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Plantas consideradas extintas reaparecem no Brasil e abrem novas portas para a ciência

Plantas consideradas extintas reaparecem no Brasil e abrem novas portas para a ciência

(Foto: Mateus Zaza)

Plantas consideradas extintas reaparecem no Brasil e abrem novas portas para a ciência


Achado em solo mineiro impulsiona pesquisas genéticas e destaca o potencial oculto da flora brasileira

A redescoberta de espécies vegetais que não eram vistas na natureza há décadas representa muito mais do que um marco científico isolado. Plantas capazes de sobreviver em condições extremas de falta de água e calor intenso carregam um material genético incrivelmente valioso. Essa resistência natural tem potencial imediato para revolucionar a biotecnologia, a farmacologia e o desenvolvimento de novas tecnologias voltadas para a adaptação climática.

Ao estudar como essas espécies suportam o estresse térmico em solos inóspitos, a ciência ganha ferramentas fundamentais para criar soluções que garantam a segurança alimentar e o equilíbrio dos ecossistemas em um planeta que passa por rápidas mudanças ambientais.

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Reflexos diretos para o agronegócio e meio ambiente do Paraná

A conservação de ecossistemas únicos, mesmo que distantes geograficamente, gera benefícios em cadeia para todo o território nacional. No caso do Paraná, estado com forte vocação agropecuária e que frequentemente enfrenta desafios com estiagens severas, as descobertas genéticas oriundas de plantas resistentes ao estresse hídrico servem de base para futuras inovações agronômicas. A compreensão dos mecanismos de sobrevivência dessas espécies raras pode guiar o desenvolvimento de lavouras mais tolerantes à seca, protegendo a produção local de alimentos.

Além disso, a manutenção da cobertura vegetal original em regiões serranas é vital para a regulação dos ciclos de chuva que abastecem as grandes bacias hidrográficas das regiões Sul e Sudeste.

O resgate das espécies “sempre-vivas” nas rochas de Minas Gerais

As protagonistas desta reviravolta ambiental são a Paepalanthus magalhaesii e a Coracoralina amoena, conhecidas popularmente como “chuveirinho” ou “sempre-vivas”. Elas foram localizadas no Quadrilátero Ferrífero, em Minas Gerais, uma área caracterizada por solo ferruginoso vermelho e vegetação rupestre altamente especializada. Por anos, a pressão de atividades humanas acelerou a perda desses habitats, tornando a preservação um desafio urgente.

Algumas plantas que a gente tinha na nossa lista de espécies-alvo não eram vistas há mais de 100 anos e eram consideradas potencialmente extintas. Mas fazendo esse trabalho de ir procurar por essas plantas, a gente acabou encontrando-as na natureza e redescobrindo-as novamente”, explica Laís Zeferino, doutora em biologia vegetal e pesquisadora associada da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Essas plantas crescem rente ao chão em ambientes hostis, onde o solo é raso, o sol é implacável e a água escasseia durante a maior parte do ano. A Coracoralina amoena, especificamente, chegou a ser apontada na literatura científica como possivelmente desaparecida.

Dos campos para o sequenciamento nos laboratórios

O trabalho de resgate integra o Projeto de Conservação de Espécies Raras e Endêmicas, desenvolvido pela Rede Propagar. Após a coleta cuidadosa no campo, o material segue para análise laboratorial, onde passará por um rigoroso sequenciamento genético.

Os especialistas criarão bancos de germoplasma para multiplicar as mudas em ambiente controlado. A intenção é desenvolver métodos de propagação inéditos, preenchendo as grandes lacunas de informação biológica existentes sobre essas flores únicas.

A ideia é a gente desenvolver métodos de propagar essas plantas, já que a maioria delas tem pouquíssimo conhecimento gerado. A partir daí, será iniciada uma série de estudos que vão desde a parte genômica até a produção de mudas, para a gente trabalhar a sua reintrodução no futuro”, afirma Ana Cristina Amoroso, engenheira florestal e especialista em campo rupestre da Vale.

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O que você precisa saber em resumo

  • Plantas raras e extremamente resistentes ao calor e à falta de água, consideradas extintas há cerca de 30 anos, foram localizadas em áreas protegidas do Quadrilátero Ferrífero (MG).
  • O DNA destas espécies abre caminhos biotecnológicos valiosos que podem ajudar o Brasil – incluindo o forte setor agrícola do Paraná – a desenvolver culturas mais tolerantes às secas.
  • As amostras coletadas por pesquisadores passarão por sequenciamento genético em laboratório, visando a multiplicação e a reintrodução segura das plantas na natureza.

Com informações de Agência Brasil


Alfredo R. Martins Jr. é jornalista e a voz principal do Jornal O Paranaense. Formado em Comunicação Social com especializações em Marketing e Gestão de Comunicação, possui mais de 17 anos de experiência na análise do cenário paranaense. Sua missão é traduzir a complexidade da política, economia e cultura do estado em informação clara, acessível e relevante para o leitor.
Alfredo R. Martins Jr.
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