(Foto: Denis Ferreira Netto)
Caso Pico Paraná: Estado usa incidente para reforçar protocolos e fiscalização em Unidades de Conservação
Decreto federal e multa de R$ 10 mil: Estado endurece discurso contra acesso ilegal em parques após resgate
O alívio pelo resgate com vida do jovem de 20 anos, encontrado nesta segunda-feira (5) após cinco dias desaparecido no Pico Paraná, traz à tona um alerta urgente do Instituto Água e Terra (IAT): as regras de acesso às Unidades de Conservação (UCs) não são burocracia, mas medidas de segurança vitais.
Segundo o órgão, o jovem e seus companheiros acessaram o parque por uma entrada secundária, fora do horário permitido e sem preencher o cadastro obrigatório. Essa falha dificultou o início das buscas, já que o IAT não tinha o registro oficial da presença do grupo na montanha.
Como funciona o “Check-in” da segurança
Para visitar os parques estaduais, é obrigatório passar pela base do IAT. O processo funciona como um controle de tráfego aéreo, mas para trilheiros:
- Na Entrada: O visitante fornece dados pessoais, telefone, contato de emergência e horário de início.
- Na Saída: É crucial dar “baixa” no cadastro.
“É com o cadastro que conseguimos saber quando as pessoas entraram. A partir da baixa na saída, e do tempo médio das trilhas, podemos saber se a pessoa ainda está lá ou se é necessário acionar o resgate”, explica Jean Alex dos Santos, gerente de Áreas Protegidas do IAT.
Multa de até R$ 10 mil
Além do risco de vida, burlar as regras pesa no bolso. O IAT lembra que adotar condutas em desacordo com os regulamentos da UC (como entrar por trilhas clandestinas ou sem cadastro) é infração sujeita a multas que variam de R$ 500 a R$ 10.000, conforme decreto federal.
Montanha exige preparo e equipamentos
Em UCs montanhosas como o Pico Paraná, o rigor é maior. No ato do cadastro, o visitante assina um termo de ciência de risco.
Os funcionários verificam se o trilheiro possui:
- Preparo físico e saúde adequados;
- Vestimentas corretas para o frio e terreno;
- Equipamentos de segurança (lanternas, pilhas, apitos);
- Água e alimentação suficientes.
A recomendação expressa é nunca entrar sozinho — o ideal são grupos de no mínimo três pessoas — e contratar guias caso não conheça o terreno.
Alerta sobre a “Trilha Proibida”
O IAT esclareceu ainda que o caminho percorrido pelo jovem para chegar a Antonina (região do Cacatu) não faz parte da área de uso público e tem acesso proibido.
“Esse trajeto é extremamente perigoso devido ao terreno íngreme, possibilidade de cabeças d’água e mata fechada, colocando em risco o visitante e as equipes de resgate”, alerta Marina Rampim, chefe do Parque Estadual Pico Paraná. O órgão já trabalha para bloquear e sinalizar melhor esses acessos secundários para evitar novas tragédias.

Com informações de Agência de Notícias do Governo do Paraná
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