(Foto: Elizabeth Franz)
Democratas denunciam plano de Trump para favorecer Flávio Bolsonaro nas urnas
Parlamentares americanos e entidades civis brasileiras apontam retaliações diplomáticas e ameaça à soberania nas vésperas do pleito presidencial.
Trinta e um parlamentares do Partido Democrata dos Estados Unidos formalizaram uma denúncia ao secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, acusando o governo de Donald Trump de coordenar uma operação para interferir nas eleições presidenciais brasileiras de outubro de 2026.
A carta, entregue na quinta-feira (24), soma-se a alertas emitidos pela ABC (Academia Brasileira de Ciências), pela SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência) e pelo Instituto Vladimir Herzog, que também acionaram o STF (Supremo Tribunal Federal) contra a ameaça à soberania nacional.
As supostas ações do governo estadunidense já geram impactos diplomáticos severos, incluindo a imposição de tarifas sobre produtos brasileiros e o cancelamento do visto da embaixadora do Brasil nos Estados Unidos, Maria Luiza Viotti. Os democratas afirmam que essas medidas buscam favorecer o candidato Flávio Bolsonaro e pressionar o Estado brasileiro após a condenação de Jair Bolsonaro a mais de 27 anos de prisão.
Retaliações econômicas e sanções a ministros
A carta do partido de oposição a Trump lista medidas extremas adotadas por Washington contra instituições brasileiras. O documento cobra explicações de Marco Rubio sobre a aplicação da Lei Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes, do STF, e a classificação de facções como Comando Vermelho e PCC na lista de organizações terroristas estrangeiras.
Os parlamentares norte-americanos também questionam a nomeação de Darren Beattie como assessor sênior para o Brasil. O funcionário teve sua entrada no território nacional barrada em março deste ano, quando tentava visitar Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar.
Cientistas e inteligência confirmam vulnerabilidade
A comunidade científica brasileira endossou o temor de desestabilização democrática. A ABC e a SBPC publicaram uma nota conjunta alertando que o uso indevido de plataformas digitais e pressões econômicas afetam a livre formação de vontade dos eleitores. As instituições baseiam sua preocupação em um relatório da Abin (Agência Brasileira de Inteligência), finalizado em agosto, que projeta uma escalada nas investidas de Washington sobre o pleito de outubro.
O cenário pautou o discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Assembleia Geral das Nações Unidas, realizada na terça-feira (22). O chefe de Estado criticou as investidas neocoloniais e a divisão do mundo em zonas de influência, rejeitando o que chamou de ingerência externa em países da América Latina e do Caribe.
Pressão preventiva no Supremo Tribunal Federal
A articulação internacional contra o processo eleitoral brasileiro motivou um pedido formal de proteção judicial. O presidente do Instituto Vladimir Herzog, Rogério Sottili, enviou um ofício ao ministro Edson Fachin, presidente do STF, relatando que lideranças nos Estados Unidos dão como certa a recusa de Trump em reconhecer os resultados das urnas no Brasil. O alerta foi emitido no dia 19 de agosto, após a conclusão de uma agenda de Sottili no exterior.
A entidade pede que a Corte atue de forma preventiva para resguardar a atuação da OEA (Organização dos Estados Americanos), evitando que o órgão ceda a pressões políticas. O ofício adverte que um eventual questionamento externo sobre a votação pode servir de combustível para ataques internos à ordem democrática e à independência do Judiciário.
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Com informações de Agência Brasil
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