Primeiro-ministro britânico afirma que o país “não será arrastado para a guerra”. Recusa de europeus e do Japão irrita o presidente americano, que chamou aliados de “covardes” e ameaçou retaliações na Otan.
O anúncio de um bloqueio naval liderado pelos Estados Unidos no Estreito de Ormuz expôs uma profunda fratura entre os aliados ocidentais. Nesta segunda-feira (13), o primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, recusou publicamente a participação britânica na ofensiva militar proposta pelo presidente americano, Donald Trump, para estrangular portos iranianos.
A crise escalou rapidamente após o fracasso das negociações de paz em Islamabad, no Paquistão, no último fim de semana. O Comando Central dos EUA anunciou que bloquearia “imparcialmente” embarcações que entrassem ou saíssem de portos iranianos no Golfo Pérsico e no Golfo de Omã. A Casa Branca contava com o apoio de uma coalizão internacional, mas esbarrou no temor de uma guerra de grandes proporções.
A incerteza geopolítica gerou um choque imediato no mercado financeiro global. O preço do barril de petróleo tipo Brent disparou cerca de 5,5% nesta segunda-feira, voltando ao patamar crítico de US$ 100.
“Não seremos arrastados para a guerra”
Em entrevista à rede BBC, Starmer foi categórico sobre a posição de Londres, contrariando a expectativa americana.
“Minha decisão foi muito clara: qualquer que seja a pressão, e tem havido uma pressão considerável, não vamos ser arrastados para a guerra”, declarou o premiê britânico.
A Marinha do Reino Unido manterá seus navios caça-minas e sistemas antidrone operando no Oriente Médio, mas as tropas não serão usadas no bloqueio ofensivo contra o Irã.
Em uma via paralela à de Washington, o Reino Unido e a França articulam uma alternativa diplomática. O presidente francês, Emmanuel Macron, anunciou que organizará “nos próximos dias” uma conferência internacional para debater a restauração da liberdade de navegação em Ormuz. “Essa missão [será] estritamente defensiva, separada das partes beligerantes do conflito”, pontuou Macron em suas redes sociais.
A fúria de Trump e a cautela do Japão
A negativa europeia provocou a ira de Donald Trump. O presidente americano reagiu duramente ao recuo, chamando os países aliados de “covardes” e chegando a ameaçar, mais uma vez, o abandono dos Estados Unidos à Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte).
A pressão americana também mira o Japão, um dos maiores importadores de petróleo do Golfo Pérsico. Contudo, Tóquio preferiu adotar um tom cauteloso. O chefe de gabinete do governo japonês, Minoru Kihara, defendeu a desescalada do conflito. “O mais importante é garantir a segurança da navegação e chegar a um acordo final por meio da diplomacia o mais rápido possível”, disse Kihara ao Japan Times.
O xadrez global: China, Rússia e a ameaça do Irã
Enquanto os aliados dos EUA hesitam, o bloco oriental se movimenta nos bastidores. Na semana passada, o Conselho de Segurança da ONU viu a Rússia e a China vetarem uma resolução — apresentada pelo Bahrein — que autorizaria o uso da força internacional para reabrir o Estreito de Ormuz.
Pequim responsabiliza a ofensiva militar pela crise no abastecimento global. “A causa principal da perturbação no Estreito de Ormuz é o conflito militar. Para resolver a questão, o conflito deve cessar o mais rápido possível”, declarou Guo Jiakun, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China.
No centro da disputa, as Forças Armadas da República Islâmica do Irã emitiram um duro alerta. Teerã prometeu retaliações diretas contra portos de nações inimigas no Golfo Pérsico e no Mar de Omã caso a segurança de suas próprias áreas costeiras seja violada, prometendo bloquear definitivamente a passagem de navios ocidentais pelo estreito.
O peso de Ormuz na economia: A tensão atual coloca a economia mundial em risco de colapso logístico. Antes da eclosão da guerra, o Estreito de Ormuz registrava a passagem de aproximadamente 20 milhões de barris de petróleo por dia. Estima-se que cerca de 20% de todo o petróleo e gás natural consumidos no planeta transitem por esta via estreita.
Com informações de Agência Brasil
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