul e enfrenta resistência da ala mais conservadora do partido, que vê em suas pautas progressistas um obstáculo para capturar o eleitorado de direita órfão de Jair Bolsonaro.
Eduardo Leite: “Não estou aqui para ser candidato a qualquer custo”
O caminho de Ratinho Jr. parece ter sido pavimentado pelo próprio “adversário” interno. Em entrevista à BBC News Brasil em dezembro de 2025, Eduardo Leite foi questionado sobre a possibilidade de prévias dentro do PSD caso não houvesse consenso. A resposta do gaúcho foi enfática ao descartar o conflito.
“Não visualizo qualquer ambiente que demande isso [prévias] dentro do PSD. Se o governador Ratinho tiver a disposição de ser candidato, se desejar ser o candidato, e é natural que possa ter essa aspiração, terá todo o meu apoio. Não há nenhum problema com isso”, declarou Leite.
O governador do Rio Grande do Sul reforçou que sua mudança do PSDB para o PSD não foi uma manobra de imposição de candidatura.
“Se eu quisesse ser candidato a qualquer custo, lá em 2022, na eleição passada, teria me movimentado… Mas eu não estou, realmente, buscando ser candidato a qualquer custo, de qualquer jeito. Quero fazer algo transformador na política”, completou.
Essa postura de Leite remove o último grande obstáculo para que Ratinho aceite a missão. Sem o risco de uma sangria interna ou de rachar a sigla, o paranaense ganha a legitimidade de “candidato de consenso” que tanto buscava.
A aposta paranaense: “Gestor que entrega”
Do lado de cá da divisa, o Palácio Iguaçu deve acelerar a máquina ao máximo nos próximos dias. A estratégia de Ratinho Jr. para vencer a queda de braço interna é pragmática: apresentar números.
Enquanto Leite foca no discurso político, Ratinho quer ser visto como o “tocador de obras”. Não à toa, o governador lançou um pacote habitacional bilionário e tem batido na tecla de que o Paraná investe mais em moradia popular (via programa Casa Fácil) do que o próprio Governo Federal.
A tese que Ratinho levará à mesa de Kassab é a de que ele é o único capaz de dialogar com o agronegócio e o eleitorado conservador (bolsonarista moderado) sem radicalismos, servindo como uma alternativa segura contra a polarização Lula x Direita Radical.
Pesquisas impulsionam nome de Ratinho
A preferência da cúpula do PSD por Ratinho Jr. não é aleatória; ela é embasada em números. Primeira pesquisa de 2026 realizada pela Quaest colocam o governador paranaense em posição de destaque no cenário nacional.
Cenário Lula x Ratinho Junior:
- Lula (PT): 43%;
- Ratinho Júnior (PSD): 36%;
- Indecisos: 4%;
- Branco/nulo/não vai votar: 17%.
A pesquisa estimulada não contou com o nome de Eduardo Leite.
Ratinho Jr. aparece consistentemente como o governador com os maiores índices de aprovação do país, superando Tarcísio de Freitas (SP) e Ronaldo Caiado (GO). Além disso, nas simulações de voto para a Presidência sem a presença do ex-presidente Jair Bolsonaro, Ratinho demonstra baixo índice de rejeição e alta capacidade de transferência de votos no eleitorado conservador e do agronegócio, setores onde o PSD busca consolidar sua base.
O Xadrez de Kassab
Ao antecipar o anúncio para o início do ano, Gilberto Kassab faz um movimento calculado. O PSD, que hoje detém o maior número de prefeituras do Brasil e as maiores bancadas no Congresso, quer sentar na mesa de negociação das eleições gerais como protagonista, e não como coadjuvante.
Ter um “nome posto” nas próximas semanas — seja Ratinho ou Leite — força outros players, como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o próprio presidente Lula (PT), a se movimentarem.
Se o escolhido for Ratinho Jr., o Paraná viverá um terremoto político imediato. O governador teria que renunciar em abril, antecipando a sucessão estadual e abrindo caminho para Darci Piana assumir a gestão, enquanto Alexandre Curi e Guto Silva disputariam o espólio político local.
Se a escolha recair sobre Eduardo Leite, Ratinho deve recalibrar a rota para o Senado Federal, tornando-se o grande “general eleitoral” no estado, o que paradoxalmente poderia dificultar a vida de opositores locais e de Sergio Moro, já que o governador estaria 100% focado no território paranaense.
A sorte está lançada, e a decisão sai antes do Carnaval.

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