(Foto: Coordenação-Geral de RP)
Perfis presidenciais: os candidatos progressistas nas eleições de 2026
Conheça as biografias e propostas de Lula, Rui Costa Pimenta, Samara Martins, Edmilson Costa e Hertz Dias na disputa pela Presidência em 2026.
O eleitorado do Paraná enfrentará um cenário fragmentado na hora de conhecer os candidatos à Presidência da República em 2026. A legislação eleitoral vigente aplica a cláusula de barreira, regra que exige desempenho mínimo nas urnas para liberar o acesso ao tempo gratuito de rádio e televisão. Como resultado prático, grande parte das legendas precisará estruturar suas campanhas fora dos meios de comunicação tradicionais.
Compreender o perfil dos candidatos exige que a população de cidades como Curitiba e Londrina busque ativamente informações nas redes sociais e em ações de rua. O espectro político de esquerda ilustra bem essa disparidade de recursos. O cenário apresenta desde o atual chefe do Executivo com amplo tempo de tela até lideranças de legendas sem representação no Congresso que apostam na mobilização de base.

Luiz Inácio Lula da Silva e a prioridade em pautas sociais
Luiz Inácio Lula da Silva detém a maior fatia de propaganda obrigatória e tenta estender sua permanência no comando do Executivo federal. Aos 80 anos, o candidato do Partido dos Trabalhadores (PT) mantém a chapa vitoriosa do pleito anterior ao lado do vice Geraldo Alckmin (PSB). A plataforma de sua campanha foca na ampliação de políticas sociais, no combate à fome e na intervenção do Estado para impulsionar o desenvolvimento econômico.
A biografia do atual presidente tem raízes na migração nordestina e no movimento sindical. Natural de Garanhuns, ele se formou torneiro mecânico pelo Senai e ingressou no mercado de trabalho como metalúrgico. Lula ganhou projeção nacional ao presidir os sindicatos do ABC paulista durante as grandes greves da década de 1970. Ele liderou as paralisações que marcaram o processo de redemocratização do país.
Essa mobilização de trabalhadores culminou na fundação do PT no ano de 1980. O candidato engajou-se na campanha das Diretas Já e garantiu uma cadeira de deputado federal em 1986. Após acumular sucessivas tentativas ao Planalto, conquistou a primeira vitória em 2002. Governou o Brasil entre 2003 e 2010 e retornou ao cargo em 2023, consolidando-se como o primeiro político eleito três vezes para a Presidência da República.

Rui Costa Pimenta e a defesa histórica do comunismo
O Partido da Causa Operária (PCO) lança o jornalista Rui Costa Pimenta, de 69 anos, para a disputa nacional. Ele compõe a chapa com o professor Antônio Carlos Silva, integrante da mesma legenda. A base de sua campanha sustenta os ideais do socialismo e do comunismo. O candidato concentra sua divulgação na internet, onde apresenta o programa Análise Política Semanal e edita o jornal impresso da sigla.
Pimenta possui uma herança familiar ligada diretamente à militância, pois é neto de João Jorge Costa Pimenta, um dos fundadores do Partido Comunista no Brasil. O ingresso na vida política ocorreu em 1976 durante o ativismo estudantil na ditadura militar. O jornalista chegou a dirigir centros acadêmicos na Universidade de São Paulo (USP) e ocupou a presidência da Central Única dos Trabalhadores (CUT) em 1985.
A trajetória do candidato cruzou com a de Lula na década de 1980, período em que Pimenta também participou da fundação do PT. Contudo, as divergências ideológicas entre os militantes da causa operária e a direção petista forçaram um rompimento em 1992. Esse distanciamento motivou a criação do PCO em 1995, partido que obteve registro definitivo no ano seguinte após uma campanha nacional de filiações.

