(Foto: Elza Fiuza)
Clima favorável faz produção de cana disparar nas lavouras do PR
Com clima favorável, expansão dos canaviais paranaenses promete maior oferta de biocombustível nas bombas e aquece a economia local
Para o motorista paranaense que para no posto de combustíveis, a matemática entre gasolina e etanol deve ficar mais amigável nos próximos meses. Isso acontece porque as lavouras de cana-de-açúcar no Paraná e no restante do país estão registrando um desempenho expressivo, o que impacta diretamente a oferta e, consequentemente, a estabilidade dos preços nas bombas. Nesse sentido, a expansão do setor sucroenergético ganha força, tornando o biocombustível uma escolha cada vez mais vantajosa para o consumidor local.
Historicamente, o estado tem se consolidado como um polo estratégico. Dados recentes apontam que o Paraná registrou uma alta expressiva de 15,5% na moagem de cana no último ciclo do Centro-Sul. Além disso, o Departamento de Economia Rural (Deral) já observava que a cultura vem conquistando espaços valiosos no campo paranaense, inclusive avançando sobre antigas áreas de soja. Com isso, a região Sul do país — puxada fortemente pela produtividade do Paraná — tem uma expectativa de colheita na casa de 37,3 milhões de toneladas para a atual safra.
Chuvas regulares beneficiam canaviais paranaenses
A explicação para esse cenário positivo passa, invariavelmente, pelo clima. Ao contrário das estiagens severas que prejudicaram a produtividade em anos anteriores, as chuvas ocorreram com maior regularidade ao longo de 2026 em solo paranaense. Sendo assim, o monitoramento agroclimático projeta um excelente desenvolvimento das plantas. Contudo, o grande volume de matéria-prima no campo exigirá atenção redobrada das usinas, já que precipitações mais frequentes podem provocar interrupções pontuais no ritmo de colheita.
Apesar dos potenciais desafios logísticos, a forte produção garante não apenas o etanol para o transporte urbano, mas também a geração de energia elétrica a partir da queima do bagaço. Consequentemente, essa engrenagem fortalece a balança comercial dos municípios, gerando empregos diretos e indiretos nas agroindústrias. Para entender mais sobre como o agronegócio movimenta o interior do estado, acompanhe nossa cobertura regional.
Cenário nacional acompanha o otimismo
Por outro lado, o bom momento não é exclusividade das usinas paranaenses. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) divulgou nesta quinta-feira (20) o 2º Levantamento da Safra de Cana-de-açúcar 2026/2027, estimando uma produção nacional de 705,2 milhões de toneladas. Na prática, isso representa um crescimento de 4,7% em relação à safra anterior.
Durante a apresentação dos dados, a estatal confirmou que o panorama climático deste ano foi o grande fiel da balança para a recuperação do setor. Conforme explicou a autoridade responsável pelo acompanhamento do estudo:
“Diferente da safra anterior, os índices pluviométricos dessa safra estiveram mais próximos do normal.” — Fabiano Vasconcellos, gerente de Acompanhamento de Safras da Conab.
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Etanol bate recorde e supera o foco no açúcar
Com a abundância de matéria-prima disponível nas lavouras, as indústrias precisaram recalcular a rota de fabricação. Sendo assim, a destinação da cana nesta safra focará de maneira intensa na produção de etanol, deixando o açúcar ligeiramente em segundo plano.
Dessa forma, a produção de biocombustível deve bater um recorde histórico no Brasil, enquanto a fabricação de açúcar sofrerá uma leve retração. Veja como ficará a divisão da safra segundo os dados oficiais da Conab:
- Etanol total: 41,88 bilhões de litros produzidos, um aumento impulsionado tanto pelo esmagamento da cana quanto pela forte alta do etanol de milho.
- Etanol hidratado (abastecido diretamente nos tanques): 26,64 bilhões de litros.
- Etanol anidro (usado para mistura na gasolina): 15,24 bilhões de litros.
- Açúcar: 42,89 milhões de toneladas (o que representa uma redução de 2,9% em comparação ao ciclo passado).
Por fim, mesmo com a menor destinação da matéria-prima para o adoçante, a eficiência do campo brasileiro neutraliza eventuais perdas comerciais no exterior. De acordo com Vasconcellos, o patamar atual de moagem “ainda assim mantém o Brasil na sua posição de relevância na produção de açúcar”. Desse modo, toda a cadeia produtiva — desde o agricultor no campo até o motorista na cidade — sai ganhando com um mercado altamente abastecido e competitivo.

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