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Paraná aprova financiamento internacional para pequenas empresas e prevê poupar milhões aos cofres públicos

Paraná aprova financiamento internacional para pequenas empresas e prevê poupar milhões aos cofres públicos

(Foto: Albai Rosa)

Paraná aprova financiamento internacional para pequenas empresas e prevê poupar milhões aos cofres públicos


Estratégia de buscar recursos no exterior preserva o dinheiro do estado rendendo a juros altos e direciona o novo crédito para gerar empregos e fortalecer o setor produtivo.

Pequenos e médios empresários, produtores rurais e indústrias com potencial de exportação no Paraná terão acesso a uma nova fonte de recursos em breve. Isso será possível graças a uma operação de crédito internacional de US$ 100 milhões (cerca de R$ 515 milhões na cotação atual) firmada entre o Governo do Estado e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). O dinheiro servirá para capitalizar o recém-criado Fundo Estratégico do Paraná (FEPR).

Para o cidadão comum e para quem empreende, a medida representa a abertura de linhas de crédito mais baratas e investimentos não reembolsáveis. O objetivo prático é permitir que negócios locais consigam se modernizar, comprem maquinário sustentável e expandam sua atuação para o mercado exterior, aquecendo a geração de vagas de trabalho formais e movimentando os municípios paranaenses.

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Por que o estado decidiu pegar dinheiro emprestado no exterior?

Em um primeiro olhar, a contratação de uma dívida em dólar pode parecer um risco, mas a matemática financeira por trás da decisão revela uma economia projetada de mais de R$ 400 milhões aos cofres públicos.

O cenário econômico nacional explica essa manobra. O Brasil possui hoje uma das taxas de juros reais mais altas do mundo, guiada pela taxa básica (Selic), o que encarece o crédito interno tanto para governos quanto para o setor privado.

Se o Governo do Paraná decidisse usar o próprio dinheiro guardado em caixa para financiar os empresários locais, ele deixaria de ganhar o rendimento atrelado ao CDI (Certificado de Depósito Interbancário), que hoje beira os 14,71% ao ano.

Por outro lado, o custo do empréstimo junto ao BID tem uma taxa de juros muito mais branda, estimada em 5,46% anuais. Em resumo: o estado pega dinheiro barato fora do país e deixa o próprio capital rendendo a juros altos nos bancos nacionais.

A operação de crédito muitas vezes é vista de forma equivocada, como sinônimo de endividamento negativo. Mas muitas vezes ela é uma ferramenta que permite ao Paraná manter os investimentos e impulsionar o desenvolvimento sem comprometer a saúde financeira do Estado.” — Norberto Ortigara, secretário da Fazenda do Paraná.

O reflexo direto na rotina dos negócios paranaenses

A injeção desse capital internacional vai além dos números do governo e chega diretamente na ponta, na vida de quem produz. Historicamente, as pequenas e médias empresas são as principais responsáveis pela criação de empregos no Brasil.

No entanto, elas frequentemente esbarram na dificuldade de conseguir crédito viável nos bancos tradicionais, o que trava a contratação de novos funcionários e a compra de novas tecnologias.

O dinheiro captado pelo Estado tentará mudar essa realidade, atendendo principalmente cadeias produtivas ligadas à inovação, tecnologia, agronegócio e bioeconomia.

Com juros subsidiados ou condições mais favoráveis, uma pequena agroindústria no interior, por exemplo, poderá comprar equipamentos mais eficientes, aumentando sua capacidade de produção sem precisar repassar custos exorbitantes ao consumidor final.

Regras rígidas, contrapartida e o funcionamento do fundo soberano

A criação de fundos estruturados é uma tendência mundial adotada por gestões públicas que buscam blindar suas economias de crises futuras e catástrofes climáticas — uma urgência evidenciada pelo histórico recente de secas e enchentes severas na região Sul do país.

O Fundo Estratégico do Paraná funcionará sob regras rígidas de governança exigidas pelo BID, incluindo auditoria externa independente e cumprimento de metas ambientais, sociais e de governança corporativa (ESG).

Do montante total financiado, US$ 95 milhões vão direto para o caixa do fundo, enquanto os US$ 5 milhões restantes estruturam a sua gestão. Como regra do contrato, o Paraná também terá que aplicar US$ 50 milhões em recursos próprios como contrapartida, valor que será liberado em três fases.

Para quem for acessar esses recursos no futuro, os investimentos ocorrerão por três modalidades distintas:

Financiamento direto: linhas de crédito oferecidas por meio de instituições parceiras ou concessionárias para empresas estruturadas.

Cofinanciamento: projetos onde o fundo entra com uma parte do dinheiro e a iniciativa privada assume o restante dos custos.

Matching grants: repasses não reembolsáveis (dinheiro que não precisa ser devolvido ao governo) caso a empresa atinja metas específicas e comprove a aplicação em inovação ou sustentabilidade.

A iniciativa amplia a capacidade de investimento sem comprometer o caixa do Estado e expande o seu alcance através do Fundo Estratégico do Paraná. Assim, permitindo que o Paraná preserve sua gestão fiscal e a rentabilidade financeira e continue se desenvolvendo.” — João Marques, diretor adjunto do Tesouro Estadual.

As três barreiras de proteção do novo fundo

O desenho do Fundo Estratégico foi arquitetado para funcionar não apenas como um banco de fomento para a economia, mas como uma poupança de segurança pública estadual. Ele atuará em três frentes principais:

Reserva estratégica: dedicada puramente ao apoio de projetos produtivos e atração de novos negócios e polos industriais para o estado.

Reserva fiscal: uma poupança de segurança para garantir que o governo tenha dinheiro para pagar contas essenciais em momentos de queda brusca na arrecadação de impostos.

Reserva de desastres: caixa de acesso rápido e desburocratizado para ações de resgate, reconstrução de cidades e socorro imediato às vítimas em caso de tragédias climáticas ou emergências ambientais.

O que você precisa saber em resumo

  • O Paraná fechou um empréstimo de US$ 100 milhões com o BID para criar linhas de fomento ao setor produtivo, preservando o dinheiro do estado que continua rendendo juros altos em caixa.
  • A diferença entre os juros internacionais (mais baratos) e o rendimento interno vai gerar uma economia estimada de R$ 400 milhões aos cofres paranaenses.
  • O dinheiro novo vai beneficiar diretamente pequenas e médias empresas ligadas ao agronegócio, exportação e inovação, além de garantir reservas financeiras para desastres climáticos.
Paraná aprova financiamento internacional para pequenas empresas e prevê poupar milhões aos cofres públicos
(Foto: José Fernando Ogura)

Com informações de Agência de Notícias do Governo do Paraná


Alfredo R. Martins Jr. é jornalista e a voz principal do Jornal O Paranaense. Formado em Comunicação Social com especializações em Marketing e Gestão de Comunicação, possui mais de 17 anos de experiência na análise do cenário paranaense. Sua missão é traduzir a complexidade da política, economia e cultura do estado em informação clara, acessível e relevante para o leitor.
Alfredo R. Martins Jr.
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