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Corrida contra o tempo: Samu registra alta de atendimentos no PR

Corrida contra o tempo: Samu registra alta de atendimentos no PR

(Foto: Divulgação SESA-PR)

Corrida contra o tempo: Samu registra alta de atendimentos no PR


Quando os minutos decidem entre a vida e a morte, a forma como você repassa as informações no telefone determina a agilidade da equipe médica até a sua porta.

Em uma emergência extrema, como um infarto súbito ou um acidente de trânsito grave, os segundos iniciais são absolutos. Antes mesmo do som da sirene ser ouvido na rua, o resgate já começou — e ele se inicia na voz de quem segura o telefone.

Compreender o funcionamento desse ecossistema é vital, pois uma ligação bem conduzida pode encurtar distâncias e antecipar manobras de salvamento. Hoje, a eficiência de um atendimento médico de urgência depende diretamente da precisão dos dados relatados nos primeiros momentos de desespero.

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Para os paranaenses, essa dinâmica tem se tornado ainda mais presente e exige atenção redobrada. Apenas nos primeiros quatro meses de 2026, a central do 192 registrou 420.712 solicitações de socorro em todo o território estadual. Trata-se de um aumento de 4,5% em comparação ao mesmo período do ano anterior.

Esse volume expressivo de chamadas significa que a rede integrada, que envolve hospitais, Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e o Corpo de Bombeiros, opera em capacidade máxima. A assertividade no momento do chamado é o que garante que as viaturas cheguem primeiro aos bairros e rodovias onde a vida está, de fato, por um fio.

O peso das informações nos primeiros segundos de socorro

A angústia de ver um familiar ou desconhecido em perigo faz com que muitas pessoas entrem em choque ou exijam o envio imediato da viatura sem passar os dados básicos. No entanto, o protocolo de atendimento existe justamente para mapear o cenário antes da equipe sair da base. Informar com clareza o endereço exato, pontos de referência e o estado de consciência da vítima encurta o tempo de navegação da ambulância pelo trânsito.

É importante informar pontos de referência, quantidade de vítimas e condições aparentes do paciente, além de seguir todas as orientações repassadas pela equipe.” — Giovana Fratin, gerente de Urgência e Emergência.

Além disso, em situações de trauma, o instinto de tentar ajudar fisicamente a vítima pode ser fatal. Em acidentes envolvendo motocicletas, por exemplo, retirar o capacete sem a técnica adequada ou mover uma pessoa com suspeita de lesão na coluna pode causar danos neurológicos irreversíveis. A orientação contínua pelo telefone evita que agravantes ocorram até a chegada dos paramédicos.

Corrida contra o tempo: Samu registra alta de atendimentos no PR
(Foto: Divulgação SESA-PR)

Como o sistema de triagem decide quem recebe a ambulância

Um dos maiores mitos sobre o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) é a crença de que toda ligação para o 192 resulta automaticamente no despacho de um veículo. Historicamente, os sistemas de saúde adotam a chamada Regulação Médica, um modelo internacional de triagem desenhado para otimizar os recursos públicos. Quando a ligação é atendida, telefonistas treinados coletam os dados primários e repassam a ocorrência imediatamente para um médico regulador.

É este profissional de saúde quem avalia a gravidade da situação. Em muitos cenários, como crises de ansiedade severas ou dúvidas sobre medicações, o resgate físico não é necessário, e o paciente pode ser plenamente assistido com orientações especializadas dadas na própria linha telefônica.

O tempo de resposta faz diferença em situações críticas. A regulação médica permite organizar os atendimentos com prioridade técnica, garantindo que os recursos sejam direcionados da forma mais rápida e eficiente possível. O uso do 192 é essencial para preservar vidas.” — Cesar Neves, secretário de Estado da Saúde.

O custo invisível das ligações falsas para a saúde pública

Um gargalo histórico que ainda desafia a operação no estado são os trotes. A legislação brasileira enquadra a interrupção ou perturbação de serviço telegráfico, radiotelegráfico ou telefônico como crime, mas a prática persiste, gerando um custo humano incalculável.

Cada linha ocupada por uma brincadeira de mau gosto ou uma falsa denúncia significa uma ligação real colocada em espera. Mais grave ainda é quando o engodo consegue superar a triagem primária, mobilizando equipes de socorristas, médicos e motoristas para endereços inexistentes, enquanto um paciente real pode estar sofrendo uma parada cardiorrespiratória em outro ponto da cidade.

Passo a passo: como agir de forma correta ao acionar o 192

Para evitar falhas na comunicação e garantir que o socorro chegue sem atrasos, siga rigorosamente as diretrizes operacionais do atendimento de emergência:

Mantenha a calma para conseguir falar com clareza e ouvir as instruções;

Informe imediatamente a localização exata, incluindo rua, número, bairro e um bom ponto de referência;

Relate quantas vítimas estão envolvidas e se elas estão conscientes e respirando;

Jamais ofereça água, comida ou qualquer tipo de medicamento aos feridos;

Em caso de acidentes de trânsito, sinalize a pista com o triângulo de emergência ou galhos de árvores para evitar engavetamentos;

Verifique se há riscos no local, como fios de alta tensão rompidos ou vazamento de combustível, e avise o atendente;

Se o médico regulador identificar uma parada cardíaca, inicie as compressões torácicas seguindo o ritmo orientado por ele no telefone.

O que você precisa saber em resumo

  • O número de chamados emergenciais subiu 4,5% nos primeiros meses de 2026, ultrapassando 420 mil registros no estado, exigindo maior precisão da população ao pedir ajuda.
  • Nem toda ligação envia uma viatura; o médico regulador avalia a gravidade e pode resolver o caso com instruções via telefone, como ocorre em crises de ansiedade.
  • Trotes e informações incompletas atrasam o deslocamento, prejudicando quem corre risco iminente de morte, como vítimas de infarto e acidentes severos.
Corrida contra o tempo: Samu registra alta de atendimentos no PR
(Foto: Divulgação SESA-PR)

Com informações de Agência de Notícias da Secretaria de Segurança Pública do Paraná


Alfredo R. Martins Jr. é jornalista e a voz principal do Jornal O Paranaense. Formado em Comunicação Social com especializações em Marketing e Gestão de Comunicação, possui mais de 17 anos de experiência na análise do cenário paranaense. Sua missão é traduzir a complexidade da política, economia e cultura do estado em informação clara, acessível e relevante para o leitor.
Alfredo R. Martins Jr.
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