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Portos do Paraná registram o melhor semestre da história com disparada da soja e veículos

Portos do Paraná registram o melhor semestre da história com disparada da soja e veículos

(Foto: Canva)

Portos do Paraná registram o melhor semestre da história com disparada da soja e veículos


Crescimento histórico nos portos de Paranaguá e Antonina amplia oportunidades de trabalho e consolida o estado como potência logística nacional.

O fluxo constante de caminhões descendo a Serra do Mar, a abertura de novos turnos de trabalho nas cooperativas do interior e a expansão de áreas de armazenagem refletem diretamente os números expressivos da balança comercial paranaense. Quando navios cargueiros deixam o litoral rumo à Ásia ou à Europa carregados de produtos locais, o volume bilionário negociado irriga a cadeia produtiva regional. Isso garante desde a compra de novos maquinários pelo pequeno produtor rural até o aquecimento do comércio nas cidades do interior, além de reduzir custos logísticos para quem produz e vende no estado.

Historicamente, o Paraná consolidou sua economia em transições estratégicas, passando do ciclo da erva-mate e da madeira para o café, até chegar à atual potência agroindustrial e automotiva. Hoje, o estado não apenas envia matéria-prima bruta para fora, mas também bens de alto valor agregado, equilibrando a entrada de divisas e garantindo resiliência em momentos de oscilação do mercado interno.

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O papel de Paranaguá no escoamento recorde da safra

A empresa pública Portos do Paraná, responsável pela administração das unidades de Paranaguá e Antonina, registrou 34,44 milhões de toneladas de cargas movimentadas no primeiro semestre de 2026. Esse volume é o melhor da história para o período, superando em 0,6% o desempenho dos primeiros seis meses do ano anterior. O protagonismo desse escoamento ficou por conta do agronegócio, garantindo que a produção chegasse ao mercado internacional sem gargalos severos.

O avanço das cargas em contêineres nas rotas internacionais

Para além dos granéis, a diversificação da matriz de transporte ganhou evidência. As cargas conteinerizadas alcançaram a marca de 8,7 milhões de toneladas, um aumento de 8,9% na comparação com o ano anterior. Essa modalidade é essencial para o envio de produtos secos, perecíveis, maquinários, líquidos e gases de forma segura, agregando valor à logística portuária e permitindo que indústrias de transformação também encontrem espaço nos navios.

A queda na importação de fertilizantes e os próximos passos

Nem todos os índices apresentaram alta. O porto lidou com uma retração de 6,2% nas importações gerais, somando 12,1 milhões de toneladas. Os fertilizantes, insumo fundamental para o plantio de verão, estabilizaram-se em 4,73 milhões de toneladas recebidas. O setor projeta uma reversão dessa curva ao longo do segundo semestre, período que tradicionalmente concentra um tráfego mais pesado de operações, com a expectativa de superar as 40 milhões de toneladas registradas na mesma época de 2025.

A balança comercial positiva e a diversificação dos produtos vendidos

No panorama geral de receitas, o cenário financeiro apresenta forte tração. Entre janeiro e julho, o Paraná acumulou US$ 14,3 bilhões em vendas ao exterior, marcando um crescimento de 7% no ano. Apenas em julho, as negociações ultrapassaram a faixa de US$ 2 bilhões. A pauta exportadora do estado apresenta uma grande variedade de produtos requisitados internacionalmente:

  • Soja em grão (liderando com mais de 20% do volume total)
  • Óleo de soja bruto
  • Máquinas de terraplenagem
  • Óleos e combustíveis
  • Veículos de carga
  • Carne de frango e celulose

O peso da china como parceira comercial dos paranaenses

No mapa global, a Ásia continua dominando o recebimento das riquezas produzidas em solo paranaense. A China mantém o posto de principal compradora, ditando o ritmo das exportações, especialmente no setor de proteínas e grãos. Em seguida, os maiores fluxos de negócios ocorrem com a Argentina, os Estados Unidos e a Índia, mostrando a capacidade do estado em dialogar comercialmente com potências de diferentes continentes.

O crescimento vertiginoso das vendas para o mercado japonês

Um ponto de forte ascensão nos registros estaduais foi a relação com o mercado asiático de alto rigor técnico. O Japão despontou como o destino com maior salto percentual, registrando uma elevação de 78,3% nas compras de produtos originários do Paraná. Esse estreitamento de laços reflete a adequação sanitária e a qualidade dos itens locais perante compradores que exigem certificações rígidas.

