(Foto: Jaelson Lucas)
Dinâmica de preços: nova safra deve baratear o café, enquanto entressafra eleva valor do leite no Paraná
Boletim do Deral revela um cenário misto na economia agropecuária do Estado em março. Consumidor encontra alívio no óleo de soja, mas custos de produção e tensões geopolíticas acendem alerta para a avicultura.
A economia agropecuária paranaense apresentou um cenário de contrastes no fechamento do primeiro trimestre de 2026. O mais recente boletim do Departamento de Economia Rural (Deral), divulgado nesta quinta-feira (16), mostra como fatores climáticos, períodos de entressafra e até tensões geopolíticas estão ditando o sobe e desce dos preços, afetando diretamente as margens dos produtores e o bolso do consumidor nos supermercados.
A principal boa notícia para o consumidor a médio prazo vem das lavouras de café. Após um período de altas históricas que pressionaram a inflação de alimentos, a expectativa de uma safra volumosa no Brasil em 2026 já derrubou os preços pagos ao produtor e deve, em breve, aliviar as gôndolas.
Por outro lado, o período de transição climática afeta a produção de leite e hortaliças, encarecendo esses itens. Já na avicultura, o produtor paranaense trabalha no vermelho, espremido pela alta dos insumos.
Termômetro dos Preços no Paraná (Março/2026)
| Produto | Varejo (Média) | Produtor (Média) | Cenário Econômico |
| Óleo de Soja (900ml) | R$ 7,25 | R$ 115,09 (saca/soja) | Queda: Retração no preço do grão barateou o óleo em 2,3% ante a média de 2025. |
| Café (500g) | R$ 28,56 | R$ 1.734,11 (saca) | Tendência de Baixa: Valor ao produtor caiu 27% em 12 meses. Queda no varejo é esperada para o 2º semestre. |
| Leite (Litro) | Em alta | R$ 2,43 | Alta: Entressafra das pastagens gerou salto de 12,8% no valor pago ao pecuarista. |
| Couve-flor (Unidade) | R$ 9,38 | R$ 3,06 | Alta: Calor intenso afetou a oferta no verão, elevando o preço no varejo em 20,4% ante fevereiro. |
O alívio nas gôndolas: Café e Óleo de Soja
Apesar de o pacote de 500g do café ainda figurar em um patamar elevado no varejo (R$ 28,56), o mercado já enxerga uma acomodação. O analista do Deral, Carlos Hugo Godinho, explica que o recuo de 27% no valor pago aos produtores (que caiu de R$ 2.362,81 em março de 2025 para R$ 1.734,11 no mês passado) reflete a entrada da nova safra.
“Para haver redução nas gôndolas, os valores precisam se manter baixos durante a intensificação da colheita. A nova safra deve trazer a pressão baixista esperada, reduzindo o preço para o consumidor final no segundo semestre”, avalia Godinho.
Outro item que deu trégua foi o óleo de soja, cujo preço nas prateleiras recuou devido à desvalorização da soja em grão (com a saca fechando março a R$ 115,09).
O peso da entressafra e do clima: Leite e Hortaliças
Na contramão, a pecuária leiteira viu uma valorização expressiva. O produtor passou a receber R$ 2,43 por litro posto na indústria — um avanço de 12,8% em apenas uma semana. Segundo Thiago de Marchi da Silva, veterinário do Deral, a entressafra das pastagens e a consequente redução na captação de leite justificam o encarecimento, que já é sentido no varejo.
O clima também cobrou a conta nas feiras. O calor intenso do verão castigou a produção de hortaliças como a couve-flor, que chegou a R$ 9,38 a unidade no varejo (+20,4% em relação a fevereiro). A tendência é que os preços só arrefeçam com o estabelecimento definitivo do outono e de temperaturas mais amenas.
Avicultura: margem apertada e risco geopolítico
O setor de proteína animal acendeu um sinal amarelo. O produtor de frango no Paraná fechou março operando no prejuízo: enquanto o custo de produção do frango vivo se estabilizou em R$ 4,72/kg, o preço médio de venda foi de apenas R$ 4,59/kg.
O vilão dessa conta é o milho no atacado, cuja saca subiu 2,5%, atingindo R$ 62,92. O técnico do Deral, Roberto Carlos de Andrade e Silva, faz um alerta sobre o cenário macroeconômico: os indicadores de março ainda não precificaram totalmente os impactos logísticos e econômicos do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. “Os custos dos insumos tendem a subir num cenário de guerra, mesmo que bem longe do Brasil”, pontua.
Exportações mantêm ritmo forte:
Apesar da pressão nos custos internos, a balança comercial de carnes segue robusta. Apenas no setor de suínos, o Paraná enviou 21,36 mil toneladas para o exterior em março, impulsionado por um salto de 86,9% na demanda das Filipinas, o que ajuda a manter a liquidez do agronegócio estadual em tempos de instabilidade global.

Com informações de Agência de Notícias da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Paraná
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