(Foto: Divulgação)
Antigo cinema de rua de Curitiba reabre como palco para grandes turnês
Novo Cine Lido reabre no Centro de Curitiba com shows de Caetano e Marisa Monte
A dinâmica noturna da região central muda a partir da última semana de agosto. Moradores e turistas ganham uma nova rota de entretenimento que vai movimentar o comércio local e aumentar a circulação de pedestres à noite. Essa mudança prática ocorre devido à inauguração do Cine Lido, um complexo cultural instalado na Rua Desembargador Ermelino de Leão. O espaço substitui as antigas salas de exibição por uma estrutura modular adaptada para apresentações ao vivo.
A transformação do imóvel histórico reflete uma tentativa do mercado de reocupar o coração de Curitiba. O prédio agora comporta até 2,5 mil espectadores divididos em três pavimentos principais. O piso térreo funciona como pista premium para aproximar o artista do público, enquanto o primeiro andar abriga lounges e camarotes adaptáveis. Logo acima, o segundo piso acomoda a plateia superior, oferecendo uma visão panorâmica das apresentações.
A inauguração histórica e o auge em 1959
A história do imóvel remonta ao dia 17 de setembro de 1959, quando o empresário Henrique Oliva inaugurou o espaço. Naquela época, o endereço consolidou a chamada “Cinelândia” de Curitiba, uma região central que fervilhava com a cultura cinematográfica. O espaço já nasceu como um marco arquitetônico, considerado o cinema mais moderno da capital paranaense em seu ano de estreia.
O evento de abertura exibiu a superprodução de Hollywood “Guerra e Paz”, um longa-metragem dirigido por Henry King e protagonizado pela atriz Audrey Hepburn. Durante as décadas seguintes, frequentar o local representava um programa completo para as famílias e casais da cidade. As sessões ditavam a vida social da época, mantendo uma intensa circulação noturna no centro muito antes do surgimento dos grandes centros comerciais fechados.
O declínio das salas de rua e o fechamento
A dinâmica de consumo de entretenimento mudou drasticamente no final dos anos 1990. A expansão das redes de multiplex dentro dos shoppings centers retirou gradativamente o público das ruas. O cinema manteve suas portas abertas durante algum tempo e chegou a passar por uma reforma que dividiu o espaço original em duas salas menores, com 550 e 350 lugares, além de criar áreas comerciais no antigo hall.
Mesmo com as adaptações físicas, o empreendimento não conseguiu competir com os novos formatos de consumo. Nos seus últimos anos de operação comercial regular, o local entrou em decadência e restringiu sua grade para filmes adultos, até encerrar as atividades como cinema na década de 2000. O prédio atravessou um longo período de inatividade, aguardando um projeto que justificasse sua reabertura estrutural.
Estrutura física e resgate da memória urbana
O projeto arquitetônico manteve características originais da fachada, mas incorporou infraestrutura contemporânea de áudio e luz. Com 3 mil metros quadrados de área construída e um pé-direito de 18 metros, o complexo atende a especificações técnicas exigidas por grandes turnês. A gestão do local reúne empresários de duas produtoras ativas no mercado regional: Planeta Brasil Entretenimento e SevenX.
A escolha do endereço obedece a uma lógica de revitalização voltada ao turismo cultural urbano. O espaço carrega apelo histórico para moradores que frequentaram o antigo cinema de rua ao longo das décadas passadas. A reativação desse ponto comercial combate o esvaziamento imobiliário registrado em várias quadras da área central. Os investidores planejam manter um fluxo constante de eventos para atrair diferentes perfis de consumidores.
Agenda de inauguração esgota ingressos rapidamente
A procura por entradas consumiu rapidamente os lotes disponíveis para os primeiros quatro dias de operação. O calendário começa na quarta-feira (26) sob o comando de Caetano Veloso, cujos bilhetes entraram em fase final de vendas. Na quinta-feira (27), Marisa Monte sobe ao palco com lotação máxima já atestada pelas bilheterias virtuais.
“Agora, queremos que o espaço volte a ocupar o lugar que merece, com grandes nomes e diferentes públicos. Caetano Veloso, Marisa Monte, Sven Väth e Fresno representam momentos, estilos e gerações muito diferentes, e essa diversidade traduz o que imaginamos para o Cine Lido: uma casa aberta a experiências e manifestações culturais diversas, mas que também respeita a importância que esse lugar já teve para a cidade.” — Gian Zambon, sócio do empreendimento.
Essa transição de estilos avança na sexta-feira (28), quando a casa recebe o DJ alemão Sven Väth. No sábado (29), o som da banda Fresno testa a potência acústica das novas instalações diante do público jovem. A venda de acessos para as datas restantes ocorre diretamente pela plataforma Ticketmaster.

Expansão do calendário de eventos até novembro
A direção do complexo definiu um cronograma de médio prazo mesclando música pop, rock, sertanejo e MPB. Essa grade diversificada garante o uso contínuo do prédio e dilui os custos de manutenção da estrutura. A tática insere o endereço no roteiro das principais agências artísticas do país.
Abaixo, a relação de apresentações confirmadas após a semana inaugural:
- 11 de setembro: Zé Ramalho
- 12 de setembro: Tiago Iorc
- 23 de outubro: Maiara e Maraísa
- 30 de outubro: Capital Inicial
- 01 de novembro: Victor & Leo
- 06 de novembro: Ana Carolina
- 19 de novembro: Gilsons
- 28 de novembro: Os Garotin
Impacto direto na dinâmica do centro
A circulação de milhares de pessoas em horários noturnos impõe novas dinâmicas aos arredores da rua Ermelino de Leão. Estabelecimentos gastronômicos e estacionamentos vizinhos tendem a estender seus turnos de serviço para absorver a clientela dos shows. A movimentação frequente força as autoridades de segurança a intensificarem o patrulhamento preventivo na malha urbana local.
Além da oferta cultural, o empreendimento injeta capital na economia criativa do município. A agenda fixa exige a contratação contínua de técnicos, seguranças, produtores e equipes de limpeza. O modelo comprova a capacidade técnica de Curitiba para sediar grandes espetáculos fora dos eixos periféricos tradicionais.
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