Samara Martins e a mobilização da Unidade Popular
A renovação geracional no campo progressista ganha forma na candidatura de Samara Martins Feitosa, de 38 anos. A cirurgiã-dentista representa o partido Unidade Popular (UP), tendo Raquel Brício como vice. Natural de Belo Horizonte, a candidata atua profissionalmente no Sistema Único de Saúde (SUS). Ela construiu sua base de apoio nos movimentos secundaristas mineiros e assumiu o cargo de diretora de mulheres da União Nacional dos Estudantes (UNE).
O nome de Samara alcançou destaque nacional durante as eleições de 2022. Naquela ocasião, ela disputou a vice-presidência na chapa encabeçada por Leonardo Péricles. A composição marcou a história política recente por registrar a única candidatura ao Planalto formada exclusivamente por pessoas negras.
A UP surgiu oficialmente em 2016 e mantém bandeiras anticapitalistas claras. A sigla estrutura suas ações contra os privilégios das classes mais ricas e foca o plano de governo nas demandas da juventude, das mulheres e da população periférica. Sem acesso aos blocos de televisão, a candidata concentra seus esforços no trabalho presencial para divulgar suas propostas.

Edmilson Costa aposta na experiência acadêmica pelo PCB
O eleitor que buscar alternativas marxistas precisará migrar para as mídias digitais para conhecer as propostas de Edmilson Costa. O Partido Comunista Brasileiro (PCB) confirmou o economista maranhense de 76 anos para a disputa ao Planalto. Ele divide a chapa com a candidata a vice Cleusa Santos e mantém o controle das diretrizes da sigla no cargo de secretário-geral.
A trajetória do candidato une militância política ativa desde a década de 1980 e forte produção intelectual. Costa formou-se em jornalismo pela Universidade Federal do Maranhão (Ufma) e obteve o título de doutor em economia pela Unicamp nos anos 1990. Sua pesquisa acadêmica de doutorado concentrou-se na análise crítica da política salarial brasileira.
O histórico eleitoral do professor acumula experiências em disputas majoritárias nas últimas duas décadas. Ele concorreu à prefeitura de São Paulo em 2008 pelo próprio PCB. Pouco tempo depois, retornou às urnas para disputar a vice-presidência da República em 2010, compondo a chapa liderada pelo colega de partido Ivan Pinheiro.

Hertz Dias une educação e cultura popular na chapa do PSTU
O Partido Socialista dos Trabalhadores Unificados (PSTU) lança o professor de história Hertz da Conceição Dias para dialogar com a classe trabalhadora. Aos 55 anos, o candidato natural de São José de Ribamar concorre ao lado da vice Vanessa Portugal. Sem cadeiras no Congresso Nacional e sem vereadores eleitos em 2024, a legenda depende da mobilização orgânica em grandes polos do Paraná para contornar a ausência na TV.
Dias atua ativamente na rede pública de ensino maranhense e possui mestrado em educação. Suas linhas de pesquisa investigam as relações entre cultura, racismo, juventude e organização popular em áreas periféricas. Ele amplia seu diálogo com os jovens utilizando a cultura hip hop e atua profissionalmente como rapper.
A presença do professor nas urnas reflete uma estratégia recorrente do PSTU de marcar posição e defender pautas classistas nos debates. O candidato disputou a vice-presidência do Brasil em 2018 na chapa de Vera Lúcia. Nos anos seguintes, ele tentou a prefeitura de São Luís em 2020 e o governo do estado do Maranhão nas eleições de 2022.
Conheça as propostas de cada candidato e acompanhe a próxima análise
O período de campanhas exige atenção redobrada da população paranaense sobre os planos de governo depositados na Justiça Eleitoral. A falta de tempo de propaganda em canais abertos para a maioria das legendas demanda uma pesquisa minuciosa nos portais oficiais de cada partido para garantir um voto consciente. Avaliar a viabilidade técnica e financeira das propostas econômicas de todos os candidatos ajuda a definir os rumos do país pelos próximos quatro anos.
A editoria de política de O Paranaense mantém a publicação contínua dos perfis dos presidenciáveis para auxiliar o leitor nessa triagem de propostas. Retorne ao portal no próximo domingo, 13 de setembro, para ler o artigo exclusivo da nossa cobertura especial de eleições. A próxima reportagem detalha o histórico e os projetos de governo elaborados pelas campanhas de Flávio Bolsonaro (PL), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão).
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Com informações de Agência Brasil
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