(Foto: Michel Chedid)
Petrobras reativa fábrica de fertilizantes em Araucária após seis anos
Após seis anos parada, a unidade de Araucária retoma as atividades para ajudar a diminuir a forte dependência do Brasil na importação de insumos agrícolas.
A Petrobras reiniciou, nesta quinta-feira (30), a produção de ureia na fábrica da Araucária Nitrogenados S.A. (Ansa), localizada na Região Metropolitana de Curitiba. A unidade estava com as atividades paralisadas há seis anos e o seu retorno é um passo importante para o setor agrícola do país.
A ureia é um dos fertilizantes mais utilizados no mundo. No campo, essas substâncias são fundamentais para levar nutrientes às plantas, garantindo o crescimento saudável das lavouras e, consequentemente, aumentando a produção de alimentos que chegam à mesa da população.
O fim da forte dependência externa no agronegócio
Atualmente, o Brasil é um dos maiores consumidores de fertilizantes do planeta, mas importa cerca de 80% de todo o volume que utiliza. Essa dependência do mercado externo se tornou um grande problema recentemente, com a restrição de oferta e o aumento nos preços dos produtos provocados pela guerra na Ucrânia.
O diretor industrial e presidente interino da Ansa, Marcelo dos Santos Faria, destacou que a reabertura da fábrica é uma operação estratégica para proteger a economia brasileira:
“A Ansa volta a produzir ureia em um momento em que ampliar a capacidade interna desse insumo é cada vez mais relevante para o Brasil.”
R$ 870 milhões em investimentos para a reabertura
A fábrica da Ansa é uma subsidiária da Petrobras que estava “hibernada” (termo técnico para paralisada) desde 2020, sob a justificativa de que a operação gerava prejuízos financeiros na época.
A decisão de religar as máquinas foi anunciada no início de 2024. Para garantir que o local voltasse a funcionar com total segurança e eficiência, a Petrobras investiu R$ 870 milhões. O dinheiro foi usado em um longo ciclo de preparação, que envolveu manutenções pesadas, inspeções técnicas rigorosas e testes operacionais.
O que a fábrica de Araucária tem capacidade para produzir
Vizinha da Refinaria Presidente Getulio Vargas (Repar), a unidade utiliza o gás natural como uma de suas principais matérias-primas. A ureia é apenas um dos produtos do portfólio da fábrica paranaense, que já havia retomado a fabricação de outros dois itens importantes para o mercado.
Confira a capacidade de produção anual da unidade de Araucária:
- Ureia (fertilizante agrícola): 720 mil toneladas por ano (o que equivale a cerca de 8% de todo o mercado nacional).
- Amônia (fertilizante): 475 mil toneladas por ano.
- Arla 32: 450 mil metros cúbicos por ano (trata-se de um aditivo líquido obrigatório utilizado em caminhões e ônibus para controlar as emissões de poluentes dos motores a diesel).
Geração de empregos e comemoração dos trabalhadores
O processo de reativação da fábrica movimentou a economia local e gerou mais de 2 mil postos de trabalho durante a fase de obras e manutenção. Agora, com a produção rodando de forma regular, cerca de 700 profissionais atuarão diretamente no local.
A reabertura foi muito celebrada pela Federação Única dos Petroleiros (FUP), que representa os sindicatos de trabalhadores do setor. A coordenadora-geral da FUP, Cibele Vieira, classificou o momento como o maior símbolo de que a luta da categoria valeu a pena.
“É com muita emoção que comemoramos o início da produção. Mesmo que no imediato não conseguimos impedir o fechamento da fábrica, a resistência possibilitou a retomada.”
A estratégia nacional da Petrobras para os fertilizantes
O religamento da fábrica no Paraná não é um caso isolado. A Petrobras está realizando um movimento em todo o país para reassumir o protagonismo no setor de fertilizantes e garantir o abastecimento nacional.
A estatal retomou a produção de outras duas grandes fábricas: a unidade de Laranjeiras, em Sergipe (religada no fim de 2025), e a unidade de Camaçari, na Bahia (religada em janeiro de 2026). Com as operações em Sergipe, Bahia e Paraná funcionando juntas, a Petrobras passará a suprir cerca de 20% do mercado interno de ureia.
A empresa também trabalha na conclusão de uma nova unidade em Três Lagoas (Mato Grosso do Sul), com previsão de abertura em 2029. Quando essa fábrica estiver pronta, a participação da Petrobras no mercado nacional de ureia saltará para 35%.
O diretor de Processos Industriais da companhia, William França, resumiu o impacto dessa estratégia:
“Com as fábricas e, agora, a Ansa em pleno funcionamento, reduzimos a dependência externa de ureia e fortalecemos a cadeia produtiva do agronegócio e da indústria nacional.”

Com informações de Agência Brasil
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