(Foto: Grade Projetos/Secretaria do Planejamento)
Fim do ferry boat: Guaratuba terá complexo náutico de R$ 100 milhões após conclusão da ponte
Área histórica que por décadas atendeu a travessia da baía dará lugar a uma grande marina com opções de lazer, restaurantes e orla pública. Obras devem começar em 2027.
Com a tão aguardada inauguração da Ponte de Guaratuba se aproximando, o Governo do Paraná já definiu o destino de uma das áreas mais simbólicas do litoral do estado. O terreno histórico, que por décadas serviu de base para a operação do ferry boat, será transformado em um moderno complexo náutico.
A mudança representa um marco para o turismo e a economia da região. Em vez de um espaço voltado apenas para a passagem de veículos, Guaratuba ganhará uma área de lazer, convivência e serviços que promete atrair visitantes durante os doze meses do ano.
O fim de uma era e a transição segura
A desativação do sistema de ferry boat não acontecerá do dia para a noite. A Secretaria de Estado da Infraestrutura e Logística (Seil) planejou um modelo gradual para garantir que a população não fique desassistida durante o período de adaptação do tráfego na nova ponte.
“As duas áreas que são ocupadas pelo ferry boat num primeiro momento vão permanecer para que o ferry boat permaneça operacional, até que a gente possa adaptar o movimento em cima da ponte. Finalizada essa parte, vamos ter uma revitalização tanto do lado que dá acesso a Matinhos quanto do lado de Guaratuba”, explica o secretário Fernando Furiatti.
Como será o novo complexo náutico
O projeto do complexo está sendo elaborado há seis meses pela Secretaria de Estado do Planejamento (Sepl). A proposta prevê a ocupação de um terreno de mais de 30 mil metros quadrados (que hoje inclui o canteiro de obras da ponte).
Deste total, cerca de 12 mil metros quadrados serão de área construída. O foco do projeto é integrar a iniciativa privada com o uso democrático do espaço, evitando que a antiga área do ferry boat seja abandonada.
Infraestrutura completa para embarcações
O coração do novo empreendimento será uma grande marina, estruturada para atender a uma demanda antiga e reprimida do litoral paranaense por vagas para barcos e lanchas.
A estrutura do complexo náutico contará com:
- 303 vagas molhadas: destinadas a embarcações que ficarão atracadas diretamente na baía.
- 400 vagas secas: para o armazenamento interno e seguro dos barcos.
- Estacionamento terrestre: capacidade para 208 veículos de visitantes e usuários.
Um espaço público para moradores e turistas
Apesar de ser um empreendimento focado no setor náutico, a maior parte do terreno será destinada ao uso público e gratuito. O objetivo é criar um novo cartão-postal para as famílias de Guaratuba e para os turistas.
“Estamos pensando em um espaço que sirva para a comunidade e também para os turistas. Será uma orla pública com ciclovia, pista de caminhada, espaço pet, além de restaurantes, bares e lojas. Um ambiente amplo, como um grande espaço aberto de convivência”, ressalta Luiz Moraes Júnior, chefe da Unidade Gestora do Programa de Parcerias do Paraná.
Além do lazer, o complexo garantirá acessos exclusivos para os pescadores da região, áreas para pequenos eventos e pontos de apoio essenciais para a atuação do Corpo de Bombeiros e da Marinha do Brasil.
O modelo de concessão à iniciativa privada
Para tirar o projeto do papel sem onerar os cofres públicos, o Governo do Estado apostou em um modelo de parceria com a iniciativa privada. A área será cedida por meio de uma concessão com duração de 30 anos.
A empresa que vencer a licitação — que ocorrerá na modalidade de concorrência pública — será a responsável por construir, administrar e fazer a manutenção de todo o local. O governo estima que o modelo gerará uma economia de R$ 20 milhões ao Estado ao longo das três décadas de contrato.
Geração de empregos e impacto econômico
A construção e a futura operação do complexo náutico injetarão um volume significativo de dinheiro na economia do litoral, melhorando a renda das famílias locais.
- Fase de obras: O projeto tem um investimento estimado em R$ 100 milhões, com previsão de gerar 1.425 empregos diretos e indiretos durante a construção.
- Fase de operação: Após a inauguração, a expectativa é criar outros 695 postos de trabalho fixos (diretos e indiretos) nos restaurantes, lojas e serviços da marina.
Próximos passos e consulta pública
A população e os investidores terão a chance de opinar sobre o projeto. Nos próximos dias, o governo abrirá um período de 30 dias para consulta pública, que incluirá uma audiência presencial em Guaratuba para colher sugestões e ajustar a proposta.
“Agora entramos em uma fase de escuta. Vamos abrir o projeto para contribuições e, a partir disso, consolidar uma versão final mais robusta”, explica Moraes Júnior.
Após a análise das contribuições e das liberações legais, a expectativa é que o edital de concessão seja publicado em outubro de 2026. As obras devem começar oficialmente em 2027, com prazo de conclusão de até cinco anos (podendo ser antecipado pela concessionária).
A visão da prefeitura e o turismo o ano todo
Para a administração municipal de Guaratuba, a revitalização do espaço resolve um grande problema urbano e cria uma nova âncora econômica para a cidade, ajudando a combater a sazonalidade (quando o comércio só lucra no verão).
“É de nosso interesse que o comércio local, a rede hoteleira e os serviços em geral sejam movimentados até em épocas de baixa temporada, dessa forma a população terá estabilidade durante o ano todo. É uma oportunidade de transformar este espaço em algo moderno e funcional”, celebrou o prefeito Maurício Lense.

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