(Foto: Divulgação AEN)
Ouro inédito na França coloca vinho do Paraná no topo do mundo e impulsiona economia local
Premiação histórica de vinícola de Colombo vai muito além do prestígio: o reconhecimento internacional acelera o enoturismo e atrai novos negócios para o estado.
Quando uma garrafa de vinho produzida na Região Metropolitana de Curitiba (RMC) é aberta do outro lado do oceano e recebe a maior honraria do setor, o impacto reverbera muito além das taças. Para o paranaense, essa vitória se traduz em pousadas mais cheias, restaurantes movimentados, criação de empregos e um salto no desenvolvimento do comércio regional.
Neste mês, a Vinícola Franco Italiano, localizada em Colombo, fez história ao conquistar duas medalhas de ouro no Vinalies Internationales, em Cannes, na França — um dos concursos de vinhos mais rigorosos do planeta.
Mas o que isso muda na vida de quem vive aqui? A resposta está na consolidação do Paraná como um destino global de enoturismo, uma indústria de alto valor agregado que distribui renda e oportunidades por dezenas de municípios.
O que a vitória em Cannes significa para a economia paranaense
O reconhecimento da qualidade do nosso vinho funciona como uma vitrine internacional gratuita para o estado. O enoturismo — modalidade onde os visitantes viajam especificamente para conhecer vinhedos, histórias de famílias produtoras e degustar bebidas nas propriedades — atrai um público disposto a investir na economia local. E os números comprovam que estamos no mapa: apenas nos primeiros meses de 2026, mais de 456 mil turistas estrangeiros desembarcaram no Paraná.
Ao ganhar prêmios de peso, propriedades rurais que antes dependiam exclusivamente da venda da uva in natura ou de vinhos de mesa, agora podem monetizar a experiência turística. Isso fomenta uma cadeia gigante: movimenta o motorista de aplicativo, a pequena agência de turismo ecológico, a rede hoteleira e a gastronomia local.
Em 2024, para se ter uma dimensão, a produção de uva injetou R$ 323 milhões no Valor Bruto de Produção (VBP) do Paraná, tendo Marialva como a grande força no Noroeste. Com os holofotes do prêmio europeu voltados para o estado, a expectativa é que a busca por produtos paranaenses impulsione ainda mais esses valores.

Por dentro do prêmio: o recorde histórico do vinho de Colombo
Para entender o peso da conquista no prestigiado concurso realizado na Riviera Francesa, é preciso olhar para a concorrência. A edição de 2026 avaliou às cegas 2.654 amostras enviadas por 44 países. Nesse cenário disputado por potências vinícolas, os rótulos “Censurato Cabernet” e “Rodolpho Cabernet Franc”, produzidos em Colombo, garantiram medalhas de ouro.
O destaque absoluto ficou com o vinho tinto Censurato. Ele já havia conquistado o ouro nas edições de 2023 e 2025. Com a vitória deste ano, consagrou-se como o único vinho brasileiro em toda a história da competição europeia a ostentar um tricampeonato.
“Já contamos com um bom fluxo de visitantes, porque temos experiências de visita e degustação gratuitas ao público, além de experiências mais imersivas, com custo e agendamento. Mas, certamente, as medalhas vão ajudar a atrair ainda mais turistas, porque o público que gosta desse ramo acaba se interessando em visitar e degustar um rótulo premiado mundialmente.” — João Trautmann, sommelier da Vinícola Franco Italiano.

Como o estado estruturou esse boom do enoturismo
O sucesso dos nossos vinhos não é fruto do acaso. Historicamente, a tradição trazida pelos imigrantes italianos plantou as primeiras sementes da viticultura nas terras frias da RMC e em outras regiões do estado. No entanto, foi apenas nos últimos anos que o Paraná passou a articular politicamente o vinho como um motor turístico estratégico.
Para organizar e incentivar o fluxo de visitantes, o governo estruturou diferentes frentes de apoio:
Programa Revitis: Criado em 2019, o programa estadual atua em quatro pilares fundamentais: incentivo à produção, reorganização da comercialização, desenvolvimento do turismo e apoio financeiro e logístico à agroindústria.
Mapa do Enoturismo Paranaense: Lançado em 2025 pelo Viaje Paraná, o guia cataloga 18 vinícolas de alto padrão distribuídas em 15 municípios, oferecendo um roteiro seguro para os viajantes.
Rota Uva & Vinho do Paraná: Inaugurada em abril de 2026, a iniciativa já engloba cerca de 60 propriedades rurais espalhadas por 30 cidades paranaenses, unindo tradição cultural e infraestrutura.
“O Paraná conta com um grande potencial quando se trata desse tipo de produção e é um segmento que sempre fazemos questão de divulgar para os agentes de viagens e profissionais do setor durante os encontros nacionais e internacionais.” — Irapuan Cortes, diretor-presidente do Viaje Paraná.
Se você gosta de explorar os sabores regionais, vale a pena planejar o próximo final de semana para conhecer essas novidades no quintal de casa. [INSERIR LINK INTERNO SOBRE: as novas rotas de turismo rural da Região Metropolitana de Curitiba]
Do campo à taça: a força da viticultura paranaense em números
O ouro conquistado na França é o resultado final de um trabalho meticuloso que começa com as mãos calejadas de quem cuida da terra. Segundo dados levantados pela Associação de Vitivinicultores do Paraná (Vinopar), o setor tem bases sólidas:
O estado cultiva hoje cerca de 3,7 mil hectares de parreirais (uvas de mesa e finas).
Mais de 40 mil toneladas de uvas de mesa são colhidas todos os anos pelos agricultores.
Cerca de 700 toneladas de uvas finas são rigorosamente processadas anualmente para a produção de vinhos de qualidade superior.
A diversidade de uvas impressiona: de rústicas tradicionais (Bordô, Niágara, Casca Dura) a castas clássicas europeias (Cabernet Sauvignon, Merlot, Malvásia e Chardonnay).
Somente as vinícolas associadas à Vinopar já ultrapassam a marca de 120 medalhas de ouro em concursos nacionais e globais.
Tudo isso comprova que a taça paranaense deixou de ser apenas uma promessa local para se transformar em um símbolo de desenvolvimento econômico e qualidade de vida.
O que você precisa saber em resumo
- A Vinícola Franco Italiano, de Colombo (PR), faturou duas medalhas de ouro no aclamado concurso francês Vinalies Internationales, com o vinho Censurato conquistando um inédito tricampeonato brasileiro.
- O reconhecimento internacional atrai os holofotes do enoturismo para o estado, gerando empregos diretos e indiretos que aquecem desde o produtor rural até a rede hoteleira paranaense.
- O Paraná possui uma infraestrutura preparada para esse “boom”, contabilizando cerca de 3,7 mil hectares plantados de uva e rotas turísticas estruturadas, como o Mapa do Enoturismo e a Rota Uva & Vinho.

Com informações de Agência de Notícias do Governo do Paraná
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