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Com petróleo em alta, Índia pede que população não compre ouro e adie viagens

Com petróleo em alta, Índia pede que população não compre ouro e adie viagens

Primeiro-ministro resgata táticas da pandemia para reduzir o consumo de combustível e frear o impacto econômico do conflito no Oriente Médio sobre o país.

O primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, fez um apelo urgente e incomum à população neste domingo (10): retomar o trabalho remoto e as reuniões online. O motivo principal, no entanto, não é sanitário, mas estritamente econômico. Com os preços globais de energia nas alturas devido à escalada de tensões no Oriente Médio, a Índia tenta conter a saída desenfreada de dólares dos seus cofres públicos.

Durante um discurso na cidade de Secunderabad, no estado de Telangana, Modi pediu que cidadãos e empresas adotem medidas drásticas de economia. A Índia, que hoje é o terceiro maior importador de petróleo do mundo (comprando de fora cerca de 80% do que consome), encontra-se em uma posição de extrema vulnerabilidade frente aos choques do mercado internacional.

O peso da guerra no bolso indiano

A preocupação do governo não ocorre por acaso. Com a instabilidade na rota global de comércio e a alta das tensões na região do Golfo, o preço do barril de petróleo bruto disparou, ultrapassando a marca de US$ 126 no mercado internacional.

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Para que a gasolina e o diesel não subissem de forma absurda para a população local, as petroleiras indianas e o governo têm absorvido prejuízos bilionários todos os meses. Contudo, essa estratégia pressiona diretamente as reservas de divisas estrangeiras do país e desvaloriza a moeda local (a rúpia).

Para tentar aliviar essa conta, o primeiro-ministro decidiu pedir a ajuda da população, usando o “manual” da pandemia de Covid-19:

Durante o período da pandemia, desenvolvemos muitos sistemas de trabalho em casa, reuniões online e videoconferências, e nos acostumamos com eles. As exigências dos tempos atuais são para que retomemos esses sistemas. Precisamos priorizar o home office novamente. É pelo interesse nacional que devemos usar gasolina e diesel com moderação.”

Modi também enfatizou o uso do transporte coletivo. Ele recomendou que os moradores de cidades equipadas com metrô priorizem os trens, sugeriu a organização de caronas para quem ainda precisa usar veículos particulares e incentivou o uso de carros elétricos.

Muito além da gasolina: menos ouro e turismo interno

Para proteger a economia do país em meio à tempestade global, o líder indiano foi além dos combustíveis e pediu uma mudança de comportamento nos hábitos de consumo da classe média. O objetivo é evitar gastar moeda estrangeira com produtos que não são de primeira necessidade no momento.

Entre as principais medidas solicitadas por Modi, destacam-se:

  • Pausa na compra de ouro: A Índia é um dos maiores compradores de ouro do planeta, muito focado na indústria de casamentos. O primeiro-ministro fez um forte apelo para que as famílias adiem a compra de joias por, pelo menos, um ano.
  • Fim das viagens internacionais: O governo pediu que a população cancele férias no exterior e os badalados casamentos fora do país. A recomendação é fortalecer o turismo doméstico e manter o dinheiro circulando internamente.
  • Ajustes na alimentação e no campo: Modi sugeriu que as famílias reduzam o consumo de óleo de cozinha (que também pesa na balança de importações) e instruiu os agricultores a cortarem pela metade a dependência de fertilizantes químicos importados, voltando-se para alternativas naturais e orgânicas.

Patriotismo na rotina financeira

Enquanto nações vizinhas, como Bangladesh e Sri Lanka, precisaram impor o racionamento oficial de combustíveis ou reduzir à força os dias de trabalho, o governo de Nova Délhi aposta no engajamento cívico. A mensagem central da administração de Modi é que o patriotismo atual se reflete diretamente nas escolhas financeiras do cotidiano.

Ao cortar deslocamentos desnecessários e frear o consumo de luxo importado, a população indiana se torna uma peça ativa para tentar amortecer a maior crise de energia dos últimos anos.

Com informações de Agência Brasil


Alfredo R. Martins Jr. é jornalista e a voz principal do Jornal O Paranaense. Formado em Comunicação Social com especializações em Marketing e Gestão de Comunicação, possui mais de 17 anos de experiência na análise do cenário paranaense. Sua missão é traduzir a complexidade da política, economia e cultura do estado em informação clara, acessível e relevante para o leitor.
Alfredo R. Martins Jr.
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