(Foto: Orlando Kissner)
R$ 110 por habitante: oposição critica ‘preço de banana’ para venda de dados de 11 milhões de paranaenses
Deputado Arilson Chiorato (PT) classifica preço de venda como irrisório diante dos contratos vigentes e alerta Procuradoria-Geral de Justiça sobre riscos à soberania digital e investigações em curso.
A ofensiva contra a privatização da Companhia de Tecnologia da Informação e Comunicação do Paraná (Celepar) ganhou novos capítulos nesta semana. O líder da Oposição na Assembleia Legislativa (Alep), deputado Arilson Chiorato (PT), classificou a proposta do governo estadual como uma “liquidação” do patrimônio público e levou denúncias de irregularidades à cúpula do Ministério Público do Paraná (MP-PR).
Em discurso no plenário e em reunião com o procurador-geral de Justiça, Francisco Zanicotti, o parlamentar argumentou que a venda da estatal por R$ 1,3 bilhão é financeiramente injustificável e perigosa para a segurança dos dados de 11,8 milhões de paranaenses.
A matemática da “liquidação”
O ponto central da crítica econômica reside na discrepância entre o valor de avaliação da empresa e o fluxo de caixa garantido. Segundo dados apresentados por Chiorato, a Celepar possui contratos já assinados que somam R$ 2,2 bilhões — quase o dobro do valor mínimo estipulado para o leilão.
“Só em contratos vigentes, o valor já supera muito o preço de venda. Fora patrimônio, estrutura, tecnologia e a propriedade intelectual desenvolvida com dinheiro público. Alguém não sabe fazer conta ou está fazendo outro tipo de conta”, disparou o deputado.
Para ilustrar o cenário, o parlamentar fez um cálculo per capita: a venda representaria cerca de R$ 110 por habitante. “É isso que o governo acha que valem os seus dados, o seu CPF, o remédio que você toma e a escola do seu filho”, criticou.
O risco aos dados sensíveis
Além da questão financeira, a Oposição foca no risco estratégico. A Celepar não é apenas uma empresa de TI; ela é o cérebro digital do Estado. É lá que estão processados dados críticos de segurança pública, saúde, trânsito (Detran) e educação.
A preocupação é que, ao transferir esse controle para a iniciativa privada, o Estado perca a soberania sobre informações sensíveis. O deputado usou como exemplo a privatização da Copel, alegando que a piora no serviço de energia pode se repetir no setor de dados, onde “o lucro será prioridade, não a função social”.
Na segurança pública, o alerta é de que apenas 10% dos sistemas foram segregados (separados) até o momento, o que deixaria vulneráveis dados de investigações policiais e operações de inteligência.
Reunião com o Ministério Público
Em novembro de 2025 Chiorato formalizou as denúncias em uma reunião com a alta cúpula do MP-PR. Ao procurador-geral Francisco Zanicotti, o deputado entregou dossiês sobre quatro empresas interessadas no leilão (ViaSoft, CiX Experience Paraná, Valid Soluções e Fundo Via Láctea), alegando suspeitas de irregularidades e vínculos políticos.
O procurador-geral reconheceu a gravidade do tema. “Alguns setores da companhia têm caráter estratégico e precisam ser avaliados com atenção”, ponderou Zanicotti.
O processo de privatização já enfrenta obstáculos jurídicos. O Tribunal de Contas do Estado (TCE-PR) chegou a suspender o trâmite em setembro de 2025 por irregularidades, e o Ministro Flávio Dino, do STF, acolheu uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) questionando a lei que autoriza a venda.
“Vivemos um debate mundial sobre a invasão das Big Techs e o controle de dados. Se o Paraná abrir mão da Celepar, abre mão também da sua autonomia tecnológica”, finalizou Arilson.

Com informações de Agência de Notícias da Assembleia Legislativa do Paraná
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