(Foto: Marcelo Camargo)
Quedas e queimaduras lideram internações infantis no Paraná e no Brasil
Desatenção de cuidadores e uso de celulares impulsionam internações de crianças por acidentes evitáveis.
Um momento de distração dentro de casa altera a rotina de milhares de famílias brasileiras todos os meses. Apenas no ano de 2025, o Paraná registrou 10.708 hospitalizações de crianças e adolescentes de até 14 anos devido a acidentes. O número coloca o estado na terceira posição nacional em volume absoluto de internações nessa faixa etária, atrás apenas de São Paulo e Minas Gerais.
A maioria absoluta dessas idas ao pronto-socorro tem origem em situações corriqueiras. As quedas respondem por 43,4% dos casos, somando mais de 55 mil registros no país durante o ano passado. Logo em seguida aparecem as queimaduras, que geraram mais de 25 mil internações e representam 19,6% do total de ocorrências.
Esses dados integram o levantamento do Projeto Criança Segura, conduzido pela ONG Aldeias Infantis SOS com base no repositório de dados de saúde DataSUS. O cenário consolida a premissa de que o ambiente doméstico exige supervisão contínua. Profissionais do projeto afirmam que mais de 90% dos acidentes com esse público poderiam ser evitados. A desatenção dos responsáveis, frequentemente associada ao uso de celulares, surge no relatório como o principal fator para o recente aumento nos índices.
Intoxicações e sufocamentos registram alta
Além dos traumas físicos provocados por tombos e contato com calor, outras categorias de acidentes domésticos ganharam volume nos hospitais. O balanço de 2025 marcou um aumento de 19,7% nos episódios de intoxicação infantil em relação a 2024. A ingestão acidental de substâncias atingiu 4,2 mil crianças, mantendo o maior risco concentrado na faixa de 1 a 4 anos, que representa 37,7% dessas vítimas.
Os registros de sufocação cresceram 10,8% no mesmo período de comparação. O sistema de saúde atendeu 644 ocorrências dessa natureza, novamente com os pequenos de até 4 anos respondendo por quase metade das internações (49,1%). Os acidentes de trânsito seguem como a terceira maior causa geral de hospitalização infantil, com 12,6 mil casos, porém afetam majoritariamente indivíduos dos 10 aos 14 anos.
As situações envolvendo armas de fogo seguiram o caminho inverso das demais estatísticas. A categoria apresentou recuo de 13,6% no último ano, totalizando 70 pacientes infantis registrados na rede hospitalar.
O impacto populacional e a curva de crescimento
A análise do triênio de 2023 a 2025 comprova uma piora contínua na segurança infantil. O volume consolidado de hospitalizações saltou 7,7% nesse intervalo, adicionando 9.221 casos de crianças e adolescentes ao sistema de saúde. O avanço aconteceu de forma gradual: o crescimento foi de 2,2% em 2024 e acelerou para a marca de 5,4% em 2025.
No cenário macro de 1,6 milhão de internações anuais por acidentes, englobando todas as faixas etárias, os jovens de até 14 anos representam 9,7% da demanda. Isso significa que, a cada mês, os hospitais brasileiros recebem cerca de 10,7 mil pacientes pediátricos nas alas de emergência. Quando o relatório equaliza os números pela proporção de habitantes, estados das regiões Norte e Nordeste assumem a dianteira.
Para entender o peso proporcional do problema, o cruzamento populacional estabeleceu o seguinte retrato no país:
- Pará ostenta a maior incidência nacional, com 120 internações a cada 100 mil habitantes.
- Tocantins ocupa a segunda colocação, registrando uma taxa de 113 casos por 100 mil.
- Maranhão contabiliza 102 hospitalizações a cada 100 mil residentes.
- Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte e Sergipe apresentam os menores índices, com taxas de 43, 39 e 13 casos por 100 mil, respectivamente.
Supervisão ativa muda estatísticas
As lesões severas geram impactos de longo prazo no desenvolvimento das vítimas e exigem recursos expressivos de reabilitação. O fortalecimento de campanhas educativas surge como a principal ferramenta para estancar o ritmo de alta verificado nos últimos três anos.
“Os resultados demonstram que quedas, queimaduras, sinistros de trânsito, intoxicações, sufocações e afogamentos continuam figurando entre as principais causas de internação infantil no Brasil. Investir em ambientes seguros, educação preventiva e fortalecimento de políticas públicas significa reduzir hospitalizações, sequelas permanentes e óbitos evitáveis”.
A proteção infantil efetiva demanda ajustes práticos nos espaços de convivência e mudança de comportamento dos adultos. A guarda presencial exige dedicação focada, garantindo que o cuidado supere as distrações tecnológicas para manter as crianças fora das enfermarias.
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Com informações de Agência Brasil
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