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Motosserra estatal e crise externa: Milei mira 21 mil servidores e ataca eleição no Brasil

Motosserra estatal e crise externa: Milei mira 21 mil servidores e ataca eleição no Brasil

(Foto: Divulgação A.N.A.Latina)

Motosserra estatal e crise externa: Milei mira 21 mil servidores e ataca eleição no Brasil


Argentina corta vagas públicas permanentes enquanto atritos diplomáticos com o governo brasileiro se intensificam

O presidente Javier Milei publicou o Decreto 1.203 para cortar até 21 mil servidores federais na Argentina por meio de um plano de demissão voluntária com extinção definitiva das vagas.

A medida aprofunda a política de ajuste fiscal da Casa Rosada iniciada no fim de 2023 e atinge trabalhadores próximos da aposentadoria, ao mesmo tempo em que novas declarações do mandatário argentino contra as eleições do Brasil geraram forte reação do Itamaraty.

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Na prática, o enxugamento estatal reduz postos de atendimento ao cidadão argentino e soma-se ao fechamento prévio de mais de 77 mil empregos no funcionalismo vizinho.

No campo externo, a postura beligerante de Milei contra as urnas eletrônicas brasileiras afasta os dois maiores sócios comerciais da América do Sul e tensiona a cooperação bilateral a poucos dias da votação em território vizinho.

As regras da nova rodada de demissões estatais

A medida assinada pelo Executivo estabelece a saída de três grupos da Administração Pública Nacional, blindando apenas as Forças Armadas e as carreiras de inteligência e segurança. O programa mira trabalhadores entre 58 e 64 anos ou que já tenham preenchido as regras previdenciárias vigentes.

O plano oferece indenização de um salário por ano de serviço prestado ao Estado e uma remuneração de 60% do vencimento mensal pelos três anos seguintes. O ministro da Desregulação e Transformação do Estado, Federico Sturzenegger, determinou que os optantes ficarão proibidos de retornar a cargos públicos pelos próximos oito anos, mecanismo desenhado para vetar a recontratação de pessoal.

Os representantes sindicais contestam a voluntariedade da iniciativa oficial. O secretário-geral da ATE (Associação dos Trabalhadores do Estado), Rodolfo Aguiar, acusou as chefias de constranger os empregados a assinarem a saída sob ameaça de demissão sumária.

“Se é realmente voluntário, por que estão ameaçando os trabalhadores? Se há intimidação, então o consentimento não é livre. As declarações dos funcionários são como: ‘Ou você assina os papéis da aposentadoria ou eu te coloco em licença e depois te demito’.”

A entidade sindical orientou os quadros estatais a rejeitarem o texto governamental, citando o risco de colapso no atendimento básico à população e o desamparo previdenciário já verificado em programas similares ocorridos na década de 1990.

Impactos fiscais e deterioração dos postos de trabalho

O governo central contabiliza o fechamento de 77,5 mil postos públicos entre dezembro de 2023 e agosto de 2026, projetando uma redução de despesas de US$ 3,2 bilhões. Os cortes abrangeram:

  • 44,7 mil vagas na administração pública direta e indireta (recuo de 21,8% no quadro global);
  • 21,6 mil postos nas companhias estatais argentinas (queda de 23,7%);
  • 11,1 mil desligamentos nas corporações de defesa e segurança.

A contração do Estado coexiste com indicadores de enfraquecimento da atividade econômica privada. A taxa de desemprego na Argentina atingiu 7,9% no primeiro semestre de 2026, segundo o instituto Indec. Levantamentos do Cepa apontam que o país registrou a extinção de 31,3 mil empresas registradas e o fechamento líquido de 245 mil empregos com carteira assinada em 31 meses.

Ruptura diplomática com Brasília atinge nível crítico

Paralelamente às medidas administrativas internas, a política externa da Argentina abriu novo impasse com o governo brasileiro após manifestações de Milei nas redes sociais atacando o processo eleitoral e a integridade das urnas eletrônicas.

O Itamaraty emitiu nota repudiando as insinuações e qualificou a declaração como inadmissível ingerência externa sobre a soberania nacional. O documento diplomático ressaltou que observadores internacionais atestaram a segurança do sistema eletrônico e classificou a conduta como incompatível com as obrigações de um chefe de Estado.

O atrito aprofundou uma crise que já havia provocado a saída dos embaixadores de ambos os países em agosto. Atualmente, a representação mútua opera apenas no nível de encarregado de negócios, o escalão mais baixo das relações diplomáticas formais, cenário que fragiliza o diálogo entre duas economias historicamente integradas pelos polos automobilístico e manufatureiro.

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Motosserra estatal e crise externa: Milei mira 21 mil servidores e ataca eleição no Brasil
(Foto: Divulgação A.N.A.Latina)

Com informações de Agência Brasil


Alfredo R. Martins Jr. é jornalista e a voz principal do Jornal O Paranaense. Formado em Comunicação Social com especializações em Marketing e Gestão de Comunicação, possui mais de 17 anos de experiência na análise do cenário paranaense. Sua missão é traduzir a complexidade da política, economia e cultura do estado em informação clara, acessível e relevante para o leitor.
Alfredo R. Martins Jr.
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