(Foto: Canva)
Influenciador é preso em Pato Branco após vender falsas promessas de fama na internet
Com mais de 45 mil seguidores, suspeito movimentou R$ 3,3 milhões prometendo selos de verificação e espaço na mídia para empresários e líderes religiosos de todo o Brasil.
A busca incessante por autoridade na internet tem criado um terreno fértil para uma nova modalidade de crimes financeiros. Diariamente, empresários, figuras públicas e criadores de conteúdo buscam atalhos para obter selos de autenticidade (os cobiçados “selos azuis”) e espaço na mídia nacional.
O que muitos não percebem é que do outro lado da tela, golpistas utilizam a chamada “prova social” — milhares de seguidores e uma vida de ostentação irreal — para desarmar a vigilância das vítimas e aplicar fraudes que podem destruir orçamentos pessoais e empresariais.
Esse cenário de manipulação psicológica e financeira foi interrompido nesta quarta-feira (13) no interior do Paraná, revelando que a linha entre o marketing de influência e o estelionato pode ser mais tênue do que parece.
O peso da “prova social” como isca para o golpe
O caso que expôs essa ferida digital foi a “Operação Cobrança Final”, deflagrada pela Polícia Civil do Paraná (PCPR), que resultou na prisão preventiva de Felipe Novello Evangelista, de 25 anos, na cidade de Pato Branco, Sudoeste do estado. Ex-jogador profissional de futebol com passagens por clubes como Londrina, Chapecoense e Vasco da Gama, Felipe se reinventou como influenciador digital e “assessor” de imprensa.
Para atrair suas vítimas, ele ostentava um estilo de vida luxuoso e acumulava mais de 45 mil seguidores em suas redes (sendo quase 30 mil apenas no TikTok, onde vídeos ultrapassavam a marca de 1 milhão de visualizações). Essa audiência massiva funcionava como uma garantia visual de que ele era bem-sucedido e confiável.
Entre os principais serviços ilusórios oferecidos pelo investigado estavam:
- Verificação de contas: Promessa de obtenção do selo de autenticidade em diversas redes sociais.
- Inserção na mídia: Venda de supostos espaços para matérias em grandes veículos jornalísticos e plataformas digitais.
- Consultoria financeira: Dicas e direcionamentos para falsos investimentos financeiros.
A Operação Cobrança Final e a teia de ocultação de valores
A investigação, conduzida pelo Núcleo de Investigações Qualificadas (NIQ) da 5.ª Subdivisão Policial de Pato Branco, mostrou que as atividades ilícitas iam muito além da venda de falsas promessas. Quando os sistemas antifraude dos bancos começaram a bloquear as contas do ex-atleta, ele passou a utilizar uma rede de “laranjas”.
Durante a operação, a polícia cumpriu 10 mandados de busca e apreensão contra outros nove suspeitos de cederem contas bancárias para a movimentação e ocultação do dinheiro ilícito. As buscas ocorreram simultaneamente em Pato Branco e Dois Vizinhos, no Paraná, além de Chapecó, em Santa Catarina.
“O homem utilizava a visibilidade nas redes sociais para convencer as vítimas de que possuía ligação com veículos de comunicação e plataformas digitais, oferecendo espaço em matérias jornalísticas e serviços que não eram entregues”, explicou a delegada Alini Simadon, responsável pelo caso.
Como isso afeta o estado do Paraná e a economia local
Embora a operação tenha base no Paraná, o impacto prático deste tipo de crime reverbera em todo o Brasil, drenando recursos que deveriam circular na economia real. A polícia identificou vítimas em pelo menos sete estados: Paraná, Santa Catarina, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia e Distrito Federal.
O impacto financeiro impressiona. Oficialmente, os boletins de ocorrência somam cerca de R$ 200 mil em prejuízos. No entanto, o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) e as investigações bancárias revelaram que o suspeito movimentou mais de R$ 3,3 milhões entre 2022 e 2024 — um valor totalmente incompatível com sua renda declarada.
Para a economia paranaense e nacional, isso representa um desvio milionário para o mercado clandestino. Além disso, as autoridades alertam para o fenômeno da “cifra negra”: a imensa subnotificação de casos.
Muitos empresários e líderes religiosos evitam denunciar os golpes por vergonha, medo de exposição de suas marcas ou devido a ameaças diretas feitas pelo criminoso. Esse silêncio acaba financiando e fortalecendo quadrilhas especializadas.
O contexto legal: estelionato na era digital
Historicamente, o crime de estelionato (Artigo 171 do Código Penal Brasileiro) envolvia o contato físico e a lábia presencial. Com a digitalização, a legislação e as forças de segurança precisaram se adaptar. O estelionato digital possui agravantes, especialmente quando praticado por meio de redes sociais, atingindo múltiplas vítimas de forma simultânea e dificultando o rastreio do dinheiro através de transferências rápidas, como o PIX, para contas de terceiros.
A prisão do influenciador no Paraná serve como um lembrete rigoroso: o sucesso na internet não é sinônimo de idoneidade, e atalhos para a fama digital frequentemente terminam nas delegacias de polícia.
O que você precisa saber em resumo
A Operação: A polícia também mirou 9 “laranjas” em cidades do PR e SC que emprestavam contas bancárias para o golpista esconder o dinheiro desviado das vítimas.
O Golpe: Um ex-jogador de futebol e influenciador foi preso em Pato Branco (PR) por vender falsos selos de verificação e espaço na mídia para empresários de todo o Brasil.
O Prejuízo: Apesar dos registros policiais apontarem R$ 200 mil em perdas, a Polícia Civil descobriu que o suspeito movimentou mais de R$ 3,3 milhões em dois anos.

Com informações de Agência de Notícias da Polícia Civil do Paraná
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