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Paraná implementa política de saúde óssea para prevenir fraturas e salvar vidas no SUS

Estratégia inovadora busca quebrar o ciclo de fraturas sucessivas

O Paraná deu um passo significativo na saúde pública ao implementar uma nova estratégia de prevenção à fragilidade óssea no Sistema Único de Saúde (SUS).

A iniciativa, liderada pela Secretaria de Estado da Saúde do Paraná (Sesa), visa organizar o cuidado integral ao paciente com osteoporose, desde o momento da fratura até o acompanhamento ambulatorial, com o objetivo de reduzir o risco de novas ocorrências e diminuir a mortalidade associada à condição.

A abordagem, baseada no modelo internacional Fracture Liaison Service (FLS), começou a ser implantada de forma pioneira na região Norte do estado, com planos de expansão para outras unidades hospitalares.

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Identificação e acompanhamento contínuo: o diferencial do novo modelo

A essência da nova política reside na organização do cuidado. Pacientes que sofrem uma fratura por fragilidade são identificados ainda no hospital. A partir daí, são encaminhados para avaliação especializada e inseridos em um protocolo de acompanhamento periódico.

Este processo inclui orientação sobre prevenção de quedas, avaliação clínica detalhada, solicitação de exames quando necessários e o início de tratamento específico para fortalecimento ósseo. A meta é garantir que o paciente receba um acompanhamento completo, indo além do tratamento emergencial da fratura.

Osteoporose: a doença silenciosa que exige atenção após a primeira fratura

A osteoporose, uma das principais causas de fragilidade óssea, é frequentemente descrita como uma doença silenciosa, pois muitas vezes só é diagnosticada após a ocorrência de uma fratura.

Fernando Yabushita, coordenador do programa de Pós-Graduação em Exercício e Promoção da Saúde da Unopar e parceiro do Estado na região Norte, explica a importância do acompanhamento pós-fratura: “Quando essa fratura acontece, o risco de uma nova lesão aumenta muito.

É por isso que o acompanhamento após o primeiro evento é fundamental.” Ele ressalta que tratar apenas a fratura sem investigar e tratar a causa subjacente não resolve o problema, podendo levar a novas internações em curto prazo.

Ambulatório de Fragilidade Óssea: um centro de referência para o cuidado

No Hospital Universitário de Londrina (HU-UEL), a iniciativa se materializa através do Ambulatório de Fragilidade Óssea, vinculado ao Ambulatório de Especialidades. O serviço atende pacientes a partir de 50 anos que sofreram fraturas por fragilidade, assegurando que recebam avaliação conforme o protocolo clínico estabelecido logo na entrada no Pronto-Socorro.

De setembro de 2024 a novembro de 2025, o HU-UEL realizou 181 avaliações, sendo 129 primeiras consultas médicas especializadas, demonstrando o impacto inicial da estratégia no acompanhamento e tratamento da causa do enfraquecimento ósseo.

Abordagem multiprofissional e reabilitação para um futuro sem fraturas

A abordagem terapêutica é multiprofissional, envolvendo assistência médica, de enfermagem e, crucialmente, fisioterapia.

Após a alta hospitalar, os pacientes são direcionados ao ambulatório para avaliações de capacidade física, funcional, força muscular e composição corporal. Essas avaliações, realizadas em parceria entre a UEL e a UNOPAR, são fundamentais para a prevenção de novas fraturas.

Alunos de graduação em fisioterapia, residentes e alunos de mestrado e doutorado participam ativamente do atendimento ambulatorial, com casos de maior complexidade recebendo suporte em terapia intensiva pós-operatória.

Impacto econômico e social: mais saúde e eficiência para o SUS

A implementação dessa estratégia de prevenção da fragilidade óssea traz benefícios que transcendem o atendimento clínico. A redução de novas fraturas diminui a pressão sobre os prontos-socorros, reduz internações e a necessidade de cirurgias e implantes ortopédicos de alto custo.

A fisioterapia desempenha um papel vital no fortalecimento muscular, recuperação da mobilidade e prevenção de quedas, fatores determinantes para diminuir a reincidência de fraturas. Cada fratura evitada representa uma economia significativa de recursos hospitalares, tornando a gestão pública mais eficiente e permitindo que investimentos sejam redirecionados para outras áreas prioritárias da saúde.

Reconhecimento internacional e história de sucesso: Edi Teshirogi

O modelo paranaense já obteve reconhecimento internacional, conquistando certificação nível prata no Mapa de Boas Práticas do Capture the Fracture, iniciativa da Fundação Internacional de Osteoporose.

Um exemplo do impacto positivo da política é a história de Edi Teshirogi, 73 anos, que após uma fratura de fêmur, passou a ser acompanhada semanalmente por uma equipe multiprofissional. “Eu fui melhorando aos poucos. Hoje eu caminho, faço minhas coisas, mas com mais cuidado”, relata Edi, que recuperou sua mobilidade e qualidade de vida graças ao acompanhamento contínuo.

Compromisso do Paraná com a saúde integral e preventiva

Para o Secretário de Estado da Saúde, Beto Preto, a estratégia reforça o compromisso do Paraná com um atendimento mais organizado e preventivo. “Nosso foco é cuidar do paciente de forma integral. Não basta tratar a fratura e encerrar o atendimento.

Precisamos garantir que essa pessoa tenha acompanhamento, orientação e tratamento adequado para evitar novas complicações. Esse é um modelo que qualifica a assistência e fortalece o SUS no Paraná”, afirma.

Fragilidade óssea: um problema que vai além da idade

A fragilidade óssea, que pode estar associada a fatores como osteoporose, doenças metabólicas, uso prolongado de medicamentos e outras condições clínicas, não atinge apenas idosos. A condição compromete a resistência dos ossos em diferentes faixas etárias, e muitas vezes, a fratura é o primeiro e único sinal de uma condição silenciosa que necessita de investigação e tratamento adequados.


Alfredo R. Martins Jr. é jornalista e a voz principal do Jornal O Paranaense. Formado em Comunicação Social com especializações em Marketing e Gestão de Comunicação, possui mais de 17 anos de experiência na análise do cenário paranaense. Sua missão é traduzir a complexidade da política, economia e cultura do estado em informação clara, acessível e relevante para o leitor.
Alfredo R. Martins Jr.
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