(Foto: Luiz Pacheco)
Restauro salva imagem de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais, padroeira de Curitiba
Escultura histórica de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais retorna ao acervo de arte sacra com novas descobertas científicas sobre sua composição.
Os moradores de Curitiba poderão reencontrar uma das peças mais antigas da história da capital paranaense ainda neste mês de setembro. A escultura de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais passa pelos últimos ajustes de um minucioso processo de restauro. O término dos trabalhos coincide com o mês de celebração da padroeira, devolvendo ao público uma relíquia religiosa e museológica do século XVIII.
O destino final da peça de 60 quilos é o Museu de Arte Sacra da Arquidiocese de Curitiba (Masac). O equipamento cultural abriga o acervo histórico da cidade e será o ponto de reencontro fixo entre a população e o artefato.
A iniciativa mobilizou 15 profissionais, incluindo historiadores, químicos e conservadores. O financiamento ocorre pelo mecanismo de Mecenato Subsidiado, gerido pela Fundação Cultural de Curitiba. A partir do retorno da estátua ao circuito expositivo, a equipe organizará palestras e visitas guiadas para explicar os métodos de preservação aplicados no resgate da obra.
Parceria científica revela materiais raros na estrutura
Antes de aplicar qualquer intervenção, o projeto uniu forças com o Laboratório de Espectrometria de Massas e Quimiometria da UFPR para mapear os materiais originais da escultura. Os pesquisadores descobriram que a base de preparação da peça leva branco de chumbo, um elemento atípico para o formato daquela época. A técnica aparecia com maior frequência em pinturas bidimensionais para gerar profundidade, o que adiciona um valor técnico peculiar à estátua.
Além do branco de chumbo, as análises radiográficas detectaram a presença de pigmento azul da prússia. Embora a substância não crave o ano exato de fabricação, ela entrega pistas concretas sobre os recursos disponíveis no período colonial. Esse rigor analítico impede que tintas utilizadas em reparos antigos prejudiquem a integridade da base original.
“A iconografia dessa imagem é bastante diferente, com detalhes que não vejo em outras imagens, como o xale que cobre a santa.” – Ana Eliza Caniatti, conservadora e restauradora
Respeito às marcas do tempo e imperfeições históricas
O trabalho da equipe foca na higienização da superfície e na estabilização dos pigmentos antigos, sem camuflar as perdas físicas causadas pelos séculos. Os dedos quebrados do Menino Jesus ou da própria imagem principal permanecerão no estado atual. A falta de registros visuais sobre a posição exata das mãos impede a reconstrução das extremidades, evitando falsificações na leitura documental da obra.
“O fato de ela ser um documento museal também define muito do processo de restauro.” – Gilmar Kaminski, produtor do projeto.
As decisões sobre quais camadas de tinta remover passam por testes práticos alinhados com a equipe de Patrimônio Cultural da Prefeitura de Curitiba. A diretriz adotada estabelece que as ranhuras e os danos na terracota funcionam como um registro material de época, comprovando a longevidade e as condições de armazenamento do objeto ao longo dos últimos 300 anos.
O trajeto da relíquia até o acervo definitivo
A rota dessa imagem ajuda a documentar a própria expansão urbana da capital. Encomendada em Portugal no ano de 1716, a escultura cruzou o oceano para marcar a inauguração da antiga Igreja Matriz, terreno onde hoje opera a Catedral Basílica Menor. O percurso da peça sofreu uma alteração brusca no final do século XIX, gerando um hiato temporal em sua exibição ao público.
- 1720: A imagem chega a Curitiba e ocupa o altar principal da matriz durante quase dois séculos.
- 1894: Um vigário transferido para a Lapa leva a obra consigo antes da demolição da antiga igreja, retirando a peça dos registros centrais da arquidiocese.
- 1970: Pesquisadores localizam a escultura preservada na residência de uma moradora da Lapa, recuperando o artefato de forma definitiva.
- Atualidade: A obra consolida sua posição como a segunda representação mais antiga da padroeira na cidade, ficando atrás apenas da primeira estátua trazida em 1640, que hoje permanece sob guarda do Museu Paranaense.
Acervo do Masac abriga a memória material da capital
A imagem centenária de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais integra o acervo do Museu de Arte Sacra da Arquidiocese de Curitiba (Masac). O projeto de recuperação da escultura ganhou tração em 2022, exato momento em que o espaço fechou as portas temporariamente para passar por suas próprias obras de restauro. Com a finalização dos trabalhos na peça de terracota prevista para setembro, a estátua retorna ao local para o reencontro com o público.
A administração do equipamento cultural ocorre sob a gerência da Fundação Cultural de Curitiba. O museu funciona como o principal guardião de documentos, paramentos e obras de arte que narram a evolução religiosa e urbana da cidade desde o período colonial. O retorno da imagem da padroeira motiva uma nova dinâmica de funcionamento no espaço ao longo dos próximos meses.
Até o fim do ano, a instituição promoverá palestras e roteiros de visitas guiadas focados em explicar o processo técnico e científico de restauração da estátua. A estratégia transforma a exibição da segunda imagem mais antiga da padroeira em uma aula prática sobre a preservação da história de Curitiba.
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Com informações de Agência de Notícias da Prefeitura de Curitiba
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