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PF investiga agressões no TikTok enquanto YouTube abriga 130 mil vídeos de ódio contra mulheres

PF investiga agressões no TikTok enquanto YouTube abriga 130 mil vídeos de ódio contra mulheres

(Foto: Joedson Alves)

PF investiga agressões no TikTok enquanto YouTube abriga 130 mil vídeos de ódio contra mulheres


Levantamento da UFRJ revela que canais misóginos somam 23 milhões de inscritos e geram lucro. Ao mesmo tempo, Governo aciona polícia para barrar vídeos virais que simulam violência extrema.

O ódio contra as mulheres encontrou na chamada “machosfera” um terreno fértil e lucrativo para crescer nas redes sociais brasileiras. Nesta semana, o debate sobre a misoginia online e a responsabilização das plataformas ganhou novos e alarmantes contornos.

De um lado, a Polícia Federal (PF) abriu inquérito para investigar uma “trend” viral no TikTok que incita agressões físicas contra mulheres. Do outro, um novo relatório da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) revelou que o YouTube hospeda um ecossistema com mais de 130 mil vídeos que inferiorizam o gênero feminino, somando milhões de inscritos e gerando receita para seus criadores.

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Esses movimentos digitais ocorrem em um momento crítico para a segurança pública nacional: o Brasil registra atualmente uma média de quatro feminicídios por dia, tendo contabilizado 1.547 casos em 2025.

A “trend” da violência no TikTok e a ação da PF

A mobilização das autoridades federais começou após a viralização de vídeos no TikTok em que homens simulam desferir socos, chutes e até facadas em mulheres, como forma de “punição” caso tenham suas investidas amorosas rejeitadas.

A Advocacia-Geral da União (AGU) acionou a Polícia Federal, que já iniciou as investigações e solicitou a preservação dos dados dos perfis envolvidos. A plataforma removeu o conteúdo, alegando violação das Diretrizes da Comunidade.

Segundo a advogada criminalista Pamela Villar, a “brincadeira” pode resultar em penas duras para os criadores:

“Se uma pessoa, em razão do conteúdo da trend, agredir uma mulher por ela se recusar a se relacionar com ele, ambos [agressor e produtor de conteúdo] responderão criminalmente por lesão corporal. E se mais de uma pessoa seguir esse roteiro, a pessoa que fez o vídeo pode ser responsabilizada criminalmente em cada um desses delitos.”

Misoginia como negócio rentável no YouTube

Enquanto o TikTok lida com a incitação à violência física direta, o YouTube abriga um nicho consolidado de subjugação feminina. O levantamento divulgado nesta segunda-feira (9) pelo Laboratório de Estudos de Internet e Redes Sociais (NetLab) da UFRJ mapeou 123 canais brasileiros ativos dedicados a disseminar ódio e aversão às mulheres.

Os números da pesquisa impressionam:

  • Audiência em alta: Os canais somam 23 milhões de inscritos (um crescimento de 18,5% desde 2024).
  • Volume: São cerca de 130 mil vídeos publicados.
  • Monetização: Cerca de 80% desses canais possuem estratégias para ganhar dinheiro, seja por anúncios do próprio YouTube, programa de membros, venda de e-books ou doações via Pix.

A pesquisadora do NetLab, Luciane Belín, explica que os influenciadores usam táticas de dissimulação para fugir dos algoritmos de moderação. A palavra “mulher”, por exemplo, é frequentemente substituída por “colher”, e mães solo são atacadas sob a sigla “msol”. “Não é só a opinião deles, mas também é uma oportunidade de ganhar dinheiro, pautada na humilhação, inferiorização, na subjugação de mulheres”, alerta Belín.

O YouTube (Google) declarou que discurso de ódio e cyberbullying não são permitidos. A plataforma informou que encerrou mais de 37 mil canais e removeu 151 mil vídeos globalmente no último trimestre de 2025 por violações de ódio, e pediu a lista dos canais ao NetLab. Os pesquisadores, contudo, recusaram o envio por questões de segurança da equipe, disponibilizando apenas a metodologia para que a própria empresa faça a varredura.

O avanço da “machosfera” e o cerco legislativo

A disseminação desses conteúdos é impulsionada por subculturas da internet conhecidas como “machosfera”, que incluem:

  • Red pills: Movimento que propaga a ideia de que os homens são manipulados ou oprimidos pelas mulheres e pela sociedade moderna.
  • Incels (celibatários involuntários): Homens que culpam as mulheres e a sociedade por sua incapacidade de conseguir relações afetivas ou sexuais.

O impacto real desse ecossistema digital reacendeu a pressão pela aprovação de leis mais rígidas. A deputada federal Duda Salabert (PDT-MG), que denunciou a trend do TikTok ao Ministério Público, cobra a aprovação de um projeto de lei de sua autoria que tipifica a misoginia coordenada nas redes. No Senado, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) já aprovou, no final do ano passado, um projeto que prevê pena de 2 a 5 anos de prisão para o crime de misoginia.

Para Eunice Guedes, professora da Universidade Federal do Pará (UFPA), a punição é vital, mas não resolve o problema sozinha. “A criminalização é necessária, mas não basta só a punição. A gente precisa pensar em prevenção, em mudança de culturas e de concepções”, ressalta.

Serviço: Como denunciar a violência contra a mulher

Seja no ambiente digital ou físico, a violência de gênero deve ser denunciada. O Brasil conta com canais de apoio gratuitos e sigilosos:

  • Ligue 180: Central de Atendimento à Mulher (24 horas). Também atende pelo WhatsApp: (61) 9610-0180.
  • Disque 100: Para casos de violações de direitos humanos (incluindo crimes cibernéticos de ódio).
  • 190: Polícia Militar (exclusivo para emergências e crimes em andamento).
  • Delegacias: Denúncias também podem ser feitas presencialmente em Delegacias da Mulher (Deam) ou na Casa da Mulher Brasileira.
PF investiga agressões no TikTok enquanto YouTube abriga 130 mil vídeos de ódio contra mulheres
(Foto: Tomaz Silva)

Com informações de Agência Brasil)


Alfredo R. Martins Jr. é jornalista e a voz principal do Jornal O Paranaense. Formado em Comunicação Social com especializações em Marketing e Gestão de Comunicação, possui mais de 17 anos de experiência na análise do cenário paranaense. Sua missão é traduzir a complexidade da política, economia e cultura do estado em informação clara, acessível e relevante para o leitor.
Alfredo R. Martins Jr.
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