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Vinte anos da Lei Maria da Penha evidenciam abismo entre os direitos garantidos e a proteção nas ruas

Vinte anos da Lei Maria da Penha evidenciam abismo entre os direitos garantidos e a proteção nas ruas

(Foto: Rovena Rosa)

Vinte anos da Lei Maria da Penha evidenciam abismo entre os direitos garantidos e a proteção nas ruas


A legislação transformou o enfrentamento à violência de gênero no país, mas a carência de estrutura nos municípios deixa muitas vítimas desamparadas ao buscar ajuda governamental.

Hoje, uma mulher que sofre violência doméstica e decide buscar ajuda encontra uma rede jurídica desenhada especificamente para protegê-la — um cenário impossível há exatas duas décadas. A possibilidade de afastar o agressor do lar, solicitar medidas de distanciamento e ter o Estado intervindo diretamente dentro de casa mudou para sempre a forma como o Brasil lida com agressões familiares.

No entanto, o marco de 20 anos da sanção da lei expõe uma dura realidade constatada pelas autoridades de direitos humanos: ter a regra em vigor não basta se o socorro especializado não chega a todas as regiões.

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A evolução da defesa da mulher e os gargalos estruturais atuais

Antes de agosto de 2006, o sistema judiciário julgava agressões contra parceiras em juizados especiais criminais. Era comum que o caso fosse tratado como crime de menor potencial ofensivo, e a punição para o agressor frequentemente se resumia ao pagamento de cestas básicas.

A promulgação da nova legislação acabou com essa banalização, tornando-se um marco reconhecido internacionalmente. A Organização das Nações Unidas (ONU) chegou a classificar o documento brasileiro como uma das três melhores leis do mundo voltadas ao tema.

Apesar do texto inovador, o debate levado a cabo por especialistas em direitos humanos aponta para um obstáculo crônico: a aplicabilidade plena das normas. O gargalo se concentra na falta de recursos financeiros repassados aos estados, na insuficiência de capacitação contínua para agentes de segurança e na escassez de centros de referência, fatores que impedem a legislação de sair do papel em sua totalidade. Para compreender melhor onde buscar amparo e como acionar as autoridades de plantão na sua região,

O cenário da rede de atendimento ao público feminino no Paraná

Ao observar o território paranaense, a disparidade estrutural fica evidente quando comparamos grandes polos urbanos com cidades afastadas. Curitiba é uma das cidades que se destaca pelo modelo da Casa da Mulher Brasileira, um espaço integrado que concentra em um único endereço serviços de delegacia, Ministério Público, Defensoria Pública e acolhimento psicológico.

Essa facilidade, contudo, não reflete o cotidiano da maioria das cidades do interior do estado. Em dezenas de municípios, as vítimas ainda dependem de delegacias comuns para registrar boletins de ocorrência, onde o plantão policial nem sempre conta com agentes treinados para um atendimento humanizado, o que pode gerar a revitimização.

Para tentar contornar a distância física, o governo estadual tem apostado na ampliação de ferramentas tecnológicas ao longo dos últimos anos, como o aplicativo do Botão do Pânico, que permite às mulheres com medidas protetivas acionarem a Polícia Militar de forma imediata via celular.

Ferramentas legais que a vítima tem à disposição hoje

A eficácia na defesa da vida da vítima depende da rapidez com que o Estado consegue intervir após a denúncia. A legislação garante ações emergenciais que podem e devem ser exigidas nas unidades policiais de todo o país:

Medidas protetivas de urgência: Ordem judicial que proíbe o contato físico, telefônico ou digital do agressor, estipulando um limite mínimo de distância.

Afastamento cautelar do lar: O agressor é forçado pelas autoridades a deixar a residência imediatamente, garantindo que a mulher e os filhos possam permanecer em casa.

Proteção do patrimônio: Ferramentas para evitar que o agressor destrua bens, retenha documentos da vítima ou dilapide contas bancárias conjuntas.

Encaminhamento para casas-abrigo: Nos casos de risco iminente de feminicídio, a mulher é transferida para endereços sigilosos sob a guarda do Estado.

A aplicabilidade da lei depende da criação de juizados especiais, delegacias e centros de atendimento. O desafio está em fazer com que essa rede de serviços chegue a todas as mulheres, especialmente àquelas que vivem distantes das capitais.” — Posicionamento central de especialistas em Direitos Humanos em balanço das duas décadas da lei.

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O que você precisa saber em resumo

  • A Lei Maria da Penha completa 20 anos abolindo a época em que agressores domésticos eram punidos apenas com penas alternativas, como cestas básicas.
  • O maior obstáculo atual para a eficácia plena da lei é estrutural: faltam orçamento, delegacias exclusivas e profissionais capacitados na maior parte das cidades brasileiras.
  • No Paraná, a diferença no atendimento é gritante: enquanto Curitiba possui complexos integrados de proteção, o interior ainda lida com a falta de unidades especializadas e depende cada vez mais de ferramentas digitais de socorro.

Com informações de Agência Brasil


Alfredo R. Martins Jr. é jornalista e a voz principal do Jornal O Paranaense. Formado em Comunicação Social com especializações em Marketing e Gestão de Comunicação, possui mais de 17 anos de experiência na análise do cenário paranaense. Sua missão é traduzir a complexidade da política, economia e cultura do estado em informação clara, acessível e relevante para o leitor.
Alfredo R. Martins Jr.
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