(Foto: Wolfgang Rattay)
Corte internacional sofre sanções dos EUA no dia do Nobel da Paz
A decisão de Washington corta recursos do tribunal e coloca o país em rota de colisão diplomática com aliados europeus.
O governo dos Estados Unidos impôs sanções abrangentes ao Tribunal Penal Internacional (TPI) nesta sexta-feira (9), limitando transações financeiras e operações da instituição.
A medida anunciada pelo secretário de Estado Marco Rubio ocorre poucas horas após a sul-africana Navi Pillay, ex-juíza do tribunal, ser laureada com o Prêmio Nobel da Paz de 2026. A retaliação norte-americana intensifica o atrito com parceiros da União Europeia e países-membros da Otan.
Na prática, a decisão pune empresas que prestam serviços ao tribunal, forçando o encerramento de contas bancárias, cancelamento de seguros e interrupção de suporte de software. Essa pressão afeta diretamente a logística operacional do TPI, sediado na Holanda, que depende de infraestrutura tecnológica e financeira internacional para conduzir suas investigações de crimes de guerra.
Preparação contra o estrangulamento financeiro
A direção do tribunal já previa uma ofensiva de Washington há meses. Para mitigar os danos, a equipe de tecnologia substituiu softwares corporativos por sistemas de código aberto e buscou alternativas independentes para serviços bancários essenciais. A vice-promotora do TPI, Nazhat Shameem Khan, garantiu que os trabalhos prosseguem normalmente.
“As sanções visam minar o Estado de Direito em nível internacional e o trabalho que uma instituição judiciária independente está realizando. Nosso trabalho continuará em todas as situações, investigações e ações judiciais”, afirmou Nazhat Shameem Khan.
Origem das tensões diplomáticas
A hostilidade norte-americana contra a corte internacional concentra-se na emissão de mandados de prisão contra autoridades de nações aliadas, como o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu. O descontentamento também envolve apurações sobre as ações de militares dos Estados Unidos no Afeganistão.
Reação europeia e o peso do prêmio
O reconhecimento internacional do comitê norueguês a Navi Pillay, que atuou na Câmara de Apelações do TPI entre 2003 e 2008, foi justificado como uma defesa das instituições jurídicas sob ataque político. A jurista declarou na Alemanha que o mundo corre o risco de retroceder a um sistema comandado pela força bruta, e não pela lei.
Diante da crise, líderes europeus articulam mecanismos de proteção à corte. O primeiro-ministro holandês, Rob Jetten, e o presidente do Conselho da União Europeia, António Costa, anunciaram medidas conjuntas para garantir o funcionamento da instituição. Existe um prazo de seis meses até que as restrições entrem totalmente em vigor, janela considerada essencial para eventuais negociações.
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Com informações de Agência Brasil
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