(Foto: Divulgação Reuters)
Novo sistema de pagamentos e mercado de grãos lideram acordos do Brics na Índia
Líderes do bloco aprovam criação de plataforma agrícola, expansão do banco de desenvolvimento e iniciativas tecnológicas abertas para nações emergentes.
As transações financeiras internacionais e o comércio de alimentos caminham para uma reestruturação profunda nos próximos anos. Os países que integram o Brics aprovaram a criação de mecanismos de pagamentos transfronteiriços baseados em moedas locais, operando com princípios similares aos do sistema brasileiro Pix. Essa mudança barateia as operações comerciais e diminui a dependência de infraestruturas financeiras tradicionais.
No setor tecnológico e agrícola, o grupo desenhou um mercado integrado para facilitar as exportações e reduzir os custos de produção. A China liderará a implementação de uma Zona de Código Aberto de Inteligência Artificial, permitindo o treinamento e o desenvolvimento compartilhado de grandes modelos de linguagem entre os membros do bloco. Em paralelo, a aprovação da Brics Grain Exchange estabelece uma plataforma própria para a comercialização de grãos, impactando diretamente a logística e os preços dos alimentos nos mercados emergentes.
Expansão do financiamento e papel do Sul Global
O Novo Banco de Desenvolvimento (NDB) recebeu a diretriz de ampliar o uso de moedas locais em suas operações e diversificar suas fontes de crédito. Os chefes de Estado autorizaram a análise de novos pedidos de adesão à instituição financeira, buscando aumentar os fundos disponíveis para projetos de infraestrutura. A estratégia envolve a criação de uma Zona Econômica Especial do Brics e a realização de um fórum focado em serviços comerciais no próximo ano, com o objetivo de cultivar um mercado unificado.
Hoje, o bloco engloba o Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia e Irã. Essas 11 nações detêm 39% da economia mundial e concentram 48,5% da população do planeta. A expansão de membros reflete a busca pela consolidação do Sul Global como força predominante nas decisões macroeconômicas, com o objetivo de transformar uma ordem mundial historicamente centralizada.
Posição brasileira e reforma do Conselho de Segurança
A pauta diplomática brasileira avançou na cobrança pela reestruturação da Organização das Nações Unidas. O texto final da 18ª Cúpula, realizada em Nova Délhi, oficializa o apoio chinês e russo ao pleito do Brasil e da Índia por maior representatividade nas decisões de segurança global. A declaração defende que as instituições de governança atuais não refletem a configuração geopolítica moderna e precisam integrar os países em desenvolvimento.
“Reiteramos nosso apoio a uma reforma abrangente da ONU, incluindo seu Conselho de Segurança, com o objetivo de torná-lo mais democrático, representativo, eficaz e eficiente, além de ampliar a representação dos países em desenvolvimento em sua composição.”
Tensões no Oriente Médio e compromissos sociais
O encontro também articulou uma aproximação diplomática direta na região do Golfo Pérsico. Em meio aos combates envolvendo Estados Unidos, Irã, Arábia Saudita e grupos como os houthis, representantes de alto nível do Irã e dos Emirados Árabes Unidos realizaram reuniões bilaterais para debater o arrefecimento das hostilidades. Os países assinaram uma resolução conjunta exigindo moderação máxima diante da escalada militar no Oriente Médio.
O alinhamento político do grupo se estende aos compromissos da Agenda 2030, colocando a erradicação da pobreza como diretriz central das políticas públicas. Os governantes apontaram que as desigualdades internas e externas formam a base dos atuais desafios internacionais, exigindo maior presença feminina em cargos de liderança. O bloco articula uma frente comum pela reforma da Organização Mundial do Comércio, exigindo um sistema multilateral livre de barreiras tarifárias arbitrárias.
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Com informações de Agência Brasil
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