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Avenida Paulista tem ato com centenas por justiça ao cão Orelha; caso em SC reacende debate sobre maioridade penal

Centenas de pessoas ocuparam a Avenida Paulista, em São Paulo, na manhã deste domingo (1º), para pedir justiça pelo cão Orelha e pressionar as autoridades a punir os adolescentes envolvidos na tortura do animal na Praia Brava, litoral de Santa Catarina. O vira-lata, cuidado por uma comunidade local, foi agredido em 4 de janeiro e, muito debilitado pelos ferimentos, acabou submetido à eutanásia no dia seguinte.

Como foi o protesto na Avenida Paulista

Convocado por grupos de proteção animal e apoiadores, o ato começou por volta das 10h em frente ao Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (Masp) e ainda seguia ativo às 13h. A multidão vestiu roupas pretas e camisetas com a imagem de Orelha e frases de cobrança por justiça. Adesivos com mensagens semelhantes foram distribuídos ao público, que reuniu pessoas de todas as idades, muitas acompanhadas de seus animais.

Em uníssono, manifestantes entoaram palavras de ordem como “Não são crianças, são assassinos!” e “Não vai cair no esquecimento!”. Entre as faixas, também surgiram pedidos pela redução da maioridade penal e por punições mais severas para maus-tratos a animais.

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Caso Orelha: tortura na Praia Brava e morte por eutanásia

Orelha vivia sob os cuidados de moradores e comerciantes da Praia Brava, em Santa Catarina. Segundo relatos, o cão foi vítima de tortura no dia 4 de janeiro. No dia seguinte, diante da gravidade das lesões e do sofrimento, profissionais optaram pela eutanásia. O caso gerou comoção nacional e virou símbolo da cobrança por respostas rápidas das autoridades.

De acordo com as investigações, os adolescentes são apurados por ato infracional análogo ao crime de maus-tratos a animais. Nas redes sociais, circularam publicações que tentavam minimizar o episódio como “erro”, o que elevou a indignação de manifestantes e ativistas.

Racismo, privilégio e responsabilização em debate

A psicóloga Luana Ramos defendeu a responsabilização mais dura dos envolvidos e fez um recorte racial e social sobre a repercussão do caso. “Se fossem quatro meninos pretos, teriam sido linchados. Enquanto os quatro meninos brancos, ricos, estão indo à Disney. Isso não pode mais acontecer”, disse. Para ela, classificar o episódio como “erro” é tentar relativizar a violência: “Erro dá para consertar. Isso foi assassinato, crueldade”.

O publicitário paraense Almir Lemos, que passeava com a esposa, Thayná Coelho, e se somou ao protesto ao saber do ato, disse que as imagens que circulam mostram falta de remorso. “Foi muito sádico e chocante. Hoje foi um cachorro. E amanhã?”, questionou. Thayná apontou que cor e classe social ajudam a explicar a sensação de impunidade: “É prometido um privilégio ao homem branco de classe média e alta. Eles acham que podem tudo”.

Redução da maioridade penal volta à agenda no Congresso

No ato, voltou à tona o debate sobre a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos em casos de crimes violentos. O tema está em discussão na Câmara dos Deputados e abrange crimes hediondos, homicídio doloso e lesão corporal seguida de morte. “Adolescentes de 15 anos já entendem a gravidade de seus atos e devem responder por eles”, afirmou Luana, ecoando um sentimento percebido em parte dos participantes.

Embora o caso de Orelha envolva adolescentes e o Estatuto da Criança e do Adolescente preveja medidas socioeducativas, cartazes e discursos cobraram revisão de leis e maior rigor na aplicação das punições para desestimular novos episódios de violência contra animais.

Acusações de coação e avanço das apurações

Além das agressões ao cão, surgiram denúncias de que pais de dois dos adolescentes e um tio teriam tentado coagir testemunhas para impedir depoimentos, segundo relatos que chegaram às autoridades. As investigações seguem em curso, e os jovens continuam na mira por ato infracional análogo a maus-tratos. Manifestantes pediram celeridade e transparência na condução do caso.

Outra informação que inflamou os ânimos foi a suspeita de que Orelha não teria sido a primeira vítima: os mesmos adolescentes são apontados por quase afogarem outro cachorro, que sobreviveu, de acordo com relatos citados por participantes do ato.

ONGs pedem endurecimento da lei e educação contra a crueldade

A advogada Carmen Aires compareceu com a filha e dois cães adotados para cobrar punições mais duras. “As penalidades para maus-tratos ainda são brandas. A lei é recente, mas precisa ser revista, porque atrocidades continuam acontecendo”, avaliou. Para ela, a responsabilização de adolescentes que cometem violências graves deve ser discutida sem tabus.

Organizações como a Ampara Animal destacam a importância de ações educativas e disponibilizam materiais para reeducação social, além de alertarem para a correlação entre violência contra animais e agressões a mulheres. A mensagem no protesto foi de que impedir a crueldade passa por políticas públicas, fiscalização efetiva e punições exemplares.

Ao final, o sentimento predominante na Paulista era de que o caso não pode “cair no esquecimento” — lema repetido ao longo da manhã. Sob o vão do Masp, a multidão resumiu a cobrança: justiça por Orelha, proteção a quem não pode se defender e fim da impunidade para quem pratica violência contra animais.

Alfredo R. Martins Jr. é jornalista e a voz principal do Jornal O Paranaense. Formado em Comunicação Social com especializações em Marketing e Gestão de Comunicação, possui mais de 17 anos de experiência na análise do cenário paranaense. Sua missão é traduzir a complexidade da política, economia e cultura do estado em informação clara, acessível e relevante para o leitor.
Alfredo R. Martins Jr.
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