(Foto: Marcelo Camargo)
Greve nacional paralisa agências bancárias hoje
Mobilização nacional de 24 horas afeta as principais unidades do centro da capital, mas o atendimento presencial nos bairros e na Região Metropolitana segue normalizado nesta quinta-feira (20).
Se você planeja resolver pendências financeiras no centro de Curitiba nesta quinta-feira (20), é melhor reorganizar a sua agenda. Mais de 40 agências bancárias da região central amanheceram de portas fechadas devido a uma paralisação nacional da categoria, que teve início logo às 5h da manhã.
Por outro lado, quem precisa de atendimento nas unidades de bairro ou nos municípios da Região Metropolitana não enfrentará problemas, pois os serviços nessas áreas continuam operando normalmente.
Motivos da paralisação e os impasses
A suspensão temporária dos atendimentos reflete a insatisfação direta dos trabalhadores após quase dois meses de negociações infrutíferas com as instituições financeiras. De acordo com a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf), até o momento, os bancos não apresentaram nenhuma proposta de índice de reajuste.
Nesse sentido, a categoria formulou um pacote de exigências e estabeleceu as seguintes reivindicações centrais para destravar o acordo:
- Aumento real de salários e valorização dos pisos gerais da categoria;
- Reajuste imediato nos vales refeição e alimentação;
- Melhorias nas regras de Participação nos Lucros e Resultados (PLR);
- Criação de um piso salarial específico para os trabalhadores de tecnologia (TI).
Além disso, a recusa patronal em debater essas demandas gerou um clima de urgência às vésperas de mais uma rodada de conversas.
O cenário local e os direitos ameaçados
No âmbito estadual, a mobilização ganha força como uma resposta tática aos banqueiros. Cristiane Zacarias, presidente do Sindicato dos Bancários e Financiários de Curitiba, detalhou que a categoria precisou rejeitar propostas recentes que ameaçavam modificar direitos adquiridos, afetando planos de saúde e benefícios.
Sendo assim, o ato de 24 horas funciona como um aviso contundente antes da próxima reunião, agendada para segunda-feira (24). A postura no Paraná acompanha o tom de lideranças nacionais, que reforçam o peso do trabalho da categoria nos resultados bilionários do setor.
“Não sairemos desta campanha sem a justa valorização dos bancários, que construíram o lucro de R$ 171 bilhões dos bancos em 2025. Uma grande paralisação é fundamental para pressionar os banqueiros a apresentarem uma boa proposta na próxima negociação”, declarou Neiva Ribeiro, coordenadora do Comando Nacional.
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Lucros recordes e a pressão do mercado
O descontentamento da categoria é inevitavelmente impulsionado pelo desempenho financeiro estrondoso do mercado no último ano. Com isso, os bancários fazem questão de destacar que o patrimônio líquido das instituições atingiu a marca histórica de R$ 1,2 trilhão em 2025. A Contraf também ressalta que o lucro anual por empregado chega a R$ 438 mil.
Contudo, a fatia desse montante repassada aos trabalhadores encolheu drasticamente ao longo das últimas décadas: enquanto em 1995 os bancos privados distribuíam um percentual de PLR que alcançava 14%, a média de 2025 caiu para apenas 5,9%.
Consequentemente, a pressão por um repasse mais justo atinge seu ápice nesta semana. Em resposta ao cenário de tensão e portas fechadas, a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) manifestou-se oficialmente informando que recebeu a pauta de reivindicações em 24 de junho e que as negociações seguem o cronograma.
A federação disse esperar alcançar um entendimento satisfatório em breve, enquanto líderes sindicais curitibanos já alertam que a falta de avanços pode desencadear paralisações prolongadas nos próximos dias.
Com informações de Agência Brasil
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