(Foto: Geraldo Bubniak)
Paraná amplia proteção à mulher com aplicativo de socorro rápido e monitoramento eletrônico
Tecnologia que rastreia agressores em tempo real chega a Foz do Iguaçu e São José dos Pinhais. Estado também disponibiliza o app Salve Maria, com botão de emergência para vítimas com medida protetiva.
O Governo do Paraná, por meio da Secretaria da Segurança Pública (Sesp), anunciou nesta terça-feira (17) a ampliação do Programa de Monitoração Eletrônica Simultânea (MES). Antes restrito a Curitiba, o sistema agora protege mulheres nas cidades de Foz do Iguaçu, na região Oeste, e São José dos Pinhais, na Região Metropolitana da capital.
A medida é um passo importante para usar a tecnologia na prevenção ao feminicídio. O programa é voltado para os casos mais graves, quando a Justiça identifica um risco real à vida da mulher.
Como funciona a proteção em tempo real
A tecnologia cria uma barreira invisível de segurança entre a vítima e o agressor, permitindo ações rápidas caso as regras judiciais sejam quebradas. O sistema opera da seguinte forma:
- Para o agressor: É instalada uma tornozeleira eletrônica.
- Para a vítima: É entregue um dispositivo móvel temporário.
- Monitoramento constante: A mulher consegue visualizar a localização do agressor na tela do aparelho.
- Alerta imediato: Se o homem ultrapassar o limite de distância estipulado pelo juiz, a polícia e a vítima recebem um aviso na mesma hora.
“Tivemos a experiência de mulheres que utilizam a tecnologia do monitoramento simultâneo na Capital com muito sucesso e estamos expandindo para Foz do Iguaçu e São José dos Pinhais. Passada esta fase, vamos expandir ainda para os municípios onde há mais ocorrências de feminicídios e violência doméstica.” — Hudson Leôncio Teixeira, secretário da Segurança Pública
Novo aplicativo traz botão de emergência
Para somar forças na defesa das mulheres que já possuem medida protetiva de urgência, o Estado lançou o aplicativo Salve Maria. A ferramenta gratuita, disponível para celulares Android e iOS, conecta a vítima diretamente à Patrulha Maria da Penha da Polícia Militar do Paraná.
As principais funções desenhadas para facilitar o pedido de socorro incluem:
- Acionamento rápido: Um botão de emergência na tela inicial para situações de perigo iminente.
- Localização exata: A geolocalização em tempo real guia as viaturas com precisão até o local da ocorrência.
- Canal seguro: Um chat direto com os policiais permite o envio de mensagens de texto e áudios em silêncio.
- Privacidade garantida: O cadastro exige CPF e validação por telefone, além de contar com criptografia avançada para proteger os dados da usuária.

“Nossas mulheres precisam se sentir não apenas protegidas, mas também respeitadas. Onde há respeito, não há espaço para o conflito.” — Leandre Dal Ponte, secretária da Mulher, Igualdade Racial e Pessoa Idosa
Treinamento obrigatório para policiais
Além da tecnologia, o Paraná aposta fortemente na educação. A Sesp determinou, por meio de uma nova resolução, que todos os profissionais das forças de segurança do estado realizem um curso de capacitação sobre o combate à violência contra a mulher até o final de 2026.
A iniciativa, oferecida na modalidade de Ensino a Distância (EaD) para garantir que alcance todos os agentes rapidamente, tem duração de cinco horas e é dividida em sete módulos práticos. Para ser aprovado e receber a certificação, o servidor precisa atingir 70% de acerto nas avaliações.
Mudança de comportamento e acolhimento humanizado
O treinamento vai muito além das questões legais. O objetivo principal é quebrar o ciclo de agressões, oferecendo um acolhimento mais sensível, eficiente e humano para a mulher que busca ajuda nas delegacias e nas abordagens nas ruas.
Os temas estudados pelos agentes de segurança ao longo do curso incluem:
- A quebra de estereótipos machistas e tabus prejudiciais sobre a masculinidade.
- O atendimento humanizado, focado na escuta ativa e sem julgamentos.
- A identificação correta dos cinco tipos de violência previstos em lei: física, psicológica, sexual, patrimonial e moral.
“Os profissionais de segurança pública serão capacitados e terão mais conhecimento sobre violência doméstica, sobre feminicídio e sobre o combate a todas essas ações de violência contra a mulher.” — Coronel Cleverson Rodrigues Machado, coordenador do Programa Mulher Segura

Com informações de Agência de Notícias da Secretaria de Segurança Pública do Paraná
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