O país ultrapassou a marca de 5,5 milhões de barris diários no primeiro mês da guerra, enquanto Estados Unidos e Irã travam um perigoso embate no Oriente Médio.
Em um cenário global conturbado pelo primeiro mês da guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, o Brasil registrou um recorde histórico na produção de petróleo e gás natural em março. Enquanto o governo e a Petrobras aceleram a produção nacional para tentar mitigar a dependência externa, o Estreito de Ormuz tornou-se o epicentro de uma crise logística e militar entre Washington e Teerã, impulsionando o preço internacional do barril.
O salto na produção petrolífera brasileira
Em março, a produção do Brasil alcançou a marca inédita de 5,531 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boe/d). O recorde anterior pertencia ao mês de fevereiro, quando o país havia registrado 5,304 milhões de boe/d.
A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) divulgou nesta segunda-feira (4) os dados detalhados da operação:
- A extração de óleo cru foi de 4,247 milhões de barris diários, representando um acréscimo de 4,6% sobre fevereiro e 17,3% a mais do que em março de 2025.
- A produção de gás natural totalizou 204,11 milhões de metros cúbicos por dia (m³/d), uma expansão de 3,3% ante o mês anterior e de 23,3% em relação a março do ano passado.
- O pré-sal consolidou sua importância estratégica ao responder por 79,9% de toda a produção nacional, somando 4,421 milhões de boe/d.
| Indicador Operacional (Março) | Volume Registrado | Destaques Adicionais |
| Óleo Cru e Gás (Total) | 5,531 milhões de boe/d | Recorde histórico no país. |
| Maior Campo de Petróleo | 886,43 mil barris/dia | Campo de Búzios, na Bacia de Santos. |
| Maior Campo de Gás Natural | 42,06 milhões de m³/d | Campo de Mero, no pré-sal de Santos. |
| Maior Plataforma | 186 mil barris/dia | Almirante Tamandaré, em Búzios. |
Os campos operados pela Petrobras, de forma isolada ou em consórcio, foram responsáveis por 88,23% do volume total extraído no Brasil em março. Para o mês de maio, o país já conta com um reforço estrutural: a plataforma P-79, ancorada em Búzios, iniciou sua produção no dia 1º, antecipando o cronograma em três meses. A estrutura possui capacidade para produzir 180 mil barris de óleo e comprimir 7,2 milhões de m³ de gás por dia.
A crise no Estreito de Ormuz: guerra de narrativas
A movimentação da Petrobras visa contornar o choque de logística causado pelos recentes embates no Oriente Médio. Como retaliação no conflito, o Irã bloqueou o Estreito de Ormuz, uma passagem vital no sul do país que conecta os golfos Pérsico e de Omã. Antes da eclosão da guerra, a rota era responsável pelo escoamento de cerca de 20% da produção mundial de petróleo.
Nesta segunda-feira (4), as tensões na região ganharam um novo capítulo com declarações conflitantes entre os governos. A Marinha da Guarda Revolucionária do Irã negou veementemente a informação dos Estados Unidos de que navios comerciais com bandeira estadunidense teriam cruzado o estreito escoltados por forças militares.
“Nenhum navio comercial ou petroleiro passou pelo Estreito de Ormuz nas últimas horas, e as alegações das autoridades americanas são infundadas e completamente falsas”, declarou a corporação iraniana em um comunicado oficial.
Duas horas antes dessa declaração, o Comando Central dos EUA afirmou que dois navios mercantes haviam atravessado a rota com sucesso, apoiados por uma missão que envolve mais de 100 aeronaves, navios de guerra de mísseis guiados e 15 mil militares.
Em resposta aos movimentos americanos, o Irã divulgou um mapa com linhas de segurança que definem “novas fronteiras de controle” marítimo. As autoridades iranianas reforçaram que o restabelecimento da navegação dependerá de uma negociação definitiva para o fim da guerra, incluindo a situação no Líbano.
Impacto nos preços e medidas do governo brasileiro
A guerra e o bloqueio da principal rota de petróleo causaram uma disparada imediata na commodity ao longo dos últimos dois meses, fazendo o barril de Brent saltar de aproximadamente US$ 70 para US$ 114. Nesta segunda-feira (4), em meio às incertezas sobre o trânsito em Ormuz, o preço registrou uma nova alta de 5%, superando os US$ 114.
Essa escassez global atinge até mesmo países produtores como o Brasil, uma vez que o petróleo é cotado em preços internacionais. Para conter o impacto nos preços internos dos combustíveis, o governo brasileiro adotou a isenção de impostos e repassou subsídios a importadores e produtores.
Com informações de Agência Brasil
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