(Foto: Divulgação PCPR)
Polícia desarticula quadrilha do Cajuru comandada de prédios de luxo
Chefe da quadrilha comandava a venda de entorpecentes à distância, escondido em prédios de luxo e bairros nobres da capital paranaense.
A rotina de moradores da região conhecida como “Rua do Meio”, no bairro Cajuru, em Curitiba, era marcada pelo fluxo contínuo e disfarçado da venda de cocaína e maconha. Com isso, a insegurança e o medo se tornavam problemas diários para as famílias que vivem na comunidade. Contudo, essa realidade violenta sofreu um forte impacto nesta quinta-feira (20), quando a Polícia Civil do Paraná (PCPR) deflagrou uma grande operação para desarticular a associação criminosa responsável pelo esquema.
Nesse sentido, a ação policial revelou um contraste gritante da criminalidade moderna: enquanto a venda de drogas causava transtornos diretamente na periferia curitibana, o líder da organização ostentava uma vida de luxos bem longe das ruas.
Consequentemente, as autoridades investigaram seus rastros e o localizaram em um prédio de alto padrão na cidade de Balneário Camboriú, no litoral de Santa Catarina, onde o homem acabou detido. Além disso, as investigações apontaram que o chefe do tráfico também mantinha residências em bairros nobres de Curitiba, gerenciando o caixa do crime à distância.
Como funcionava a estratégia de entregas
Para manter o negócio ilícito ativo sem levantar suspeitas durante abordagens de rotina, os criminosos precisaram inovar na logística. De acordo com o delegado Victor Loureiro Mattar Assad, responsável pelo caso, o grupo se aproveitava do fluxo intenso da economia atual para camuflar o transporte dos entorpecentes. Sendo assim, intermediários acionavam entregadores de aplicativos para transportar as drogas, que circulavam pela cidade cuidadosamente embaladas como se fossem presentes.
Por outro lado, o controle territorial dos pontos de venda físicos, no coração do Cajuru, ficava a cargo de gerentes operacionais de rua. Surpreendentemente, muitos desses indivíduos monitoravam e comandavam a venda diária enquanto usavam tornozeleiras eletrônicas, desafiando a fiscalização do sistema penal.
Lavagem de dinheiro e empresas de fachada
Além de combater o tráfico formiguinha, o foco da polícia foi mirar diretamente no bolso da organização para secar seu capital de giro. Para absorver as dezenas de milhares de reais que o vício alheio gerava todos os meses, a quadrilha havia estruturado um sistema robusto de lavagem de dinheiro. Nesse cenário, o bando constituía empresas de fachada utilizando nomes de laranjas, maquiando os valores ilícitos como se fossem lucros de negócios legítimos.
Diante do volume financeiro descoberto pela inteligência policial, a Justiça determinou uma dura intervenção no patrimônio dos criminosos. Para desidratar a associação de forma definitiva, o cumprimento das medidas judiciais incluiu:
- Cumprimento de 24 mandados, sendo 9 de prisão preventiva e 15 de busca e apreensão.
- Bloqueio imediato de contas bancárias do grupo, com saldo retido que pode chegar a R$ 1 milhão.
- Sequestro de diversos veículos de luxo adquiridos para facilitar a lavagem de capital.
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O alcance da operação na capital e região
A princípio, o desmantelamento da quadrilha só foi possível graças a denúncias anônimas repassadas por moradores que não suportavam mais o domínio do crime na região do Cajuru. A partir desses relatos, o trabalho investigativo amarrou as pontas soltas até mapear a liderança isolada na praia catarinense.
Por fim, o cerco desta quinta-feira ocorreu simultaneamente em múltiplos endereços para não dar chance de fuga ao grupo. Além da capital paranaense e de Santa Catarina, os policiais cumpriram mandados nas cidades de Piraquara e São José dos Pinhais, na Região Metropolitana.
Desse modo, todos os celulares, documentos e veículos apreendidos passarão agora por perícia técnica. O objetivo principal é extrair novos dados que apontem para bens ocultos e outros membros da rede criminosa que ainda tentem operar na capital.

Com informações de Agência de Notícias da Polícia Civil do Paraná
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