Em meio a um cessar-fogo prorrogado e navios atacados em Ormuz, Reino Unido e França lideram reunião com 30 países para planejar missão multinacional e reabrir o estreito estratégico.
As negociações para a paz no Oriente Médio enfrentam um novo impasse. O embaixador do Irã nos Estados Unidos declarou que o governo de Teerã só retornará à mesa de negociações caso o bloqueio naval no Golfo Pérsico seja totalmente suspenso.
A exigência é a primeira reação oficial iraniana ao prolongamento do cessar-fogo anunciado pelo presidente dos EUA, Donald Trump. A situação segue explosiva: a Guarda Revolucionária do Irã já ameaçou desferir “golpes devastadores” se os combates forem retomados.
Com a segunda rodada de negociações em sério risco, a crise ameaça diretamente a economia global. Em resposta, a União Europeia apresenta nesta quarta-feira (22) um conjunto de medidas para tentar conter uma eventual crise energética mundial.
A guerra de narrativas e o bloqueio em Ormuz
O Estreito de Ormuz tornou-se o epicentro da disputa. Trata-se de uma via navegável crucial por onde passa cerca de um quinto do petróleo de todo o mundo. O governo iraniano impôs restrições à navegação no local inicialmente como retaliação ao bombardeio conjunto dos EUA e de Israel contra o país, ocorrido em fevereiro, e manteve a postura em resposta ao bloqueio americano aos portos iranianos.
Na terça-feira (21), Donald Trump havia anunciado o prolongamento da trégua (que terminaria hoje) após um pedido do Paquistão, aguardando uma proposta de acordo por parte de Teerã. No entanto, o líder norte-americano usou as redes sociais para pressionar os adversários.
“O Irã está entrando em colapso financeiro! Querem o Estreito de Ormuz aberto imediatamente, estão desesperados por dinheiro! Eles estão perdendo US$ 500 milhões por dia. SOS!!!“, publicou Trump.
Washington e Teerã ainda não conseguiram chegar a um meio-termo sobre a livre passagem pelo estreito, e a ausência de um acordo imediato gera apreensão nos mercados de energia.
Tensão no mar: navios são atacados
O clima de guerra fria esquentou nas águas do Golfo. Fontes de segurança marítima e a Organização de Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido (UKMTO) confirmaram que pelo menos três navios porta-contêineres foram atingidos por disparos em Ormuz nesta quarta-feira.
Em um dos incidentes, um navio com bandeira da Libéria sofreu danos na ponte de comando após ser atingido por disparos e granadas lançadas por foguete a nordeste de Omã. Segundo a UKMTO, o comandante da embarcação relatou ter sido abordado por uma lancha da Guarda Revolucionária Islâmica antes do ataque. Felizmente, os tripulantes não ficaram feridos e não houve vazamentos ou impactos ambientais.
O plano internacional liderado por França e Reino Unido
Diante da paralisação de uma rota vital, o Ocidente se mobiliza. Representantes militares de mais de 30 países reúnem-se nesta quarta e quinta-feira (22 e 23) no Quartel-General Conjunto Permanente Britânico em Northwood, perto de Londres.
O objetivo do encontro, liderado pelo Reino Unido e pela França, é preparar uma missão multinacional “estritamente defensiva” para forçar a reabertura do Estreito de Ormuz e proteger o tráfego marítimo. A proposta franco-britânica já recebeu o apoio de cerca de 50 governos e organizações internacionais.
A reunião avaliará:
- As capacidades militares disponíveis.
- A estrutura de comando e controle das forças.
- O potencial destacamento de tropas e frotas para a região.
O ministro da Defesa britânico, John Healey, reforçou a urgência da operação.
“O comércio internacional, a segurança energética e a estabilidade da economia global dependem da liberdade de navegação. Uma ação coletiva eficaz pode contribuir para a reabertura do Estreito”, afirmou Healey.
A lista oficial dos países participantes da reunião militar não foi divulgada por razões de segurança.
Com informações de Agência Brasil
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