A liderança da soja e a estratégia para armazenagem de milho

O complexo soja (que engloba grão, farelo e óleo) gerou US$ 2,94 bilhões apenas nos cinco primeiros meses de 2026. Foram 6,72 milhões de toneladas exportadas, um salto de 8% em volume. A velocidade desse escoamento cumpriu um papel estratégico para o campo: ao esvaziar os armazéns rapidamente, os produtores ganharam o espaço necessário para o recebimento da safrinha de milho, evitando perdas por falta de silos.

O desempenho do complexo soja também é positivo nacionalmente. As exportações brasileiras totalizaram 66,2 milhões de toneladas, crescimento de 7% em volume e de 15% em valor, movimentando mais de US$ 27 bilhões para a balança comercial do país.” — Edmar Gervasio, analista do Departamento de Economia Rural (Deral).

O reconhecimento nacional do urucum de Paranacity

Fora do eixo das commodities tradicionais, o estado tem conquistado novos nichos de mercado. O cultivo de urucum colocou o Paraná na vice-liderança nacional, gerando um Valor Bruto da Produção (VBP) de R$ 27,5 milhões. O município de Paranacity, o maior produtor do país, recentemente obteve o selo de Indicação Geográfica (IG) de procedência no Inpi, o que confere exclusividade e atesta a rastreabilidade e qualidade do produto.

O fôlego renovado da avicultura e a aproximação no leite

As reduções nos preços do milho e do farelo de soja ajudaram a baratear a ração e deram fôlego aos avicultores paranaenses. O custo do frango vivo caiu para R$ 4,68 por quilo, margem essencial para manter a rentabilidade do produtor. Além de dominar 30,9% da produção nacional de ovos férteis, o estado avançou 8,8% na captação de leite no primeiro trimestre, somando quase 1,1 bilhão de litros e encurtando a diferença histórica que o separa de Minas Gerais.

Para suportar todo esse volume de produtos descendo rumo ao litoral ou circulando internamente, a infraestrutura terrestre passa por testes diários de capacidade.

O salto que colocou o Paraná à frente de Santos em veículos

O segmento de cargas rolantes transformou o cenário portuário local. Com a movimentação de 87,7 mil toneladas de veículos (crescimento de 151%), o terminal de Paranaguá assumiu 14,71% de participação no mercado de automóveis em 2026. Esse salto fez a unidade paranaense ultrapassar o Porto de Santos (14,66%), ficando atrás apenas do Porto de Vitória (ES) no ranking nacional. Em cifras, as operações somaram US$ 906,8 milhões em valor de mercadoria no momento do embarque.

A joint venture montadora e o foco na importação asiática

A escalada automotiva tem origem em arranjos corporativos globais. Entre janeiro e maio, foram 67,6 mil unidades movimentadas, puxadas essencialmente pela chegada de veículos estrangeiros. A China representou 54,8% da origem e destino dessas operações, seguida por México, Argentina e Colômbia.

Nós tivemos uma nova operação iniciada no fim do ano passado, após a formação de uma joint venture entre duas montadoras. Com isso, a movimentação de veículos cresceu significativamente e alcançamos quase 48 mil veículos importados até este momento do ano.” — Gabriel Vieira, diretor de Operações Portuárias da Portos do Paraná.

A estrutura dedicada do berço 219 e a logística automotiva

Para dar conta dessa frota, o Porto de Paranaguá utiliza o berço 219, uma estrutura desenhada exclusivamente para receber navios do tipo Ro-Ro (Roll-on/Roll-off). As operações contam com terminais especializados e áreas do Terminal de Contêineres de Paranaguá (TCP) para armazenamento.

Os investimentos recentes ampliam a capacidade operacional dos nossos parceiros e tornam os portos do Paraná cada vez mais competitivos nesse ambiente.” — Luiz Fernando Garcia, diretor-presidente da Portos do Paraná.

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O que você precisa saber em resumo

  • O Paraná exportou US$ 14,3 bilhões entre janeiro e julho de 2026, com a soja sendo o principal produto e garantindo forte geração de renda no interior.
  • A movimentação no Porto de Paranaguá bateu recorde histórico no semestre, impulsionada pelo escoamento de grãos e por uma estrutura eficiente de contêineres.
  • O estado ultrapassou o Porto de Santos e assumiu a vice-liderança nacional na movimentação de veículos, operando mais de 67 mil carros e caminhões.
Portos do Paraná registram o melhor semestre da história com disparada da soja e veículos
(Foto: Canva)

Alfredo R. Martins Jr. é jornalista e a voz principal do Jornal O Paranaense. Formado em Comunicação Social com especializações em Marketing e Gestão de Comunicação, possui mais de 17 anos de experiência na análise do cenário paranaense. Sua missão é traduzir a complexidade da política, economia e cultura do estado em informação clara, acessível e relevante para o leitor.
Alfredo R. Martins Jr.
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