(Foto: Divulgação Facebook)
Ratinho Junior deixa Palácio Iguaçu para tentar levar Sandro Alex ao 2º turno
Darci Piana assume a chefia do Palácio Iguaçu com o desafio de gerenciar os estragos climáticos e a máquina estadual
A partir desta quinta-feira (17), a gestão das rodovias estaduais, a resposta a desastres naturais e o comando da máquina pública do Paraná mudam de mãos. O vice-governador Darci Piana assume o Palácio Iguaçu no exato momento em que mais de 20 mil paranaenses tentam se recuperar dos estragos causados por tempestades recentes. A transição ocorre porque o governador Ratinho Junior confirmou o afastamento do cargo para se dedicar em tempo integral à campanha eleitoral.
O objetivo central do licenciamento é alavancar a candidatura de Sandro Alex à sucessão estadual. O calendário eleitoral impõe limites rigorosos de participação para quem ocupa cargos no Executivo. Fora da cadeira de governador, Ratinho Junior ganha liberdade para realizar agendas no horário comercial e viajar pelos municípios sem as amarras da função pública.
Essa movimentação acontece a exatas duas semanas do primeiro turno, marcado para 4 de outubro. O cenário exige pressa dos governistas, que enxergam a necessidade de consolidar o nome de Sandro Alex no interior do estado para tentar garantir uma vaga no segundo turno. A corrida contra o relógio define o ritmo do grupo político nas próximas semanas.
Impacto climático e a reação da oposição
A saída temporária do governador forneceu argumentos imediatos para os adversários políticos em plena reta final de campanha. O estado contabiliza os prejuízos de frentes frias severas e da influência do El Niño, que atingiram 72 cidades apenas nos últimos dias. Deslizamentos e inundações mobilizam equipes de resgate diuturnamente, enquanto o Simepar projeta volumes de chuva acima da média para todas as regiões paranaenses até o fim de setembro.
Durante uma entrevista televisiva para a RPC, o candidato Requião Filho utilizou a crise climática para fustigar a decisão governamental. Ao ser abordado sobre as medidas de socorro aos municípios afetados pelas águas, ele ironizou a ausência do chefe do Executivo no comando direto da crise.
“Parece que não, né? Porque o governador até tirou licença.”
A crítica também reverbera no centro nervoso da política estadual. Frequentadores da tradicional Boca Maldita, no calçadão de Curitiba, passaram a apontar o volume de ausências do governador ao longo de seus mandatos. A licença anunciada serve como combustível extra para o debate público sobre as prioridades da gestão em momentos de vulnerabilidade da população.
A disputa voto a voto pelo segundo turno
O esforço direto de Ratinho Junior tenta reverter um cenário numérico dominado pelo ex-juiz Sergio Moro. Levantamentos recentes de institutos como Quaest, Paraná Pesquisas e Neokemp indicam Moro na liderança isolada, oscilando entre 37% e 48% das intenções de voto. Requião Filho e Sandro Alex travam uma batalha direta pela segunda posição, com o candidato do PDT numericamente à frente na maioria das sondagens.
Para justificar a imersão total na disputa de rua, Ratinho Junior destacou o tempo restrito para o contato com o eleitorado.
“Vou me licenciar. A partir de amanhã eu vou me licenciar, porque a campanha é uma campanha muito curta”
A entrada oficial do governador na campanha intensifica os ataques direcionados ao líder das pesquisas. Sandro Alex, que já atua na ofensiva, foi multado em R$ 15 mil pelo Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) por impulsionamento de propaganda negativa contra Moro. A estratégia agora envolve viagens conjuntas da cúpula governista para tentar transferir o capital político da atual gestão ao ex-secretário de Infraestrutura.
O cálculo de reciprocidade na esquerda paranaense
Enquanto os candidatos disputam os votos nas ruas, os bastidores organizam cenários para um possível segundo turno entre Requião Filho e Sergio Moro. Grupos de eleitores progressistas começaram a exigir um compromisso prévio do grupo de Sandro Alex. A base dessa cobrança remonta à eleição municipal de 2024 em Curitiba, quando setores da esquerda apoiaram Eduardo Pimentel no segundo turno para evitar a vitória de Cristina Graeml.
Os militantes argumentam que a reciprocidade deve ser a regra caso o nome do governo estadual não avance para a etapa final. A dinâmica dos grupos de discussão reflete a tentativa de isolar Sergio Moro a qualquer custo.
“Agora que temos grande chance de colocar o Requião Filho no segundo turno é a vez deles mostrarem que são contra o Moro e nos apoiarem!”
A viabilidade desse acordo informal, no entanto, esbarra no histórico recente de Sandro Alex. Durante um evento de campanha na cidade de Toledo, o candidato fez questão de reafirmar seus laços diretos com o ex-presidente Jair Bolsonaro.
“Quando eu e Sperafico caminhávamos juntos com o Bolsonaro, porque não traímos o Bolsonaro”
Essa declaração esfria a tese de uma união orgânica entre os campos opostos. Alguns eleitores progressistas já classificam tanto Moro quanto Sandro como opções completamente inviáveis para seu campo político. A definição de eventuais alianças formais dependerá exclusivamente do resultado das urnas, quando os paranaenses definirão as duas forças que seguirão no jogo pelo comando do estado.
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