(Foto: Pedro Ribas)
Curitiba prepara projeto de R$ 1,2 bi para aterrar fiação elétrica
Projeto municipal pretende acabar com cabos aéreos no centro de Curitiba
Moradores e comerciantes da área central de Curitiba enfrentam constantes quedas de energia elétrica e oscilações no sinal de internet. A alta concentração de árvores nas calçadas entra em conflito direto com a fiação aérea durante os vendavais, resultando em galhos rompidos sobre a rede.
Paralelamente, o aumento das ocorrências criminais de furto de cabos de cobre gera prejuízos diários e paralisa serviços básicos nas vias comerciais. Para eliminar essas vulnerabilidades estruturais, o poder público elabora um projeto focado em transferir as redes elétricas e de telecomunicações para galerias subterrâneas.
A execução dessa intervenção de infraestrutura apresenta um alto custo financeiro e operacional. O orçamento preliminar para a fase inaugural das obras exige o montante de R$ 1,2 bilhão. O escopo geográfico mapeado engloba 120 quilômetros de ruas pavimentadas, concentrando os trabalhos iniciais no Centro e nos bairros adjacentes.
O planejamento operacional prioriza locais com alta densidade habitacional, polos de atração turística e trechos viários que registram apagões frequentes. A abertura das galerias exigirá interdições temporárias de trânsito e a posterior repavimentação das rotas afetadas.
Protocolo entre município e governo federal inicia estudos técnicos
A Prefeitura de Curitiba contratou análises de viabilidade econômica junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social. O acordo assinado nesta terça-feira (25) estabelece a modelagem de uma Parceria Público-Privada (PPP) específica para o setor energético e de dados.
A condução interna do planejamento fica a cargo da Pars, empresa responsável pela estruturação de projetos estratégicos do município. Os relatórios técnicos que nortearão a futura licitação possuem prazo de conclusão estipulado para o final de novembro.
O histórico urbanístico da capital abriga experiências pontuais e bem-sucedidas com dutos subterrâneos, a exemplo do calçadão da Rua XV de Novembro. A expansão desse modelo para vias arteriais de grande fluxo demanda uma capacidade de investimento que supera a atual margem do orçamento público. A adoção de uma concessão gerida pela iniciativa privada figura como a engrenagem principal para atrair o capital bilionário necessário para tirar a obra do papel.
Entraves contratuais e regulação do setor elétrico
A operação civil confronta uma ampla rede de contratos vigentes entre o governo federal e as concessionárias de serviços privados. O plano de negócios obriga a harmonização das diretrizes operacionais estabelecidas pela Agência Nacional de Energia Elétrica e pela Agência Nacional de Telecomunicações.
As empresas provedoras de internet e a distribuidora estadual de eletricidade precisarão adequar suas redes físicas para operar exclusivamente no subsolo. A atual legislação do país não determina de forma exata quem financia os custos para o compartilhamento de dutos públicos, gerando um gargalo jurídico.
A estruturação dessa política pública paranaense servirá como um ambiente de testes regulatório em escala nacional. Conforme a modelagem econômica ganhe forma no estado, a esfera federal planeja criar um projeto de lei dedicado exclusivamente ao enterramento de fios urbanos. O texto legal pretende blindar as operações contra instabilidades jurídicas, assegurando o retorno financeiro para os fundos de investimentos participantes das futuras concessões viárias.
“Enterrar a fiação é caro e urgente. O preço que as cidades estão pagando é alto, como São Paulo, onde a população fica três, quatro dias sem internet por conta de eventos climáticos. A ideia é envolver Itaipu, BNDES, governo federal e Curitiba para que a capital paranaense possa inspirar outras cidades a fazer o mesmo.” – Aloizio Mercadante, presidente do BNDES
Tramitação burocrática e integração de dados técnicos
A Secretaria de Administração e Tecnologia da Informação gerencia o cumprimento do cronograma dentro da administração municipal. A pasta fornece os mapeamentos topográficos da cidade e os diagnósticos do subsolo para a equipe de consultoria técnica da instituição financeira.
Sessões regulares de trabalho definem a formatação financeira do edital, calculando a taxa de rentabilidade da concessionária vencedora. O lucro da operadora do sistema poderá advir do aluguel do espaço físico para as operadoras de telefonia ou de pagamentos mensais provenientes do tesouro municipal.
Descarbonização do transporte coletivo avança em paralelo
O evento governamental também oficializou a liberação de R$ 380 milhões do Fundo Clima para ações de mobilidade urbana local. A verba garante a aquisição de 80 ônibus elétricos, alocados inicialmente nas rotas do Inter 2, Interbairros I e Interbairros II. O repasse cobre ainda a construção de um complexo de recarga de baterias nas redondezas do Terminal Capão da Imbuia. A liberação oficial do montante aguarda apenas a sanção definitiva da Secretaria do Tesouro Nacional.
A substituição progressiva da frota movida a diesel compõe o núcleo do novo sistema de transporte público, concebido pelo Ippuc e gerenciado pela Urbs. O processo de concorrência estipula R$ 3,9 bilhões em injeção de capital ao longo de 15 anos de operação nas ruas. O leilão das linhas ocorre na Bolsa de Valores em 17 de novembro, segmentado em cinco blocos operacionais que cobrem tanto os eixos de alta capacidade quanto as rotas de alimentação dos bairros.
As cláusulas de renovação da frota exigem as seguintes entregas das viações concorrentes:
- Aquisição gradativa de 250 ônibus com motorização totalmente elétrica até o ano de 2031.
- Início imediato do contrato com a rodagem de 90 veículos movidos a bateria.
- Configuração da nova frota elétrica com 141 modelos biarticulados, 98 articulados, 7 categoria Padrón e 4 unidades comuns.
- Instalação de equipamentos de climatização interna e câmeras de monitoramento integral nos veículos recém-adquiridos.
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Com informações de Agência de Notícias da Prefeitura de Curitiba
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