(Foto: Orlando Kissner)
Sem postes e mais verde: os detalhes da grande obra no centro da capital
Projeto da prefeitura prevê fiação subterrânea, nova ciclovia e jardins de chuva ao longo de quatro quilômetros de uma das vias mais movimentadas de Curitiba.
Quem caminha, pedala ou dirige hoje pela Avenida Visconde de Guarapuava, enfrentando calçadas estreitas e a intensa poluição visual de centenas de cabos de energia, logo presenciará uma paisagem radicalmente diferente. A via, que cruza o coração da capital paranaense ligando o Alto da Rua XV ao bairro do Batel, passará por uma reformulação estrutural completa. A principal e mais aguardada mudança será sentida ao olhar para cima: a remoção definitiva dos postes no canteiro central e o aterramento de toda a fiação elétrica e de telecomunicações.
Essa alteração não apenas embeleza a cidade, livrando o céu da fiação emaranhada, mas resolve falhas crônicas de manutenção. A rede subterrânea reduzirá drasticamente os cortes de energia ocasionados pela queda de galhos em dias de tempestade — um problema comum no verão curitibano — além de coibir os furtos de cabos que prejudicam o fornecimento de serviços à população.
O que muda na rotina dos curitibanos e na paisagem urbana
Com a eliminação dos postes e transformadores do canteiro central, o espaço liberado ganhará uma nova utilidade. O projeto garante a implantação de uma ciclovia contínua, oferecendo, pela primeira vez, um trajeto verde e seguro para quem adota a bicicleta como meio de transporte diário naquela região. Para os pedestres, o ganho vem em acessibilidade universal: calçadas mais largas e niveladas, prontas para receber cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida sem os obstáculos atuais.
A revitalização adota o que o urbanismo moderno chama de Soluções Baseadas na Natureza (SbN). Um dos grandes destaques é a instalação de “jardins de chuva”. Esses sistemas funcionam como biovaletas projetadas para absorver a água de chuvas intensas, desafogando as galerias tradicionais de drenagem e ajudando a mitigar os alagamentos que historicamente afetam trechos da área central.

O peso da modernização para o planejamento da capital paranaense
A Visconde de Guarapuava compõe a espinha dorsal do planejamento viário da cidade. Ela faz parte do tradicional sistema trinário de Curitiba — um modelo mundialmente reconhecido, concebido na década de 1970 pelo Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc). Neste sistema, a avenida atua como uma via rápida de fluxo contínuo, complementando o trânsito da Sete de Setembro (eixo do BRT) e da Silva Jardim (via rápida em sentido oposto).
Com o adensamento da capital paranaense, essa via transformou-se em um corredor excessivamente árido e focado no fluxo de carros. A nova atualização busca reequilibrar essa lógica, devolvendo o protagonismo aos pedestres e à arborização de grande porte.
A criação desse novo corredor verde ajudará a reduzir o efeito de “ilha de calor” gerado pelo excesso de asfalto, baixando a temperatura local e filtrando parte da poluição veicular. A transformação de vias de passagem em locais agradáveis de permanência também é uma ferramenta poderosa para valorizar o comércio de rua e atrair novos investimentos imobiliários para a região.
Os próximos passos e a visão das autoridades
A transformação já está em andamento burocrático. O Ippuc publicou o edital para a contratação do anteprojeto — fase técnica que detalhará os custos, os desenhos das seções viárias, a iluminação pública e o cronograma. Escritórios de engenharia e arquitetura têm até o dia 9 de setembro de 2026 para apresentar suas propostas via internet. Somente após essa etapa o município avançará para os projetos executivos e o início das obras.
O prefeito da cidade reforça que a requalificação faz parte de um planejamento contínuo para o futuro:
“Os postes vão desaparecer do canteiro central, dando lugar a uma ciclovia, e o aterramento da fiação trará menos poluição visual, mais segurança, mais espaço para as árvores crescerem e uma avenida muito mais bonita. Grandes cidades do mundo investem em retirar a fiação das ruas para valorizar os espaços urbanos e é esse tipo de Curitiba que estamos planejando.” — Eduardo Pimentel, prefeito de Curitiba.
A presidente do Ippuc ressalta a importância de integrar as melhorias aos novos desafios climáticos:
“A intervenção fortalece a integração entre os diferentes modos de transporte, incentiva deslocamentos mais sustentáveis e amplia os espaços públicos de convivência, consolidando a Avenida Visconde de Guarapuava como um eixo urbano mais acessível, arborizado, resiliente e preparado para os desafios das próximas décadas.” — Ana Zornig Jayme, presidente do Ippuc.
A linha do tempo do projeto compreende as seguintes etapas:
- Publicação do edital de anteprojeto pelo Ippuc (fase concluída).
- Recebimento de propostas técnicas online: até 9 de setembro de 2026.
- Seleção e desenvolvimento do projeto executivo.
- Lançamento de licitação e início do cronograma de obras (a ser definido).
O que você precisa saber em resumo
- A fiação elétrica e de telecomunicações da Visconde de Guarapuava será 100% subterrânea, eliminando os postes do canteiro central.
- A avenida ganhará uma ciclovia contínua, calçadas mais amplas e “jardins de chuva” ao longo de seus 4 quilômetros, entre o Alto da XV e o Batel.
- O Ippuc está recebendo propostas de escritórios até 9 de setembro de 2026 para desenhar o projeto técnico que baseará as obras.

Com informações de Agência de Notícias da Prefeitura de Curitiba
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