(Foto: Defesa Civil Estadual)
Alertas no celular e radares: o que mudou no Paraná 15 anos após o desastre no Litoral
O desastre no Litoral, ocorrido em 2011, foi o ponto de virada para a modernização do Estado, que implementou sistemas premiados pela ONU, alertas via celular e fundos milionários para a mitigação de riscos.
A despedida do verão de 2011 deixou cicatrizes profundas na paisagem e na memória dos paranaenses. O episódio que ficou conhecido como “Águas de Março” despejou acumulados históricos de chuva — chegando a 398 mm entre os dias 10 e 11 daquele mês —, provocando enxurradas, inundações e mais de 2.500 deslizamentos de terra no Litoral do Estado. Os municípios de Antonina, Morretes, Paranaguá e Guaratuba foram os mais castigados.
Naquela ocasião, a força da natureza isolou famílias inteiras, obrigando o resgate de 816 moradores por terra ou aeronaves. O saldo da tragédia contabilizou 10.761 pessoas desalojadas, 2.500 desabrigadas e a destruição ou danificação de mais de 4.000 imóveis. Passados 15 anos, a dor daquele desastre transformou-se no alicerce para uma reformulação completa nos protocolos de prevenção e resposta a emergências climáticas no Paraná.
Tecnologia e monitoramento como legado
O desastre de 2011 foi o ponto de partida para que a Coordenadoria Estadual da Defesa Civil (Cedec) desenvolvesse sistemas de monitoramento que, anos depois, ganhariam reconhecimento nacional e internacional.
Entre as principais inovações implementadas está o Sistema Informatizado de Defesa Civil (SISDC) e o Plano de Contingência Online. Por meio dessa plataforma, os 399 municípios paranaenses mapeiam áreas de atenção e indicam locais de abrigo. A eficiência do banco de dados e da gestão de riscos rendeu ao Paraná, em 2015, um prêmio do Escritório de Estratégia Internacional para Redução de Desastres (UNISDR) da Organização das Nações Unidas (ONU).
Em 2017, a inauguração do Centro Estadual de Gerenciamento de Riscos e Desastres (CEGERD) elevou o nível de prontidão do Estado, permitindo o acompanhamento meteorológico em tempo real, 24 horas por dia. Hoje, o trabalho é feito em rede, integrando dados de institutos como o Simepar e contando, inclusive, com meteorologistas atuando diretamente dentro da Defesa Civil.
Alertas na palma da mão e investimentos estruturais
A comunicação direta com a população foi outra barreira rompida. O Paraná tornou-se pioneiro no Brasil no envio de mensagens de alerta para telefones cadastrados, serviço que hoje abrange SMS, WhatsApp, Telegram e avisos na TV. O Estado também foi um dos primeiros a adotar a tecnologia Cell Broadcast (alerta em tela cheia com aviso sonoro), já utilizada mais de 130 vezes em situações de risco iminente.
O coordenador estadual da Defesa Civil, coronel Fernando Schunig, destaca que a modernização contínua busca evitar que eventos climáticos extremos causem os mesmos danos do passado:
“Da dor que vivemos em 2011 procuramos evoluir e modernizar os sistemas de monitoramento e alerta, o que ajudou a criar protocolos mais ágeis. Trabalhamos de forma preventiva e atualmente temos condições de avisar a população por mensagens no celular de tal forma a evitar que eventos como aquele causem danos dessa gravidade.”
Além da tecnologia, o suporte financeiro aos municípios ganhou robustez. Criado em 2023, o Fundo Estadual para Calamidades Públicas (Fecap) já destinou R$ 88 milhões para 145 cidades realizarem obras de prevenção e reconstrução. A Defesa Civil segue investindo na compra de novos radares e na ampliação dos simulados de evacuação, garantindo que o Estado esteja cada vez mais resiliente às intempéries.

Com informações de Agência de Notícias do Governo do Paraná
- Alertas no celular e radares: o que mudou no Paraná 15 anos após o desastre no Litoral - 12 de março de 2026
- Com 1.568 feminicídios no ano, Câmara aprova tornozeleira imediata e alertas automáticos para vítimas - 12 de março de 2026
- Guerra no Líbano deixa mais de 600 mortos e 816 mil deslocados em apenas dez dias - 12 de março de 2026





