(Foto: Divulgação Reuters)
Protestos no Irã: governo denuncia “ação externa” enquanto manifestações e repressão se intensificam
País persa vive dias de tensão com atos pró e contra o regime, ameaças de intervenção dos EUA, corte de internet e saldo trágico de centenas de mortos e milhares de presos.
O Irã se tornou palco de um cenário complexo e violento neste início de semana. O país, que já vinha enfrentando uma onda de protestos antigovernamentais desde o fim de dezembro, viu a situação escalar nos últimos dias com manifestações a favor do regime, ameaças diretas dos Estados Unidos e um apagão digital que já dura mais de 84 horas.
As ruas de diversas cidades foram tomadas por multidões com pautas opostas, enquanto o número de vítimas cresce de forma alarmante. Segundo dados não oficiais e de ONGs, o saldo de mortos já ultrapassa a casa das centenas.
Atos pró-regime e denúncias de interferência estrangeira
Neste domingo (11) e segunda-feira (12), milhares de iranianos saíram às ruas em apoio à República Islâmica. Os atos serviram para criticar os distúrbios violentos que sacodem o país e, segundo a narrativa oficial, seriam orquestrados por forças externas.
O governo de Teerã tem divulgado vídeos que mostram manifestantes armados e encapuzados praticando vandalismo e atacando forças de segurança. Em entrevista à TV estatal, o presidente Masoud Pezeshkian afirmou que, embora protestos pacíficos sejam tolerados, os atos recentes são obra de “terroristas do estrangeiro”.
“Alguns policiais foram mortos a tiros, alguns foram decapitados, alguns foram queimados vivos. Os terroristas destruíram lojas e o mercado”, declarou o chefe de Estado.
O Ministério das Relações Exteriores do Irã chegou a convocar embaixadores de países que apoiam os protestos para apresentar provas do que chamam de “sabotagem organizada”, acusando a CIA (EUA) e o Mossad (Israel) de incitarem a violência para justificar uma nova guerra.
Ameaça de intervenção militar dos EUA
A tensão geopolítica aumentou após declarações do presidente norte-americano, Donald Trump. No domingo, ele sugeriu que os Estados Unidos consideram intervir militarmente no Irã para “ajudar” os manifestantes.
“Os militares estão analisando, e estamos considerando algumas opções muito sólidas. Tomaremos uma decisão. Talvez tenhamos que agir antes da reunião [com Teerã]”, disse Trump a repórteres.
Para o cientista político e especialista em relações internacionais Bruno Lima Rocha, a retórica de Trump acabou isolando os protestos originais, que começaram por causas econômicas legítimas (aumento do custo de vida).
“Parece que tem uma política de incentivo para elevar o nível de violência e, quem sabe, fazer o país ser atacado de novo. Isso ninguém vai admitir. Isso isola o protesto e fica como se fosse uma traição nacional”, avalia Rocha.
Repressão severa e apagão na internet
Do outro lado, a repressão aos atos antigoverno é brutal. A Guarda Revolucionária, força de elite do país, prometeu intensificar o combate aos “terroristas”. Relatos de médicos e testemunhas apontam o uso de munição letal contra a população.
Segundo o grupo de direitos humanos iraniano HRANA e ativistas, o saldo da violência é trágico:
- Mortos: Estimativas variam de 65 (segundo HRANA) a mais de 500 (segundo outros levantamentos não oficiais e ativistas).
- Presos: Cerca de 2.300 pessoas detidas.
Para dificultar a organização dos atos e o vazamento de informações, o governo impôs um corte quase total na internet e na telefonia celular. A ONG Netblocks confirmou que o apagão digital já dura mais de 84 horas em todo o território iraniano.
Oposição no exílio convoca revolta
Em meio ao caos, Reza Pahlavi, filho do último xá do Irã (deposto na Revolução de 1979) e exilado nos EUA, usou as redes sociais para incitar a população a derrubar o regime clerical.
“A República Islâmica será colocada de joelhos”, afirmou Pahlavi, prometendo retornar em breve ao país.
Enquanto isso, a população iraniana segue prensada entre a crise econômica interna, a repressão estatal violenta e o risco iminente de um conflito internacional de grandes proporções.

Com informações de Agência Brasil
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