Para um público de 5 mil pessoas em Barcelona, presidente brasileiro afirmou que os ganhos tecnológicos não podem beneficiar apenas os mais ricos. Em tom crítico, alertou que os governos progressistas “se tornaram o sistema” ao adotar a austeridade e abriram espaço para o autoritarismo.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva utilizou o palco internacional para reforçar o coro doméstico pelo fim da jornada de trabalho de seis dias com um de descanso (escala 6×1). Neste sábado (18), durante agenda em Barcelona, na Espanha, o mandatário brasileiro uniu a pauta trabalhista a um duro discurso sobre os rumos da esquerda global, a concentração de renda e o avanço da extrema-direita.
Lula participou de dois grandes eventos na cidade catalã: a primeira edição da Mobilização Progressista Global (MPG) — que reuniu mais de 5 mil ativistas e lideranças — e o Fórum Democracia Sempre, evento organizado pelo presidente de governo da Espanha, Pedro Sánchez, com a presença de líderes do Chile, Colômbia, Uruguai, México e África do Sul.
Ganhos tecnológicos e o fim da escala 6×1
Dias após o governo federal enviar ao Congresso Nacional o projeto de lei que propõe reduzir o limite da jornada semanal de 44 para 40 horas, garantindo dois dias de descanso remunerado, Lula defendeu a medida diante dos líderes internacionais, afirmando que a classe trabalhadora precisa se beneficiar do aumento da produtividade.
“No Brasil, nós estamos discutindo o fim da jornada 6×1. Me parece que os ganhos tecnológicos e a sofisticação da produção só valem para o rico. Para o pobre não vale nada, ele não ganha porque aumentou a produtividade da empresa”, observou o presidente.
Para Lula, a falta de respostas aos anseios básicos da sociedade é o principal fator que tem levado a democracia ao descrédito. “Não é democracia quando uma mãe passa horas em um ônibus lotado e não consegue dar um beijo de boa noite nos seus filhos”, resumiu.
Autocrítica: “Nós nos tornamos o sistema”
Em um dos momentos mais incisivos de seu discurso na Mobilização Progressista Global, Lula cobrou coerência dos políticos de esquerda e fez uma autocrítica sobre a adoção de medidas neoliberais por governos de seu campo ideológico.
Ele apontou que as promessas não cumpridas do neoliberalismo (que “entregou fome, desigualdade e insegurança”) foram capitalizadas pela extrema-direita, que soube canalizar a frustração popular através do discurso de ódio contra minorias.
“Governos de esquerda ganham as eleições com discurso de esquerda e praticam austeridade. Abrem mão de políticas públicas em nome da governabilidade. Nós nos tornamos o sistema. Por isso, não surpreende que o outro lado se apresente agora como antissistema”, alertou.
Lula também relembrou os ataques antidemocráticos no Brasil para provar que a ameaça conservadora radical não é apenas retórica: “Eles orquestraram uma trama que previa tanques na rua e assassinatos do presidente eleito, do vice-presidente e do presidente da Justiça Eleitoral”.
Críticas aos “Senhores da Guerra” e Bilionários
O presidente brasileiro voltou a mirar nas potências com assento permanente no Conselho de Segurança da ONU, classificando-os como “senhores da guerra”. Ele criticou os bilhões de dólares gastos em arsenais militares enquanto questões como a fome e as mudanças climáticas são negligenciadas.
A concentração de riqueza também foi alvo. Segundo Lula, a desigualdade mundial é uma “escolha política” financiada por poucos bilionários que pagam menos impostos, exploram trabalhadores e manipulam algoritmos para manter o domínio econômico.
Próximos passos na Europa
Após os compromissos na Espanha, o presidente segue para os seguintes destinos:
- Alemanha (19 de maio): Participa da Hannover Messe (maior feira de inovação e tecnologia industrial do mundo, que este ano homenageia o Brasil) e tem reunião bilateral com o chanceler alemão, Friedrich Merz.
- Portugal (21 de maio): Realiza uma rápida visita de Estado a Lisboa, onde se encontra com o primeiro-ministro Luís Montenegro e com o presidente António José Seguro.
Com informações de Agência Brasil
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