(Foto: Rodrigo Felix)
Além do agronegócio: como o Paraná alcançou US$ 3,8 bilhões em exportação de tecnologia
A exportação de insumos avançados retém talentos, atrai investimentos e impulsiona carreiras locais, superando os US$ 3,8 bilhões.
Para o profissional de tecnologia, engenharia ou inovação que vive no Paraná, a necessidade de mudar de estado ou de país para trabalhar em grandes projetos globais está cada vez menor. A consolidação da indústria de alto valor agregado tem transformado a realidade de quem atua nessas áreas, criando um ecossistema robusto de oportunidades com salários competitivos e alta especialização.
Apenas em 2025, a venda de produtos e insumos tecnológicos paranaenses para outros países movimentou mais de US$ 3,8 bilhões (um salto de 15% frente a 2024). Esses números, levantados pelo Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes) a partir de dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), provam que o estado está deixando de ser apenas um importador de soluções para se tornar um desenvolvedor de ponta.
O reflexo prático dessa expansão no estado
Na prática, o crescimento das exportações de tecnologia significa uma injeção direta de dólares na estrutura produtiva do Paraná. Quando uma empresa local vende softwares de pedágio ou equipamentos médicos para os Estados Unidos ou para a Suíça, a riqueza gerada financia pesquisas internas, melhora a infraestrutura laboratorial e aumenta a demanda por profissionais altamente qualificados nas universidades paranaenses.
Isso cria uma barreira contra a “fuga de cérebros”. Cidades como Curitiba, Maringá, Londrina e Ponta Grossa estão absorvendo os talentos formados pelas instituições de ensino locais, garantindo que o conhecimento e a inovação fiquem enraizados no território paranaense e fomentem novos negócios.
Da vocação agrícola à liderança industrial avançada
Historicamente, o Paraná construiu sua base econômica sobre a força da agropecuária, desde os ciclos da erva-mate e do café até a liderança na produção de grãos. Foi apenas a partir da década de 1970, com a criação da Cidade Industrial de Curitiba (CIC), que o estado deu seu primeiro grande salto para a manufatura.
Hoje, vivemos a terceira grande onda dessa evolução. Não se trata mais de montar peças projetadas fora do país, mas de deter a propriedade intelectual. A indústria paranaense agora está desenhando e fabricando equipamentos ópticos, soluções em biotecnologia e automação médica que atendem aos mais exigentes padrões internacionais.
Setores que dominam a pauta de exportações
A transformação industrial abrange várias verticais de inovação. Embora o setor automotivo (que movimentou mais de US$ 2,1 bilhões) ainda lidere por causa do consolidado polo automobilístico da Região Metropolitana de Curitiba, o crescimento mais expressivo vem da tecnologia de precisão e da saúde.
Os itens que puxaram a expansão tecnológica em 2025 incluem:
Instrumentos médicos e odontológicos: Com exportações na casa dos US$ 106,9 milhões, produtos desta linha foram enviados principalmente para Suíça, Estados Unidos e México.
Motores elétricos e geradores: Equipamentos essenciais para distribuição de energia somaram US$ 73,6 milhões em vendas, atendendo os mercados estadunidense, mexicano e boliviano.
Outros destaques: Produtos farmacêuticos, componentes eletrônicos, cabos de fibra ótica e instrumentos ópticos ganharam espaço em mercados exigentes como Alemanha, França e Espanha.
A prata da casa ganhando o mundo
Um exemplo claro dessa virada de chave tecnológica é a curitibana Pumatronix. Fundada em 2007, a empresa desenvolve tecnologias de processamento de imagens, reconhecimento facial e leitura de placas, além de atuar em sistemas de cidades inteligentes. Todo o projeto intelectual e o software embarcado são desenvolvidos no Paraná, e hoje a empresa já atende governos e rodovias da Argentina, Costa Rica e Portugal.
“O Brasil tem apenas cerca de 2% de participação no mercado mundial, então ainda existem 98% desse mercado para a gente explorar. Estamos investindo cada vez mais no desenvolvimento de tecnologia e na ampliação da nossa presença internacional.” — Sylvio Calixto, CEO e chairman da Pumatronix.
A jornada de muitas dessas empresas começa em ambientes de fomento, como a incubadora do Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar), que ajudou a estruturar centenas de negócios de ponta nas últimas décadas.
Incentivos públicos e o ecossistema de startups
O avanço desse mercado é sustentado por um ambiente de atração de negócios criado pelo governo estadual. O programa Paraná Competitivo ajudou a gerar quase 69 mil empregos entre 2019 e 2025, apoiando a instalação de indústrias em dezenas de cidades.
Já para a nova economia, iniciativas como o programa Anjo Inovador vêm impulsionando o nascimento de novos negócios. As startups no Paraná cresceram surpreendentes 500% em apenas sete anos, passando de duas mil empresas ativas, com editais milionários focados em biotecnologia e automação.
“Quando a gente importa e traz para dentro do Paraná tecnologia, ao mesmo tempo se prepara para exportar tecnologia, exportar know-how. E isso gera receita para o Estado, retenção e geração de talentos, uma mão de obra mais especializada.” — Eduardo Bekin, presidente da Invest Paraná.
O fortalecimento desse ecossistema atrai a atenção de grandes fundos globais e abre oportunidades contínuas de qualificação para os profissionais que desejam ingressar neste mercado promissor.
O que você precisa saber em resumo
- As exportações paranaenses do setor de alta tecnologia cresceram 15% em 2025, atingindo a marca de US$ 3,8 bilhões e injetando capital diretamente na economia estadual.
- O crescimento fomenta a retenção de talentos no Paraná, com profissionais locais desenvolvendo desde soluções de tráfego até suprimentos médicos vendidos para a Suíça e Alemanha.
- Programas de apoio como o Paraná Competitivo e o Anjo Inovador foram cruciais para que o número de startups no estado crescesse mais de 500% nos últimos sete anos.

Com informações de Agência de Notícias da Secretaria da Indústria, Comércio e Serviços do Paraná
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